Revista Mineração | Edição 65

Julho e Agosto de 2026

revistamineracao.com.br

Edição 65 . Ano 14

Julho e Agosto de 2026

Economia Circular

Transformando

desafios em

oportunidades

Eletrificação

Descarbonização

ao alcance de

todos

Entrevista

Pablo Cesário e o

papel central do

IBRAM para o Setor

Desenvolvimento sustentável e escuta ativa das comunidades fortalece vínculos

e dá perspectivas futuras ante a transitoriedade das atividades minerárias

LEGADO

DE LONGO PRAZO

Divulgação | Appian

CLIQUE

MATA

ATLÂNTICA

A Appian Capital Brazil,

por meio da Atlantic

Nickel, já revegetou 388,37

hectares de Mata Atlântica

no entorno de Ipiaú e

Itagibá, no Sul da Bahia,

área equivalente a cerca

de 543 campos de futebol.

A iniciativa contempla

a recuperação de Áreas

de Reserva Legal e de

Preservação Permanente,

além do monitoramento

da fauna e da flora. Nos

últimos quatro anos,

o viveiro de mudas da

companhia produziu mais

de 147 mil exemplares de

espécies nativas, destinadas

a ações de reflorestamento

e recuperação de

áreas degradadas.

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da revista os artigos de opinião e

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Publicação dirigida aos setores mineral,

siderúrgico e energético, com foco

especial em mineradoras e siderúrgicas

de grande, médio e pequeno porte,

além de fornecedores, consultorias,

entidades, instituições acadêmicas,

governos e assinantes.

Expediente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

EDITORIAL

A mineração brasileira vive um mo-

mento em que não basta acompa-

nhar as transformações. É preciso

escolher o papel que o País pretende

desempenhar nelas.

O mundo está mudando — e essa

mudança recoloca a mineração no

centro das grandes decisões econô-

micas, tecnológicas e geopolíticas. A

transição energética, a eletrificação

da economia, a digitalização e a in-

teligência artificial têm algo em co-

mum: dependem de minerais. Muitos

deles estão no subsolo brasileiro.

O País não pode se limitar a ser um

grande exportador de matérias-primas.

A riqueza mineral precisa se transformar

em desenvolvimento, conhecimento,

inovação, empregos qualificados e ca-

deias produtivas capazes de agregar

valor. É nesse ponto que os minerais

críticos e estratégicos deixam de ser

apenas uma pauta do setor e passam a

representar uma questão de Estado.

Lítio, cobre, níquel, grafita, terras raras,

manganês, nióbio e outros minerais

estão relacionados à segurança ener-

gética, à competitividade industrial e

à soberania tecnológica. O Brasil tem

recursos e conhecimento para partici-

par dessa nova economia. O desafio é

transformar essas vantagens em estra-

tégia de longo prazo. E nenhuma estra-

tégia para a mineração brasileira pode-

rá prosperar sem sustentabilidade.

O tempo em que sustentabilidade

era tratada como um capítulo sepa-

rado dos projetos ficou para trás. Ela

precisa estar incorporada ao negó-

cio. Segurança de barragens, gestão

da água, redução das emissões, re-

cuperação de áreas, economia cir-

cular, reaproveitamento de rejeitos,

conservação da biodiversidade e

relacionamento responsável com as

comunidades são requisitos para a le-

gitimidade da atividade.

A mineração do futuro será mais efi-

ciente, segura, tecnológica e trans-

parente.

Automação,

inteligência

artificial, sensores, análise de dados,

equipamentos autônomos e novas

tecnologias de processamento já

transformam as operações. Inovação

deixou de ser promessa para se tornar

condição de competitividade. Tecno-

logia e sustentabilidade caminham

lado a lado: produzir melhor significa

consumir menos recursos, reduzir ris-

cos e aumentar a eficiência.

É nesse ambiente que a EXPOSIBRAM

2026 assume papel estratégico. Mais

do que uma vitrine de tecnologias, o

evento representa um espaço para dis-

cutir os caminhos de uma indústria em

transformação. Empresas, especialistas,

pesquisadores, fornecedores e poder

público estarão reunidos para debater

os desafios que determinarão a próxi-

ma década da mineração.

O Brasil precisa construir uma agenda

mineral de longo prazo, combinando

investimentos, infraestrutura, pesquisa,

inovação, agregação de valor e respon-

sabilidade socioambiental.A geologia

já colocou o Brasil na disputa pela mi-

neração do futuro. A verdadeira ques-

tão é: que tipo de mineração queremos

construir e quanto valor seremos capa-

zes de gerar a partir dela?

Como revista que acompanha e debate

essa indústria, a Mineração & Sustenta-

bilidade defende uma mineração eco-

nomicamente forte, ambientalmente

responsável, socialmente comprometi-

da e tecnologicamente preparada.

O Brasil tem os recursos, as empre-

sas, o conhecimento. Agora, precisa

ter estratégia — e coragem para co-

locá-la em prática.

Mineração brasileira:

o futuro exige estratégia,

sustentabilidade e coragem

Com mais de 20 anos de

experiência no jornalismo e

no mercado publicitário, é o

fundador e diretor-geral da

Revista Mineração & Susten-

tabilidade, no cenário nacional

desde 2011. Também é o

fundador e diretor da TV

Mineração, canal no Youtube

de conteúdos audiovisuais do

setor mineral e siderúrgico.

Wilian Leles

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

ENTREVISTA

Diretor-presidente do IBRAM analisa

ferramentas de indução da mineração brasileira

SUMÁRIO

revistamineracao.com.br

Julho e Agosto de 2026

Edição 65 . Ano 14

14

ESPECIAL

Como a agenda da sustentabilidade se tornou um verdadeiro ativo das

empresas do setor minerário?

41

8 Panorama

14 Entrevista

22 Mercado

26 Infome

30 Artigo

32 Sustentabilidade

40 Informe

41 Especial

42 a 56 Artigos

Divulgação | IBRAM

INOVAÇÃO

Descarbonização mais acessível marca

transformação tecnológica do Setor

SUSTENTABILIDADE

Restrições a novos recursos e pressão

ambiental levam empresas a reutilizar

60

32

Divulgação | U&M

Arquivo | Vale

Seções

Agenda de Eventos

CONGRESSO

Impulsionado pela transformação

regulatória, o Direito da Mineração

assume papel central no desenvol-

vimento. Em 2026, o IBRAM reunirá

líderes e especialistas para apro-

fundar o debate sobre os marcos

legais, os desafios regulatórios e as

tendências jurídicas que moldam

o futuro da mineração.

15 e 16 de setembro de 2026

Brasília (DF)

Informações: https://ibram.org.

br/eventos/

AGENDA

e-Digital

BRASMIN 2027

A feira reúne profissionais, empre-

sas e especialistas para apresentar

inovações tecnológicas, soluções

em equipamentos, produtos e

serviços direcionados à cadeia de

mineração. Também conta com

palestras e painéis que abordam

temas estratégicos e tendências

que impactam o setor mineral.

15 a 17 de junho de 2027

PUC - Goiânia (GO)

Informações: https://brasmin.

com.br//

EXPOSIBRAM 2026

Reconhecida como um dos even-

tos mais importantes do setor

mineral latino-americano, a Expo

& Congresso Brasileiro de Minera-

ção (EXPOSIBRAM) é promovida

anualmente pelo IBRAM e reúne

as principais instituições, empre-

sas e especialistas da mineração

nacional e internacional.

24 a 27 de agosto de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://exposi-

bram2026.ibram.org.br/

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

Ouro

PANORAMA

KINROSS

AMPLIA LUCRO EM 59%

Divulgação | Kinross

Divulgação | Gerdau

Siderurgia

GERDAU ACELERA INVESTIMENTOS

APÓS LUCRO DE R$ 1,5 BILHÃO

A Gerdau encerrou o segundo trimestre de 2026 com forte

desempenho, apoiado pela operação na América do Norte e

pela recuperação dos negócios no Brasil. Entre abril e junho,

a Companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão

e Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, com margem de 19,2%. A

receita líquida alcançou R$ 17,9 bilhões, enquanto as vendas

de aço somaram 2,9 milhões de toneladas.

O resultado reforça a estratégia da Siderúrgica de manter in-

vestimentos voltados à competitividade, eficiência operacio-

nal e expansão. Para 2026, a Gerdau prevê R$ 4,7 bilhões em

investimentos: R$ 2,9 bilhões destinados à manutenção dos

ativos estratégicos e R$ 1,8 bilhão a projetos de competitivi-

dade e crescimento.

Entre as iniciativas de destaque está o projeto de mineração em

Miguel Burnier, em Minas Gerais, voltado à integração da cadeia

produtiva e ao abastecimento de minério de ferro. A Empresa

avança em expansão e modernização de unidades no Brasil e na

América do Norte. O desempenho ocorre em um cenário desa-

fiador para a indústria do aço, marcado por pressão sobre custos,

concorrência internacional e oscilações na demanda.

A Kinross Gold fechou o segundo trimestre de 2026 com forte

avanço financeiro, impulsionado principalmente pela valorização

do ouro. A Mineradora registrou lucro líquido de US$ 844,2 mi-

lhões, alta de 59% em relação ao mesmo período de 2025. A re-

ceita alcançou US$ 2,238 bilhões, crescimento de 29%, enquanto

o fluxo de caixa operacional somou US$ 1,145 bilhão. A produção

totalizou 492.326 onças equivalentes de ouro no trimestre.

Mesmo com custos maiores, a margem por onça vendida

avançou 42%, para US$ 3.131. A Companhia manteve a pro-

jeção de produzir cerca de 2 milhões de onças em 2026, com

investimentos estimados em US$ 1,5 bilhão. No fim de junho, a

Kinross tinha US$ 2,7 bilhões em caixa equivalentes e US$ 1,9

bilhão em caixa líquido. A Empresa informou que já destinou

cerca de US$ 615 milhões aos acionistas no primeiro semestre,

entre recompra de ações e dividendos, reforçando a geração de

caixa e a solidez da Companhia.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

Ouro

JAGUAR MINING

PREPARA NOVA MINA

Divulgação | Jaguar Mining

A Jaguar Mining prepara a implantação de uma nova mina de

ouro em Onça de Pitangui, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O

Projeto Onças de Pitangui está na etapa final do licenciamento

ambiental para obtenção da Licença de Instalação e, segundo a

Companhia, a abertura deve ser iniciada em 2027. Considerado

estratégico para a expansão dos negócios, o empreendimento

deverá responder por cerca de 33% da produção da mineradora

quando atingir a capacidade planejada, além de apresentar po-

tencial de crescimento com a conversão de recursos em reservas.

A iniciativa integra o plano de investimentos da Jaguar, que

prevê aportes de US$ 170 milhões a US$ 190 milhões em Minas

Gerais até 2030. Os recursos serão destinados à expansão de

minas, estruturas para rejeitos e estéreis e exploração mineral.

A empresa mantém cerca de 46 mil hectares de direitos mine-

rários no Quadrilátero Ferrífero e planeja realizar 20 mil metros

de sondagem nos próximos cinco anos.

Estudo

PANORAMA

MINERAIS CRÍTICOS PODEM ADICIONAR

R$ 192 BILHÕES AO PIB ATÉ 2050, APONTA AMCHAM

Olharr

A expansão da cadeia de minerais críticos e terras raras pode

representar uma oportunidade estratégica para o desenvol-

vimento econômico e industrial do Brasil. Estudo inédito en-

comendado pela Amcham Brasil estima que o Setor poderá

adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e

gerar 750 mil novos empregos até 2050, caso o País avance

na atração de investimentos estrangeiros, no processamento

mineral e no uso desses insumos pela indústria nacional.

O levantamento compara dois cenários. No primeiro, os in-

vestimentos são financiados majoritariamente por capital do-

méstico e a produção permanece direcionada à exportação,

com baixa agregação de valor no Brasil. Nesse modelo, o im-

pacto acumulado sobre o PIB chega a R$ 128,7 bilhões, com

geração estimada de 304 mil empregos.

Já o segundo cenário considera maior participação do ca-

pital estrangeiro, expansão do processamento no País e

utilização crescente dos minerais pela indústria nacional.

Nessa hipótese, os investimentos crescem R$ 120,9 bilhões,

enquanto o impacto sobre o PIB alcança R$ 192,1 bilhões e a

geração de empregos chega a 750 mil.

A diferença entre os cenários evidencia o potencial da agre-

gação de valor. A maior atração de capital internacional e o

adensamento das cadeias produtivas podem acrescentar R$

63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias

e R$ 16,1 bilhões aos investimentos, além dos efeitos gerados

pela expansão da mineração.

Os impactos também ultrapassam os estados produtores.

Pará, Bahia, Goiás, Piauí e Minas Gerais apresentam os maiores

efeitos sobre o PIB. Ao mesmo tempo, Santa Catarina, Minas

Gerais, São Paulo e Paraná estão entre os estados que mais

se beneficiariam da ampliação do processamento doméstico.

Na indústria de transformação, o crescimento acumulado pro-

jetado chega a 1,8% no segundo cenário. Entre os segmentos

com maiores impactos estão máquinas e equipamentos elé-

tricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), auto-

móveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).

Investimentos e política industrial

O estudo, elaborado por pesquisadores da UFMG e da UFJF,

considera cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras,

minerais essenciais para tecnologias como baterias, veículos

elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

Para aproveitar esse potencial, a Amcham defende uma agenda

que inclui a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos

e Estratégicos, mecanismos de financiamento e mitigação de

riscos, atração de investimentos, incentivo ao processamento e

à industrialização e aperfeiçoamento do ambiente regulatório.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

10

Divulgação | ArcelorMittal

Siderurgia

ARCELORMITTAL

LUCRA US$ 683 MI NO 2T26

A ArcelorMittal encerrou o segundo trimestre de 2026 com

melhora nos principais indicadores operacionais e financeiros.

O lucro líquido alcançou US$ 683 milhões, alta de 19% em re-

lação ao primeiro trimestre. O EBITDA avançou 23%, para US$

2,064 bilhões, enquanto a receita chegou a US$ 16,8 bilhões,

crescimento de 8,4% no período. Na comparação anual, receita

e EBITDA cresceram 5% e 11%, respectivamente. A Companhia

embarcou 13,4 milhões de toneladas de aço no trimestre, alta

de 4,1%, e o preço médio de venda aumentou 4,4%.

No Brasil, a receita subiu 12,2%, para US$ 3,152 bilhões, e o EBI-

TDA avançou 20%, atingindo US$ 401 milhões. Os embarques

somaram 3,568 milhões de toneladas, enquanto a produção de

aço bruto alcançou 3,711 milhões de toneladas, alta de 5,6%. A

ArcelorMittal manteve a previsão de investir entre US$ 4,5 bi-

lhões e US$ 5 bilhões em 2026, incluindo projetos de expansão

e iniciativas voltadas à descarbonização.

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ENTREVISTA

PABLO CESÁRIO

Divulgação | IBRAM

Diretor-presidente do IBRAM analisa políticas

públicas que podem catapultar o Brasil entre grandes

fornecedores mundiais de minerais críticos e estratégicos

Wilian Leles

Precisamos fortalecer a

imagem da mineração

brasileira no exterior

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

14

I

mpulsionada pela crescente de-

manda global por minerais críti-

cos, pela transição energética e

pela necessidade de conciliar compe-

titividade, inovação e sustentabilida-

de, a mineração brasileira se vê dian-

te de um horizonte de possibilidades

e desafios. Nesse cenário, o Instituto

Brasileiro de Mineração (IBRAM),

que celebra 50 anos de atuação em

2026, reforça seu papel como prin-

cipal articulador das pautas que en-

volvem o desenvolvimento do setor,

o diálogo com os poderes públicos e

a construção de políticas capazes de

fortalecer a posição do Brasil no mer-

cado internacional.

À frente da instituição está Pablo Ce-

sário, que assumiu a presidência do

IBRAM em um momento de grande

responsabilidade institucional, após

Mineração & Sustentabilidade –

Como foi assumir o IBRAM após a

comoção no falecimento de Raul

Jungmann, executivo e político que

abraçou o Setor e ajudou a fomen-

tar a mineração no País?

Pablo Cesário – Assumir a presidên-

cia do IBRAM após a partida de Raul

Jungmann foi um momento de grande

responsabilidade e emoção. Raul Jung-

mann deixou um legado importante

para o setor mineral brasileiro, com sua

capacidade de liderança, diálogo, visão

estratégica e compromisso com uma

mineração mais moderna, responsável

e alinhada às demandas da sociedade.

Dar continuidade a esse trabalho é um

compromisso que assumi com respei-

to à sua trajetória. O IBRAM seguirá

atuando para fortalecer a mineração

brasileira, promovendo uma atividade

cada vez mais segura, sustentável e

inovadora, além de reforçar seu papel

estratégico no desenvolvimento eco-

nômico e social do País.

M&S – Com experiência acadêmica

e profissional na área de políticas

o falecimento de Raul Jungmann, cuja

gestão deixou uma importante mar-

ca para a mineração nacional. Com

sólida formação acadêmica em Rela-

ções Internacionais e Ciência Política,

doutorado em Política Internacional e

Comparada pela Universidade de Bra-

sília e pós-doutorado pela Universi-

dade de São Paulo, Cesário construiu

uma trajetória dedicada ao estudo e à

prática das políticas públicas, da go-

vernança e das relações institucionais.

Antes de chegar ao IBRAM, presidiu

a Associação Brasileira das Compa-

nhias Abertas (ABRASCA), onde parti-

cipou ativamente dos debates sobre

mercado de capitais, ambiente regu-

latório, segurança jurídica e reforma

tributária. Também integrou a Confe-

deração Nacional da Indústria (CNI),

atuando na formulação de propostas

de políticas públicas e na interlocu-

ção entre o setor produtivo e o poder

público, experiência que consolidou

sua capacidade de construir consen-

sos e conduzir agendas complexas

em ambientes de elevada sensibili-

dade política e regulatória.

Nesta entrevista exclusiva à Revis-

ta Mineração & Sustentabilidade,

Pablo Cesário analisa os desafios

e as oportunidades da mineração

brasileira diante das novas políticas

públicas, da agenda dos minerais crí-

ticos e estratégicos, da inovação tec-

nológica e da sustentabilidade. Tam-

bém aborda o ambiente de negócios,

o interesse crescente de investidores

internacionais, o papel do IBRAM na

formulação de iniciativas para o se-

tor e as expectativas para a EXPOSI-

BRAM 2026. Confira!

públicas, como o Brasil pode pro-

mover e ampliar a atividade mine-

ral no cenário internacional?

PC – O Brasil reúne todas as condições

para ampliar seu protagonismo na mi-

neração mundial. Temos uma base ge-

ológica privilegiada, somos grandes

produtores de minerais estratégicos

e contamos com empresas reconheci-

das pela excelência operacional. Para

transformar esse potencial em mais

investimentos e competitividade, é

fundamental oferecer um ambiente

regulatório estável, segurança jurí-

dica, previsibilidade e agilidade no

licenciamento, sempre com responsa-

bilidade socioambiental.

Ao mesmo tempo, precisamos fortale-

cer a imagem da mineração brasileira

no exterior, mostrando que o País é

um fornecedor confiável de minerais

essenciais para a transição energé-

tica, a descarbonização e o desen-

volvimento de novas tecnologias. O

IBRAM atua justamente nesse sentido,

promovendo o diálogo com o poder

público, organismos internacionais e

investidores, além de incentivar a ino-

vação, a sustentabilidade e as melho-

res práticas de governança para tor-

nar o Setor cada vez mais competitivo

e atrativo no cenário global.

O IBRAM atua em agendas importan-

tes para o Brasil, promove articulação

com todos os entes públicos, priva-

dos e sociedade civil, isso é a cerne

da construção de políticas públicas,

vide os 50 anos que está celebrando

em 2026. Muito feliz de me juntar a

essa história e fazer parte da cons-

trução de temas importantes para a

mineração brasileira.

M&S – Qual a avaliação do Setor

para as políticas públicas que vêm

sendo anunciadas, como o PNM

2050? Possui incentivos e diretri-

zes suficientes para alavancar o

Setor? Como as empresas inter-

pretam na prática?

PC – O Plano Nacional de Mineração

2050 é um dos instrumentos de polí-

ticas públicas mais importantes para

o setor mineral. É a partir dele que são

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

15

ENTREVISTA

PABLO CESÁRIO

orientados planejamentos e ações ao

governo para induzir desenvolvimento,

atrair investimentos com incremento

e diversificação da produção mineral.

O IBRAM e as mineradoras associadas

também agem junto às lideranças do

Executivo e do Legislativo para inicia-

tivas complementares necessárias para

o desenvolvimento da mineração e das

cadeias industriais relacionadas. Como

instrumento de planejamento, o PNM

2050 lista incentivos e diretrizes sufi-

cientes para orientar ações de entes

públicos e privados.

Um exemplo que pode ser beneficiado

das diretrizes do PNM 2050 é a futura

Política Nacional de Minerais Críticos

e Estratégicos, agora em tramitação

no Senado Federal, a qual esperamos

ver aprovada para sanção presidencial

em agosto. Estamos bastante otimistas

para ela se concretizar antes do 1º tur-

no das eleições no Brasil.

M&S – E qual a visão com relação à

Política Nacional de Minerais Crí-

ticos e Estratégicos (PNMCE), re-

gida pelo PL 2780/2024, que vem

tramitando no Congresso Nacio-

nal? O IBRAM tem participado dos

debates? Qual a avaliação dessa

proposta?

PC – O PL 2.780/2024, aprovado pela

Câmara dos Deputados, é um avanço

para o protagonismo nacional. No en-

tanto, entendemos a necessidade de

alguns aperfeiçoamentos no Senado,

que deve focar na definição clara das

competências institucionais e ope-

racionais do Conselho Nacional para

Industrialização de Minerais Críticos e

Estratégicos (CIMCE).

O senador Wilder Morais, relator de

outro projeto sobre o mesmo tema, in-

corporou os avanços do PL 2780/2024

ao PL 4443/2025 e apresentou um

projeto substitutivo. Então, vemos

que o Senado está comprometido e

vem dialogando com diversos atores,

assim como a Câmara, com a aprova-

ção desta política nacional.

M&S – Existem outras contribui-

ções, em andamento, que podem

fomentar e promover o setor mine-

ral brasileiro?

PC – Além do PL de minerais críticos,

está em discussão no Senado o PL

699/2023 que trata do Programa de

Desenvolvimento da Indústria de Fer-

tilizantes (Profert) e foi recém-aprovada

a MP do Brasil Soberano. São medidas

que criam instrumentos de políticas pú-

blicas para fomento à atividade mine-

rária no Brasil. Temos dialogado de for-

ma construtiva com o Poder Executivo.

Apresentamos para o Ministério da Fa-

zenda a sugestão de criar mecanismos

de financiamento à exploração mineral

seguindo o modelo Canadense, o cha-

mado flow-through shares¸que conce-

de benefícios tributários a investidores

que financiam empresas dedicadas à

pesquisa mineral. Com a ApexBrasil fir-

mamos uma parceria para promoção de

empresas brasileiras no exterior, tanto

mineradoras quanto fornecedoras.

M&S – Como empresas internacio-

nais têm observado a mineração

brasileira quanto às oportunidades

e ao ambiente de negócios? Como

tem sido o interesse internacional?

PC – O IBRAM tem sido convidado

seguidamente por autoridades e em-

presários de diversos países em busca

de informações sobre os cenários da

mineração no País. É demonstração

direta de interesse em investir em

um país que tem um dos setores mi-

nerais mais pujantes e sólidos, boas

relações com todos os países e blocos

econômicos, tecnologias de ponta e

excelentes profissionais. Um parceiro

comercial confiável, portanto.

M&S – Na área da Sustentabilidade,

como o Setor vem tratando na prá-

tica as mudanças de paradigmas

para tornar a mineração mais sus-

tentável aos olhos da sociedade?

PC – O IBRAM e as mineradoras associa-

das estão à frente de estudos e práticas

A expectativa é que esta política ga-

ranta que as regras para a classificação

de substâncias como “críticas” ou “es-

tratégicas” sejam baseadas em crité-

rios objetivos e em estudos de oferta

e demanda global, realizados a cada

dois anos, para subsidiar a atualização

das listas, de forma a evitar incertezas

sobre a balança comercial. Lembrando

que a lista de classificação de substân-

cias será definida em regulamentação

posterior à aprovação de Lei e sancio-

nada pelo presidente da República.

O desafio atual não

está apenas no acesso

às tecnologias, mas

na capacidade de

incorporá-las de

forma estratégica aos

processos produtivos,

ampliando a

segurança, a

eficiência operacional

e a sustentabilidade

das atividades.

A segurança jurídica para investidores

e empreendedores depende de um

ambiente normativo que regulamen-

ta incentivos fiscais imediatos, como

o Regime Especial de Incentivos para

o Desenvolvimento da Infraestrutura

e a isenção de IR na fonte para tecno-

logias de transformação mineral, a fim

de que a atuação estatal atue como

fomento e não como barreira ao capi-

tal privado de longo prazo.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

16

que desenvolvem a sustentabilidade do

Setor. Temos grupos de trabalho, comi-

tês, compromissos e ações reportáveis

que comprovam este engajamento.

Assim, o Setor dialoga com a sociedade

para que ela conheça mais e melhor so-

bre a realidade dessa indústria.

M&S – A Inovação é o motor da mi-

neração do futuro. Como o Setor

vem trilhando este novo caminho

e como o IBRAM tem contribuído

para os avanços do setor mineral?

PC – A inovação é um dos principais

pilares da mineração do futuro, e o

Brasil já ocupa uma posição de desta-

que na adoção de novas tecnologias.

As grandes mineradoras brasileiras

operam com ferramentas avançadas

utilizadas globalmente, como drones,

inteligência artificial, automação e

gêmeos digitais. O desafio atual não

está apenas no acesso às tecnologias,

mas na capacidade de incorporá-las

de forma estratégica aos processos

produtivos, ampliando a segurança, a

eficiência operacional e a sustentabili-

dade das atividades.

O Setor vive um momento de maior ma-

turidade digital. O Mining Hub, iniciati-

va da qual o IBRAM é fundador institu-

cional e apoiador, tem papel essencial

nesse avanço ao estimular a inovação

aberta e a conexão entre mineradoras,

startups, empresas de tecnologia e es-

pecialistas. Ao longo de sete anos, o

ecossistema já reuniu 25 mineradoras

e trabalhou temas como digitalização,

inteligência artificial, segurança opera-

cional e gestão de dados. Essa atuação

contribui para acelerar soluções e com-

partilhar conhecimento, fortalecendo

uma mineração cada vez mais tecno-

lógica, segura, eficiente e responsável.

Divulgação | IBRAM

M&S – A EXPOSIBRAM, principal

evento do Setor na América Lati-

na, vem crescendo ano após ano.

Como o evento tem contribuído

para a evolução e expansão do Se-

tor no cenário nacional e global?

PC – A EXPOSIBRAM se consolidou

como muito mais do que uma feira

de negócios. Hoje, ela é um ambiente

estratégico de conexão entre empre-

sas, governos, investidores, academia

e sociedade, onde são apresentados

os principais avanços em tecnologia,

inovação, sustentabilidade e gestão

da mineração. É um espaço que for-

talece o diálogo, estimula a geração

de negócios e amplia o intercâmbio

de conhecimento entre os diferentes

atores da cadeia mineral.

O crescimento do evento acompanha

a evolução da própria mineração bra-

sileira e reforça o protagonismo do

País no cenário internacional. A cada

edição, a EXPOSIBRAM atrai mais em-

presas, especialistas e delegações es-

trangeiras, ampliando oportunidades

de investimentos, parcerias e coopera-

ção. Ao reunir os principais temas que

moldam o futuro da mineração, como

transição energética, minerais críticos,

descarbonização e transformação di-

gital, o evento contribui para posicio-

nar o Brasil como uma referência glo-

bal em uma mineração cada vez mais

inovadora, competitiva e responsável.

M&S – Quais as novidades e os

destaques do evento neste ano?

PC – A EXPOSIBRAM 2026 chega com

uma série de novidades que refletem

o momento de expansão da minera-

ção brasileira. Teremos a maior estru-

ENTREVISTA

PABLO CESÁRIO

tura da história do evento, com mais

de 17 mil metros quadrados de área

expositiva, mais de 750 estandes e

100% dos espaços comercializados.

Esses números mostram a confiança

das empresas no potencial da mi-

neração e na importância da EXPO-

SIBRAM como a principal vitrine de

negócios, inovação e tecnologia do

Setor na América Latina.

Além da feira e do Congresso Brasileiro

de Mineração, que reunirá especialis-

tas para debater temas como transição

energética, minerais críticos, descarbo-

nização e transformação digital, tere-

mos iniciativas que fortalecem a cone-

xão entre a mineração e a sociedade.

O Mineramundo já conta com mais

de 12 mil crianças inscritas e reforça

nosso compromisso com a educação

Divulgação | AngloGold

O crescimento

da EXPOSIBRAM

acompanha a

evolução da

própria mineração

brasileira e reforça

o protagonismo

do País no cenário

internacional.

mineral. As Rodadas de Negócios tam-

bém chegam fortalecidas, com mais

de 300 fornecedores inscritos para en-

contros com cerca de 15 mineradoras,

ampliando oportunidades comerciais

e estimulando o desenvolvimento de

toda a cadeia produtiva.

M&S – Em 2027, o evento volta ao

Pará, após uma excelente passa-

gem pela Bahia em 2025. Como o

IBRAM planeja a EXPOSIBRAM nos

próximos anos com a ampliação

das fronteiras minerais no País?

PC – A EXPOSIBRAM é um evento in-

ternacional, que acompanha a evolu-

ção da mineração brasileira e a dinâ-

mica do Setor em diferentes regiões

do País. Nossa estratégia é alternar

a realização do evento entre impor-

tantes pólos minerais, valorizando as

vocações regionais e aproximando a

indústria dos governos, da academia,

das comunidades e da sociedade.

Cada edição contribui para eviden-

ciar o potencial econômico, tecnoló-

gico e social da mineração em dife-

rentes estados.

O retorno ao Pará, em 2027, está ali-

nhado a essa visão. O estado ocupa

uma posição estratégica na minera-

ção brasileira e mundial, especial-

mente pela produção de minerais

essenciais para a transição energéti-

ca e o desenvolvimento industrial. O

objetivo do IBRAM é fazer da EXPOSI-

BRAM uma plataforma cada vez mais

conectada aos desafios e às oportu-

nidades do Setor, fortalecendo ne-

gócios, atraindo investimentos, pro-

movendo inovação e consolidando o

Brasil como uma referência global em

mineração sustentável.

Moisés Silva

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

18

Da Redação

MERCADO

BALANÇO

SETOR MINERAL CRESCE 8,2%

NO 1º SEMESTRE E MOVIMENTA

R$ 150,7 BILHÕES

A

mineração brasileira encer-

rou o primeiro semestre

de 2026 com desempenho

positivo, registrando crescimento da

receita, aumento das exportações e

maior arrecadação de tributos. Entre

janeiro e junho, o Setor movimentou

R$ 150,7 bilhões, valor 8,2% superior

ao registrado no mesmo período de

2025, quando o faturamento alcançou

R$ 139,2 bilhões. O resultado reforça a

importância da atividade mineral para

a economia nacional, mesmo em um

cenário de acomodação do mercado

internacional do minério de ferro.

Os dados divulgados pelo Instituto

Brasileiro de Mineração (IBRAM) mos-

tram que a perda de receita do mi-

nério de ferro foi compensada pelo

forte desempenho de metais estraté-

gicos, como ouro e cobre. O minério

de ferro continuou sendo a principal

commodity mineral do País, respon-

sável por 47,2% do faturamento da

indústria, mas sua receita caiu 3,1%,

passando de R$ 73,5 bilhões para

R$ 71,2 bilhões. Em contrapartida,

o ouro registrou faturamento de R$

25,3 bilhões, alta de 44,2%, enquanto

o cobre movimentou R$ 20,6 bilhões,

avanço de 41% sobre o primeiro se-

mestre do ano passado.

Segundo o IBRAM, o desempenho do

ouro acompanha a valorização inter-

nacional do metal diante das incer-

tezas econômicas globais, enquanto

o cobre continua impulsionado pela

demanda da transição energética, da

eletrificação, dos veículos elétricos e

da expansão da infraestrutura digital.

O levantamento mostra ainda que a

cotação média trimestral do ouro

avançou 52,9% em relação ao primei-

ro semestre de 2025.

Minas Gerais manteve a liderança

do faturamento nacional, concen-

trando R$ 57,6 bilhões, ou 38,2% do

total movimentado pela mineração

brasileira. Na sequência aparecem o

Pará, com R$ 52,2 bilhões (34,6%), e a

Bahia, responsável por R$ 7,5 bilhões,

cerca de 5% do faturamento do Setor.

No comércio exterior, a mineração

também ampliou sua contribuição

para a economia brasileira. As expor-

tações alcançaram 196,2 milhões de

toneladas, alta de 2,4%, e somaram

US$ 25,1 bilhões, crescimento de

24,1% em relação ao mesmo período

do ano anterior. O minério de ferro

respondeu por 53,6% das expor-

tações minerais, enquanto a China

permaneceu como principal destino

dos produtos brasileiros, absorvendo

70,1% das exportações em volume.

Com isso, a balança comercial mine-

ral registrou superávit de US$ 20,3 bi-

lhões, equivalente a 48% de todo o sal-

do comercial brasileiro no semestre.

A contribuição do Setor para os cofres

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

22

Investimentos de US$ 76,9 bilhões reforçam

aposta em minerais críticos até 2030

públicos também aumentou. Entre ja-

neiro e junho, a mineração recolheu

R$ 52 bilhões em impostos e tributos,

crescimento de 8,2% sobre igual pe-

ríodo de 2025. Já a arrecadação da

Compensação Financeira pela Explo-

ração de Recursos Minerais (CFEM)

totalizou R$ 3,8 bilhões, alta de 3,6%.

Minas Gerais respondeu por 44,4%

da CFEM arrecadada no País, segui-

do pelo Pará, com 39,2%, enquanto

o minério de ferro permaneceu como

principal fonte da compensação fi-

nanceira, representando 65,1% da ar-

recadação nacional.

O mercado de trabalho permaneceu

estável. Até maio, a mineração con-

tabilizava 229.614 empregos diretos,

com saldo positivo de 421 novas va-

gas geradas entre janeiro e maio des-

te ano, segundo dados do Novo Ca-

ged compilados pelo IBRAM.

O bom desempenho registrado no pri-

meiro semestre é acompanhado por

uma perspectiva de expansão dos in-

vestimentos na mineração brasileira.

O IBRAM revisou para US$ 76,9 bilhões

a estimativa de aportes no período de

2026 a 2030, um aumento de 12,5% em

relação à projeção anterior. Os recursos

serão destinados à expansão de minas,

modernização de plantas industriais,

infraestrutura logística, pesquisa mine-

ral, ganhos de eficiência operacional e

projetos voltados à sustentabilidade e

à redução das emissões de carbono.

Os minerais críticos concentram par-

cela crescente desses investimentos.

Segundo o levantamento, US$ 21,3 bi-

lhões serão direcionados à produção

de cobre, níquel, lítio, terras raras,

grafita, nióbio, vanádio, titânio, zinco

e bauxita — insumos considerados

estratégicos para baterias, veículos

elétricos, geração de energia renová-

vel, semicondutores e outras tecnolo-

gias ligadas à transição energética. O

montante representa crescimento de

15,2% em relação à estimativa anterior

para esse grupo de minerais.

Na avaliação do IBRAM, o novo ciclo de

investimentos acompanha o aumento

da demanda global por matérias-primas

estratégicas e poderá fortalecer a posi-

ção do Brasil nas cadeias internacionais

de fornecimento de minerais essenciais

para a descarbonização da economia e

o desenvolvimento tecnológico.

Fonte: Ibram

Saldo Balança

Mineral

US$ 20,3 bilhões

US$ 16,18 bilhões

1S26

1S25

Empregos

Arrecadação

de CFEM

R$ 3,8 bilhões

R$ 3,7 bilhões

1S26

1S25

Exportações de

minério de ferro*

US$ 13,43 bilhões

US$ 12,65 bilhões

1T26

1T25

Importações

minerais

US$ 4,8 bilhões

US$ 4,1 bilhões

1T26

1T25

Importações

de potássio

US$ 2,5 bilhões

US$ 2 bilhões

1T26

1T25

US$ 25,1 bilhões

US$ 20,2 bilhões

1T26

1T25

Exportações

minerais

Balanço mineração

brasileira - 1° SEMESTRE

Faturamento

do setor

R$ 150,7 bilhões

R$ 139,2 bilhões

1S26

1S25

8,2%

Recolhimento

de tributos

R$ 52 bilhões

R$ 48 bilhões

1S26

1S25

8,2%

5,2%

3,6%

25,36%

18,9%

24,8%

24,1%

+ 421 vagas

geradas de janeiro/26 a maio/26

229.614 empregos

diretos no setor

O setor contribuiu com 48% para o saldo

positivo da balança comercial brasileira no

período. A diferença entre as exportações e

importações foi de US$ 20,3 bilhões,

25,36% a mais que no 1S25.

MERCADO

BALANÇO

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

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é uma empresa especializa-

da em sondagem do solo, criada a

partir da união entre a MIP Enge-

nharia, referência em grandes pro-

jetos industriais no Brasil, e a Master

Drilling, líder global em perfuração

mecanizada.

A combinação da experiência da

MIP em engenharia, gestão e exe-

cução de empreendimentos de alta

complexidade com o know-how in-

ternacional da Master Drilling em

perfuração, inovação e sondagem

posiciona a MM Explorations como

uma empresa preparada para atuar

nos ambientes mais desafiadores,

oferecendo soluções técnicas de

alta performance para os setores de

mineração, infraestrutura e outros

segmentos estratégicos.

Mais do que realizar perfurações,

a MM Explorations transforma o

conhecimento do subsolo em infor-

mações essenciais para decisões se-

guras, precisas e eficientes. Com tec-

nologia de ponta, equipes altamente

qualificadas e uma atuação pautada

pela inovação, a empresa entrega da-

dos confiáveis que contribuem para

a redução de riscos, otimização de

recursos e maior assertividade em to-

das as etapas dos projetos.

Seu portfólio contempla soluções

completas em investigação do sub-

solo, incluindo sondagem rotoper-

cussiva em circulação reversa (RC),

sondagem diamantada, sondagem à

percussão e serviços de rebaixamento

de lençol freático (dewatering). Cada

método é aplicado de acordo com as

características do terreno e os objeti-

vos do empreendimento, asseguran-

do qualidade técnica, produtividade e

confiabilidade dos resultados.

No segmento de mineração, a MM

Explorations atende projetos de

minério de ferro, ouro, platina e ou-

tros minerais, apoiando desde cam-

panhas de exploração até operações

em áreas de alta complexidade.

Entre seus diferenciais estão a apli-

cação de engenharia e tecnologia

avançadas, a excelência técnica, a

inovação contínua, a atuação segura

e o compromisso permanente com

eficiência, qualidade e resultados.

A MM Explorations chega ao merca-

do com a missão de ampliar as possi-

bilidades da exploração do subsolo,

transformando desafios em oportuni-

dades e conhecimento em valor para

seus clientes. Uma empresa que nasce

da força de duas grandes referências

do setor para entregar soluções que

vão além da perfuração: entregam

confiança para construir o futuro.

INFORME

MM EXPLORATIONS

Danie Pretorius, chief executive officer e fundador

da Master Drilling, e Iomar Tavares da Cunha,

diretor-presidente da MIP Engenharia

MM Explorations:

engenharia, tecnologia

e precisão para revelar

o potencial do subsolo

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

26

ARTIGO

DIREITO

Advogado sócio de Cescon, Barrieu

Advogados. Reconhecido como um

dos mais importantes advogados

especializados em Mineração

no Brasil pela Chambers and

Partners, Legal 500, Latin Layer 250,

Leaders League, Who's Who Legal,

dentre outras, e autor de diversas

publicações sobre temas jurídicos

envolvendo a mineração

Marcelo Mendo

A

mineração constitui um dos

pilares da economia brasilei-

ra e desempenha papel es-

tratégico para o desenvolvimento do

País. A pesquisa e o aproveitamento

dos recursos minerais exigem atenção

permanente do Estado, especialmen-

te em um cenário de crescente de-

manda global por minerais e intensa

competição por investimentos. Nesse

contexto, fortalecer a segurança jurí-

dica, a governança e a confiança dos

investidores deixou de ser um diferen-

cial para se tornar uma necessidade. A

questão que se impõe é: o Brasil está

preparado para esse desafio?

O planejamento estatal assume papel

decisivo. O Conselho Nacional de Po-

lítica Mineral (CNPM) apresentou este

ano o Plano Nacional de Mineração

2025, concebido com base no sistema

de planejamento previsto no Decreto

nº 11.108/2022. A iniciativa é relevan-

te diante da atual geopolítica, uma vez

que a atividade mineral é considerada

essencial para a transição energética,

a segurança alimentar e o avanço tec-

nológico. Contudo, pairam dúvidas

quanto à efetiva implementação desse

planejamento e das medidas propos-

tas. Vale lembrar, ainda, que o ambien-

te regulatório brasileiro é, ao mesmo

tempo, um dos mais complexos do

mundo e um dos mais ativos em en-

forcement. É necessário efetivar esse

planejamento e implementar políticas

públicas voltadas ao fortalecimento da

mineração brasileira, capazes de atrair

os investimentos necessários ao de-

senvolvimento do setor.

Entretanto, a atratividade do ambien-

te de investimentos não depende

apenas da atuação estatal. Ela tam-

bém está diretamente relacionada ao

grau de integridade institucional e à

capacidade de prevenção de ilícitos

no setor mineral. As recentes opera-

ções deflagradas pela Polícia Federal

envolvendo agentes públicos e priva-

dos evidenciaram uma mudança de

paradigma: o enforcement deixou de

ser predominantemente administra-

tivo para integrar investigações cri-

minais, controle externo, ações civis e

medidas patrimoniais.

O calendário eleitoral de 2026 abre

outra janela de risco. A dependência

da mineração de decisões governa-

mentais — licenças, outorgas e reno-

vações — amplia as pressões sobre

empresas em anos eleitorais. Entre os

principais vetores de risco estão con-

tribuições indiretas a campanhas, uso

da estrutura corporativa em benefício

de candidatos e relacionamento irre-

gular com agentes públicos. Monito-

ramento permanente e registro das

interações com o poder público são

medidas indispensáveis.

Compliance, nesse contexto, não é

custo, mas condição de acesso. Fun-

dos de private equity, bancos multila-

terais e investidores com mandatos

ESG exigem programas de integrida-

de efetivos e auditáveis como pré-re-

quisito. A inexistência ou inefetivida-

de desses programas afeta o valuation

em operações de M&A, compromete

financiamentos e reduz a viabilidade

de saída. A responsabilização pode al-

cançar os próprios investidores quan-

do configurado controle de fato sobre

a empresa investida.

Se o Brasil pretende consolidar sua

posição como protagonista na pro-

dução mineral e aproveitar as opor-

tunidades abertas pela transição

energética, o fortalecimento da inte-

gridade nas esferas pública e privada

deixa de ser uma escolha. O com-

pliance passa a constituir requisito

indispensável para a atração de in-

vestimentos, para a segurança jurídi-

ca e para o desenvolvimento susten-

tável da mineração brasileira.

Mineração e

Compliance:

um caminho sem volta?

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

30

Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026

31