revistamineracao.com.br
Edição 65 . Ano 14
Julho e Agosto de 2026
Economia Circular
Transformando
desafios em
oportunidades
Eletrificação
Descarbonização
ao alcance de
todos
Entrevista
Pablo Cesário e o
papel central do
IBRAM para o Setor
Desenvolvimento sustentável e escuta ativa das comunidades fortalece vínculos
e dá perspectivas futuras ante a transitoriedade das atividades minerárias
LEGADO
DE LONGO PRAZO
Divulgação | Appian
CLIQUE
MATA
ATLÂNTICA
A Appian Capital Brazil,
por meio da Atlantic
Nickel, já revegetou 388,37
hectares de Mata Atlântica
no entorno de Ipiaú e
Itagibá, no Sul da Bahia,
área equivalente a cerca
de 543 campos de futebol.
A iniciativa contempla
a recuperação de Áreas
de Reserva Legal e de
Preservação Permanente,
além do monitoramento
da fauna e da flora. Nos
últimos quatro anos,
o viveiro de mudas da
companhia produziu mais
de 147 mil exemplares de
espécies nativas, destinadas
a ações de reflorestamento
e recuperação de
áreas degradadas.
Não são de responsabilidade
da revista os artigos de opinião e
conteúdos de informes publicitários.
Siga nossas redes sociais
Conselho editorial
Adriano Espeschit
Engenheiro de Minas
J. Mendo Consultoria
Marcelo Mendo de Souza
Advogado | Cescon, Barrieu,
Flesch & Barreto Advogados
Portal | Contato
www.revistamineracao.com.br
revista@revistamineracao.com.br
Razão Social:
Revista Mineração Ltda.
Rua Inspetor Jaime Caldeira, 1030
Brasileia . Betim (MG) . 32.600.286
+ 55 (31) 3544 . 0045
+ 55 (31) 98802 . 0070
Diretor-geral
Wilian Leles
MTB 12.808/MG
diretor@revistamineracao.com.br
Digital
Tamires Oliveira
Redação
Bianca Alves
Daniela Maciel
redacao@revistamineracao.com.br
Diagramação
& Layout
Mariana Aarestrup
Foto de capa
IA - Magnific.com
Anúncios | Comercial
+ 55 (31) 98802 . 0070
comercial@revistamineracao.com.br
Assinaturas
faleconosco@revistamineracao.com.br
Distribuição
Impressa: 14 mil exemplares para
16 estados brasileiros. Edição digital:
via e-mails, portal e redes sociais.
Circulação
Publicação dirigida aos setores mineral,
siderúrgico e energético, com foco
especial em mineradoras e siderúrgicas
de grande, médio e pequeno porte,
além de fornecedores, consultorias,
entidades, instituições acadêmicas,
governos e assinantes.
Expediente
Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
EDITORIAL
A mineração brasileira vive um mo-
mento em que não basta acompa-
nhar as transformações. É preciso
escolher o papel que o País pretende
desempenhar nelas.
O mundo está mudando — e essa
mudança recoloca a mineração no
centro das grandes decisões econô-
micas, tecnológicas e geopolíticas. A
transição energética, a eletrificação
da economia, a digitalização e a in-
teligência artificial têm algo em co-
mum: dependem de minerais. Muitos
deles estão no subsolo brasileiro.
O País não pode se limitar a ser um
grande exportador de matérias-primas.
A riqueza mineral precisa se transformar
em desenvolvimento, conhecimento,
inovação, empregos qualificados e ca-
deias produtivas capazes de agregar
valor. É nesse ponto que os minerais
críticos e estratégicos deixam de ser
apenas uma pauta do setor e passam a
representar uma questão de Estado.
Lítio, cobre, níquel, grafita, terras raras,
manganês, nióbio e outros minerais
estão relacionados à segurança ener-
gética, à competitividade industrial e
à soberania tecnológica. O Brasil tem
recursos e conhecimento para partici-
par dessa nova economia. O desafio é
transformar essas vantagens em estra-
tégia de longo prazo. E nenhuma estra-
tégia para a mineração brasileira pode-
rá prosperar sem sustentabilidade.
O tempo em que sustentabilidade
era tratada como um capítulo sepa-
rado dos projetos ficou para trás. Ela
precisa estar incorporada ao negó-
cio. Segurança de barragens, gestão
da água, redução das emissões, re-
cuperação de áreas, economia cir-
cular, reaproveitamento de rejeitos,
conservação da biodiversidade e
relacionamento responsável com as
comunidades são requisitos para a le-
gitimidade da atividade.
A mineração do futuro será mais efi-
ciente, segura, tecnológica e trans-
parente.
Automação,
inteligência
artificial, sensores, análise de dados,
equipamentos autônomos e novas
tecnologias de processamento já
transformam as operações. Inovação
deixou de ser promessa para se tornar
condição de competitividade. Tecno-
logia e sustentabilidade caminham
lado a lado: produzir melhor significa
consumir menos recursos, reduzir ris-
cos e aumentar a eficiência.
É nesse ambiente que a EXPOSIBRAM
2026 assume papel estratégico. Mais
do que uma vitrine de tecnologias, o
evento representa um espaço para dis-
cutir os caminhos de uma indústria em
transformação. Empresas, especialistas,
pesquisadores, fornecedores e poder
público estarão reunidos para debater
os desafios que determinarão a próxi-
ma década da mineração.
O Brasil precisa construir uma agenda
mineral de longo prazo, combinando
investimentos, infraestrutura, pesquisa,
inovação, agregação de valor e respon-
sabilidade socioambiental.A geologia
já colocou o Brasil na disputa pela mi-
neração do futuro. A verdadeira ques-
tão é: que tipo de mineração queremos
construir e quanto valor seremos capa-
zes de gerar a partir dela?
Como revista que acompanha e debate
essa indústria, a Mineração & Sustenta-
bilidade defende uma mineração eco-
nomicamente forte, ambientalmente
responsável, socialmente comprometi-
da e tecnologicamente preparada.
O Brasil tem os recursos, as empre-
sas, o conhecimento. Agora, precisa
ter estratégia — e coragem para co-
locá-la em prática.
Mineração brasileira:
o futuro exige estratégia,
sustentabilidade e coragem
Com mais de 20 anos de
experiência no jornalismo e
no mercado publicitário, é o
fundador e diretor-geral da
Revista Mineração & Susten-
tabilidade, no cenário nacional
desde 2011. Também é o
fundador e diretor da TV
Mineração, canal no Youtube
de conteúdos audiovisuais do
setor mineral e siderúrgico.
Wilian Leles
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
ENTREVISTA
Diretor-presidente do IBRAM analisa
ferramentas de indução da mineração brasileira
SUMÁRIO
revistamineracao.com.br
Julho e Agosto de 2026
Edição 65 . Ano 14
14
ESPECIAL
Como a agenda da sustentabilidade se tornou um verdadeiro ativo das
empresas do setor minerário?
41
8 Panorama
14 Entrevista
22 Mercado
26 Infome
30 Artigo
32 Sustentabilidade
40 Informe
41 Especial
42 a 56 Artigos
Divulgação | IBRAM
INOVAÇÃO
Descarbonização mais acessível marca
transformação tecnológica do Setor
SUSTENTABILIDADE
Restrições a novos recursos e pressão
ambiental levam empresas a reutilizar
60
32
Divulgação | U&M
Arquivo | Vale
Seções
Agenda de Eventos
CONGRESSO
Impulsionado pela transformação
regulatória, o Direito da Mineração
assume papel central no desenvol-
vimento. Em 2026, o IBRAM reunirá
líderes e especialistas para apro-
fundar o debate sobre os marcos
legais, os desafios regulatórios e as
tendências jurídicas que moldam
o futuro da mineração.
15 e 16 de setembro de 2026
Brasília (DF)
Informações: https://ibram.org.
br/eventos/
AGENDA
e-Digital
BRASMIN 2027
A feira reúne profissionais, empre-
sas e especialistas para apresentar
inovações tecnológicas, soluções
em equipamentos, produtos e
serviços direcionados à cadeia de
mineração. Também conta com
palestras e painéis que abordam
temas estratégicos e tendências
que impactam o setor mineral.
15 a 17 de junho de 2027
PUC - Goiânia (GO)
Informações: https://brasmin.
com.br//
EXPOSIBRAM 2026
Reconhecida como um dos even-
tos mais importantes do setor
mineral latino-americano, a Expo
& Congresso Brasileiro de Minera-
ção (EXPOSIBRAM) é promovida
anualmente pelo IBRAM e reúne
as principais instituições, empre-
sas e especialistas da mineração
nacional e internacional.
24 a 27 de agosto de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://exposi-
bram2026.ibram.org.br/
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
Ouro
PANORAMA
KINROSS
AMPLIA LUCRO EM 59%
Divulgação | Kinross
Divulgação | Gerdau
Siderurgia
GERDAU ACELERA INVESTIMENTOS
APÓS LUCRO DE R$ 1,5 BILHÃO
A Gerdau encerrou o segundo trimestre de 2026 com forte
desempenho, apoiado pela operação na América do Norte e
pela recuperação dos negócios no Brasil. Entre abril e junho,
a Companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão
e Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, com margem de 19,2%. A
receita líquida alcançou R$ 17,9 bilhões, enquanto as vendas
de aço somaram 2,9 milhões de toneladas.
O resultado reforça a estratégia da Siderúrgica de manter in-
vestimentos voltados à competitividade, eficiência operacio-
nal e expansão. Para 2026, a Gerdau prevê R$ 4,7 bilhões em
investimentos: R$ 2,9 bilhões destinados à manutenção dos
ativos estratégicos e R$ 1,8 bilhão a projetos de competitivi-
dade e crescimento.
Entre as iniciativas de destaque está o projeto de mineração em
Miguel Burnier, em Minas Gerais, voltado à integração da cadeia
produtiva e ao abastecimento de minério de ferro. A Empresa
avança em expansão e modernização de unidades no Brasil e na
América do Norte. O desempenho ocorre em um cenário desa-
fiador para a indústria do aço, marcado por pressão sobre custos,
concorrência internacional e oscilações na demanda.
A Kinross Gold fechou o segundo trimestre de 2026 com forte
avanço financeiro, impulsionado principalmente pela valorização
do ouro. A Mineradora registrou lucro líquido de US$ 844,2 mi-
lhões, alta de 59% em relação ao mesmo período de 2025. A re-
ceita alcançou US$ 2,238 bilhões, crescimento de 29%, enquanto
o fluxo de caixa operacional somou US$ 1,145 bilhão. A produção
totalizou 492.326 onças equivalentes de ouro no trimestre.
Mesmo com custos maiores, a margem por onça vendida
avançou 42%, para US$ 3.131. A Companhia manteve a pro-
jeção de produzir cerca de 2 milhões de onças em 2026, com
investimentos estimados em US$ 1,5 bilhão. No fim de junho, a
Kinross tinha US$ 2,7 bilhões em caixa equivalentes e US$ 1,9
bilhão em caixa líquido. A Empresa informou que já destinou
cerca de US$ 615 milhões aos acionistas no primeiro semestre,
entre recompra de ações e dividendos, reforçando a geração de
caixa e a solidez da Companhia.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
Ouro
JAGUAR MINING
PREPARA NOVA MINA
Divulgação | Jaguar Mining
A Jaguar Mining prepara a implantação de uma nova mina de
ouro em Onça de Pitangui, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O
Projeto Onças de Pitangui está na etapa final do licenciamento
ambiental para obtenção da Licença de Instalação e, segundo a
Companhia, a abertura deve ser iniciada em 2027. Considerado
estratégico para a expansão dos negócios, o empreendimento
deverá responder por cerca de 33% da produção da mineradora
quando atingir a capacidade planejada, além de apresentar po-
tencial de crescimento com a conversão de recursos em reservas.
A iniciativa integra o plano de investimentos da Jaguar, que
prevê aportes de US$ 170 milhões a US$ 190 milhões em Minas
Gerais até 2030. Os recursos serão destinados à expansão de
minas, estruturas para rejeitos e estéreis e exploração mineral.
A empresa mantém cerca de 46 mil hectares de direitos mine-
rários no Quadrilátero Ferrífero e planeja realizar 20 mil metros
de sondagem nos próximos cinco anos.
Estudo
PANORAMA
MINERAIS CRÍTICOS PODEM ADICIONAR
R$ 192 BILHÕES AO PIB ATÉ 2050, APONTA AMCHAM
Olharr
A expansão da cadeia de minerais críticos e terras raras pode
representar uma oportunidade estratégica para o desenvol-
vimento econômico e industrial do Brasil. Estudo inédito en-
comendado pela Amcham Brasil estima que o Setor poderá
adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e
gerar 750 mil novos empregos até 2050, caso o País avance
na atração de investimentos estrangeiros, no processamento
mineral e no uso desses insumos pela indústria nacional.
O levantamento compara dois cenários. No primeiro, os in-
vestimentos são financiados majoritariamente por capital do-
méstico e a produção permanece direcionada à exportação,
com baixa agregação de valor no Brasil. Nesse modelo, o im-
pacto acumulado sobre o PIB chega a R$ 128,7 bilhões, com
geração estimada de 304 mil empregos.
Já o segundo cenário considera maior participação do ca-
pital estrangeiro, expansão do processamento no País e
utilização crescente dos minerais pela indústria nacional.
Nessa hipótese, os investimentos crescem R$ 120,9 bilhões,
enquanto o impacto sobre o PIB alcança R$ 192,1 bilhões e a
geração de empregos chega a 750 mil.
A diferença entre os cenários evidencia o potencial da agre-
gação de valor. A maior atração de capital internacional e o
adensamento das cadeias produtivas podem acrescentar R$
63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias
e R$ 16,1 bilhões aos investimentos, além dos efeitos gerados
pela expansão da mineração.
Os impactos também ultrapassam os estados produtores.
Pará, Bahia, Goiás, Piauí e Minas Gerais apresentam os maiores
efeitos sobre o PIB. Ao mesmo tempo, Santa Catarina, Minas
Gerais, São Paulo e Paraná estão entre os estados que mais
se beneficiariam da ampliação do processamento doméstico.
Na indústria de transformação, o crescimento acumulado pro-
jetado chega a 1,8% no segundo cenário. Entre os segmentos
com maiores impactos estão máquinas e equipamentos elé-
tricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), auto-
móveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
Investimentos e política industrial
O estudo, elaborado por pesquisadores da UFMG e da UFJF,
considera cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras,
minerais essenciais para tecnologias como baterias, veículos
elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Para aproveitar esse potencial, a Amcham defende uma agenda
que inclui a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos
e Estratégicos, mecanismos de financiamento e mitigação de
riscos, atração de investimentos, incentivo ao processamento e
à industrialização e aperfeiçoamento do ambiente regulatório.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
10
Divulgação | ArcelorMittal
Siderurgia
ARCELORMITTAL
LUCRA US$ 683 MI NO 2T26
A ArcelorMittal encerrou o segundo trimestre de 2026 com
melhora nos principais indicadores operacionais e financeiros.
O lucro líquido alcançou US$ 683 milhões, alta de 19% em re-
lação ao primeiro trimestre. O EBITDA avançou 23%, para US$
2,064 bilhões, enquanto a receita chegou a US$ 16,8 bilhões,
crescimento de 8,4% no período. Na comparação anual, receita
e EBITDA cresceram 5% e 11%, respectivamente. A Companhia
embarcou 13,4 milhões de toneladas de aço no trimestre, alta
de 4,1%, e o preço médio de venda aumentou 4,4%.
No Brasil, a receita subiu 12,2%, para US$ 3,152 bilhões, e o EBI-
TDA avançou 20%, atingindo US$ 401 milhões. Os embarques
somaram 3,568 milhões de toneladas, enquanto a produção de
aço bruto alcançou 3,711 milhões de toneladas, alta de 5,6%. A
ArcelorMittal manteve a previsão de investir entre US$ 4,5 bi-
lhões e US$ 5 bilhões em 2026, incluindo projetos de expansão
e iniciativas voltadas à descarbonização.
EFICIÊNCIA | ROBUSTEZ | PERFORMANCE
ACESSE
NOSSO SITE
PELO QR CODE
EMPRESA
100%
NACIONAL
@gerafortegruposgeradores
geraforte@geraforte.com
www.geraforte.com
(31) 99308-0018
(31) 3396-9694
IMPULSIONANDO A
GERADORES GERAFORTE,
POTÊNCIA DE 40 A 10.000 KVA,
MINERAÇÃO
COM MOTORES SCANIA, VOLVO, CUMMINS E PERKINS,
E ALTERNADORES WEG.
ENTREVISTA
PABLO CESÁRIO
Divulgação | IBRAM
Diretor-presidente do IBRAM analisa políticas
públicas que podem catapultar o Brasil entre grandes
fornecedores mundiais de minerais críticos e estratégicos
Wilian Leles
Precisamos fortalecer a
imagem da mineração
brasileira no exterior
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
14
I
mpulsionada pela crescente de-
manda global por minerais críti-
cos, pela transição energética e
pela necessidade de conciliar compe-
titividade, inovação e sustentabilida-
de, a mineração brasileira se vê dian-
te de um horizonte de possibilidades
e desafios. Nesse cenário, o Instituto
Brasileiro de Mineração (IBRAM),
que celebra 50 anos de atuação em
2026, reforça seu papel como prin-
cipal articulador das pautas que en-
volvem o desenvolvimento do setor,
o diálogo com os poderes públicos e
a construção de políticas capazes de
fortalecer a posição do Brasil no mer-
cado internacional.
À frente da instituição está Pablo Ce-
sário, que assumiu a presidência do
IBRAM em um momento de grande
responsabilidade institucional, após
Mineração & Sustentabilidade –
Como foi assumir o IBRAM após a
comoção no falecimento de Raul
Jungmann, executivo e político que
abraçou o Setor e ajudou a fomen-
tar a mineração no País?
Pablo Cesário – Assumir a presidên-
cia do IBRAM após a partida de Raul
Jungmann foi um momento de grande
responsabilidade e emoção. Raul Jung-
mann deixou um legado importante
para o setor mineral brasileiro, com sua
capacidade de liderança, diálogo, visão
estratégica e compromisso com uma
mineração mais moderna, responsável
e alinhada às demandas da sociedade.
Dar continuidade a esse trabalho é um
compromisso que assumi com respei-
to à sua trajetória. O IBRAM seguirá
atuando para fortalecer a mineração
brasileira, promovendo uma atividade
cada vez mais segura, sustentável e
inovadora, além de reforçar seu papel
estratégico no desenvolvimento eco-
nômico e social do País.
M&S – Com experiência acadêmica
e profissional na área de políticas
o falecimento de Raul Jungmann, cuja
gestão deixou uma importante mar-
ca para a mineração nacional. Com
sólida formação acadêmica em Rela-
ções Internacionais e Ciência Política,
doutorado em Política Internacional e
Comparada pela Universidade de Bra-
sília e pós-doutorado pela Universi-
dade de São Paulo, Cesário construiu
uma trajetória dedicada ao estudo e à
prática das políticas públicas, da go-
vernança e das relações institucionais.
Antes de chegar ao IBRAM, presidiu
a Associação Brasileira das Compa-
nhias Abertas (ABRASCA), onde parti-
cipou ativamente dos debates sobre
mercado de capitais, ambiente regu-
latório, segurança jurídica e reforma
tributária. Também integrou a Confe-
deração Nacional da Indústria (CNI),
atuando na formulação de propostas
de políticas públicas e na interlocu-
ção entre o setor produtivo e o poder
público, experiência que consolidou
sua capacidade de construir consen-
sos e conduzir agendas complexas
em ambientes de elevada sensibili-
dade política e regulatória.
Nesta entrevista exclusiva à Revis-
ta Mineração & Sustentabilidade,
Pablo Cesário analisa os desafios
e as oportunidades da mineração
brasileira diante das novas políticas
públicas, da agenda dos minerais crí-
ticos e estratégicos, da inovação tec-
nológica e da sustentabilidade. Tam-
bém aborda o ambiente de negócios,
o interesse crescente de investidores
internacionais, o papel do IBRAM na
formulação de iniciativas para o se-
tor e as expectativas para a EXPOSI-
BRAM 2026. Confira!
públicas, como o Brasil pode pro-
mover e ampliar a atividade mine-
ral no cenário internacional?
PC – O Brasil reúne todas as condições
para ampliar seu protagonismo na mi-
neração mundial. Temos uma base ge-
ológica privilegiada, somos grandes
produtores de minerais estratégicos
e contamos com empresas reconheci-
das pela excelência operacional. Para
transformar esse potencial em mais
investimentos e competitividade, é
fundamental oferecer um ambiente
regulatório estável, segurança jurí-
dica, previsibilidade e agilidade no
licenciamento, sempre com responsa-
bilidade socioambiental.
Ao mesmo tempo, precisamos fortale-
cer a imagem da mineração brasileira
no exterior, mostrando que o País é
um fornecedor confiável de minerais
essenciais para a transição energé-
tica, a descarbonização e o desen-
volvimento de novas tecnologias. O
IBRAM atua justamente nesse sentido,
promovendo o diálogo com o poder
público, organismos internacionais e
investidores, além de incentivar a ino-
vação, a sustentabilidade e as melho-
res práticas de governança para tor-
nar o Setor cada vez mais competitivo
e atrativo no cenário global.
O IBRAM atua em agendas importan-
tes para o Brasil, promove articulação
com todos os entes públicos, priva-
dos e sociedade civil, isso é a cerne
da construção de políticas públicas,
vide os 50 anos que está celebrando
em 2026. Muito feliz de me juntar a
essa história e fazer parte da cons-
trução de temas importantes para a
mineração brasileira.
M&S – Qual a avaliação do Setor
para as políticas públicas que vêm
sendo anunciadas, como o PNM
2050? Possui incentivos e diretri-
zes suficientes para alavancar o
Setor? Como as empresas inter-
pretam na prática?
PC – O Plano Nacional de Mineração
2050 é um dos instrumentos de polí-
ticas públicas mais importantes para
o setor mineral. É a partir dele que são
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
15
ENTREVISTA
PABLO CESÁRIO
orientados planejamentos e ações ao
governo para induzir desenvolvimento,
atrair investimentos com incremento
e diversificação da produção mineral.
O IBRAM e as mineradoras associadas
também agem junto às lideranças do
Executivo e do Legislativo para inicia-
tivas complementares necessárias para
o desenvolvimento da mineração e das
cadeias industriais relacionadas. Como
instrumento de planejamento, o PNM
2050 lista incentivos e diretrizes sufi-
cientes para orientar ações de entes
públicos e privados.
Um exemplo que pode ser beneficiado
das diretrizes do PNM 2050 é a futura
Política Nacional de Minerais Críticos
e Estratégicos, agora em tramitação
no Senado Federal, a qual esperamos
ver aprovada para sanção presidencial
em agosto. Estamos bastante otimistas
para ela se concretizar antes do 1º tur-
no das eleições no Brasil.
M&S – E qual a visão com relação à
Política Nacional de Minerais Crí-
ticos e Estratégicos (PNMCE), re-
gida pelo PL 2780/2024, que vem
tramitando no Congresso Nacio-
nal? O IBRAM tem participado dos
debates? Qual a avaliação dessa
proposta?
PC – O PL 2.780/2024, aprovado pela
Câmara dos Deputados, é um avanço
para o protagonismo nacional. No en-
tanto, entendemos a necessidade de
alguns aperfeiçoamentos no Senado,
que deve focar na definição clara das
competências institucionais e ope-
racionais do Conselho Nacional para
Industrialização de Minerais Críticos e
Estratégicos (CIMCE).
O senador Wilder Morais, relator de
outro projeto sobre o mesmo tema, in-
corporou os avanços do PL 2780/2024
ao PL 4443/2025 e apresentou um
projeto substitutivo. Então, vemos
que o Senado está comprometido e
vem dialogando com diversos atores,
assim como a Câmara, com a aprova-
ção desta política nacional.
M&S – Existem outras contribui-
ções, em andamento, que podem
fomentar e promover o setor mine-
ral brasileiro?
PC – Além do PL de minerais críticos,
está em discussão no Senado o PL
699/2023 que trata do Programa de
Desenvolvimento da Indústria de Fer-
tilizantes (Profert) e foi recém-aprovada
a MP do Brasil Soberano. São medidas
que criam instrumentos de políticas pú-
blicas para fomento à atividade mine-
rária no Brasil. Temos dialogado de for-
ma construtiva com o Poder Executivo.
Apresentamos para o Ministério da Fa-
zenda a sugestão de criar mecanismos
de financiamento à exploração mineral
seguindo o modelo Canadense, o cha-
mado flow-through shares¸que conce-
de benefícios tributários a investidores
que financiam empresas dedicadas à
pesquisa mineral. Com a ApexBrasil fir-
mamos uma parceria para promoção de
empresas brasileiras no exterior, tanto
mineradoras quanto fornecedoras.
M&S – Como empresas internacio-
nais têm observado a mineração
brasileira quanto às oportunidades
e ao ambiente de negócios? Como
tem sido o interesse internacional?
PC – O IBRAM tem sido convidado
seguidamente por autoridades e em-
presários de diversos países em busca
de informações sobre os cenários da
mineração no País. É demonstração
direta de interesse em investir em
um país que tem um dos setores mi-
nerais mais pujantes e sólidos, boas
relações com todos os países e blocos
econômicos, tecnologias de ponta e
excelentes profissionais. Um parceiro
comercial confiável, portanto.
M&S – Na área da Sustentabilidade,
como o Setor vem tratando na prá-
tica as mudanças de paradigmas
para tornar a mineração mais sus-
tentável aos olhos da sociedade?
PC – O IBRAM e as mineradoras associa-
das estão à frente de estudos e práticas
A expectativa é que esta política ga-
ranta que as regras para a classificação
de substâncias como “críticas” ou “es-
tratégicas” sejam baseadas em crité-
rios objetivos e em estudos de oferta
e demanda global, realizados a cada
dois anos, para subsidiar a atualização
das listas, de forma a evitar incertezas
sobre a balança comercial. Lembrando
que a lista de classificação de substân-
cias será definida em regulamentação
posterior à aprovação de Lei e sancio-
nada pelo presidente da República.
O desafio atual não
está apenas no acesso
às tecnologias, mas
na capacidade de
incorporá-las de
forma estratégica aos
processos produtivos,
ampliando a
segurança, a
eficiência operacional
e a sustentabilidade
das atividades.
A segurança jurídica para investidores
e empreendedores depende de um
ambiente normativo que regulamen-
ta incentivos fiscais imediatos, como
o Regime Especial de Incentivos para
o Desenvolvimento da Infraestrutura
e a isenção de IR na fonte para tecno-
logias de transformação mineral, a fim
de que a atuação estatal atue como
fomento e não como barreira ao capi-
tal privado de longo prazo.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
16
que desenvolvem a sustentabilidade do
Setor. Temos grupos de trabalho, comi-
tês, compromissos e ações reportáveis
que comprovam este engajamento.
Assim, o Setor dialoga com a sociedade
para que ela conheça mais e melhor so-
bre a realidade dessa indústria.
M&S – A Inovação é o motor da mi-
neração do futuro. Como o Setor
vem trilhando este novo caminho
e como o IBRAM tem contribuído
para os avanços do setor mineral?
PC – A inovação é um dos principais
pilares da mineração do futuro, e o
Brasil já ocupa uma posição de desta-
que na adoção de novas tecnologias.
As grandes mineradoras brasileiras
operam com ferramentas avançadas
utilizadas globalmente, como drones,
inteligência artificial, automação e
gêmeos digitais. O desafio atual não
está apenas no acesso às tecnologias,
mas na capacidade de incorporá-las
de forma estratégica aos processos
produtivos, ampliando a segurança, a
eficiência operacional e a sustentabili-
dade das atividades.
O Setor vive um momento de maior ma-
turidade digital. O Mining Hub, iniciati-
va da qual o IBRAM é fundador institu-
cional e apoiador, tem papel essencial
nesse avanço ao estimular a inovação
aberta e a conexão entre mineradoras,
startups, empresas de tecnologia e es-
pecialistas. Ao longo de sete anos, o
ecossistema já reuniu 25 mineradoras
e trabalhou temas como digitalização,
inteligência artificial, segurança opera-
cional e gestão de dados. Essa atuação
contribui para acelerar soluções e com-
partilhar conhecimento, fortalecendo
uma mineração cada vez mais tecno-
lógica, segura, eficiente e responsável.
Divulgação | IBRAM
M&S – A EXPOSIBRAM, principal
evento do Setor na América Lati-
na, vem crescendo ano após ano.
Como o evento tem contribuído
para a evolução e expansão do Se-
tor no cenário nacional e global?
PC – A EXPOSIBRAM se consolidou
como muito mais do que uma feira
de negócios. Hoje, ela é um ambiente
estratégico de conexão entre empre-
sas, governos, investidores, academia
e sociedade, onde são apresentados
os principais avanços em tecnologia,
inovação, sustentabilidade e gestão
da mineração. É um espaço que for-
talece o diálogo, estimula a geração
de negócios e amplia o intercâmbio
de conhecimento entre os diferentes
atores da cadeia mineral.
O crescimento do evento acompanha
a evolução da própria mineração bra-
sileira e reforça o protagonismo do
País no cenário internacional. A cada
edição, a EXPOSIBRAM atrai mais em-
presas, especialistas e delegações es-
trangeiras, ampliando oportunidades
de investimentos, parcerias e coopera-
ção. Ao reunir os principais temas que
moldam o futuro da mineração, como
transição energética, minerais críticos,
descarbonização e transformação di-
gital, o evento contribui para posicio-
nar o Brasil como uma referência glo-
bal em uma mineração cada vez mais
inovadora, competitiva e responsável.
M&S – Quais as novidades e os
destaques do evento neste ano?
PC – A EXPOSIBRAM 2026 chega com
uma série de novidades que refletem
o momento de expansão da minera-
ção brasileira. Teremos a maior estru-
ENTREVISTA
PABLO CESÁRIO
tura da história do evento, com mais
de 17 mil metros quadrados de área
expositiva, mais de 750 estandes e
100% dos espaços comercializados.
Esses números mostram a confiança
das empresas no potencial da mi-
neração e na importância da EXPO-
SIBRAM como a principal vitrine de
negócios, inovação e tecnologia do
Setor na América Latina.
Além da feira e do Congresso Brasileiro
de Mineração, que reunirá especialis-
tas para debater temas como transição
energética, minerais críticos, descarbo-
nização e transformação digital, tere-
mos iniciativas que fortalecem a cone-
xão entre a mineração e a sociedade.
O Mineramundo já conta com mais
de 12 mil crianças inscritas e reforça
nosso compromisso com a educação
Divulgação | AngloGold
O crescimento
da EXPOSIBRAM
acompanha a
evolução da
própria mineração
brasileira e reforça
o protagonismo
do País no cenário
internacional.
mineral. As Rodadas de Negócios tam-
bém chegam fortalecidas, com mais
de 300 fornecedores inscritos para en-
contros com cerca de 15 mineradoras,
ampliando oportunidades comerciais
e estimulando o desenvolvimento de
toda a cadeia produtiva.
M&S – Em 2027, o evento volta ao
Pará, após uma excelente passa-
gem pela Bahia em 2025. Como o
IBRAM planeja a EXPOSIBRAM nos
próximos anos com a ampliação
das fronteiras minerais no País?
PC – A EXPOSIBRAM é um evento in-
ternacional, que acompanha a evolu-
ção da mineração brasileira e a dinâ-
mica do Setor em diferentes regiões
do País. Nossa estratégia é alternar
a realização do evento entre impor-
tantes pólos minerais, valorizando as
vocações regionais e aproximando a
indústria dos governos, da academia,
das comunidades e da sociedade.
Cada edição contribui para eviden-
ciar o potencial econômico, tecnoló-
gico e social da mineração em dife-
rentes estados.
O retorno ao Pará, em 2027, está ali-
nhado a essa visão. O estado ocupa
uma posição estratégica na minera-
ção brasileira e mundial, especial-
mente pela produção de minerais
essenciais para a transição energéti-
ca e o desenvolvimento industrial. O
objetivo do IBRAM é fazer da EXPOSI-
BRAM uma plataforma cada vez mais
conectada aos desafios e às oportu-
nidades do Setor, fortalecendo ne-
gócios, atraindo investimentos, pro-
movendo inovação e consolidando o
Brasil como uma referência global em
mineração sustentável.
Moisés Silva
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
18
Da Redação
MERCADO
BALANÇO
SETOR MINERAL CRESCE 8,2%
NO 1º SEMESTRE E MOVIMENTA
R$ 150,7 BILHÕES
A
mineração brasileira encer-
rou o primeiro semestre
de 2026 com desempenho
positivo, registrando crescimento da
receita, aumento das exportações e
maior arrecadação de tributos. Entre
janeiro e junho, o Setor movimentou
R$ 150,7 bilhões, valor 8,2% superior
ao registrado no mesmo período de
2025, quando o faturamento alcançou
R$ 139,2 bilhões. O resultado reforça a
importância da atividade mineral para
a economia nacional, mesmo em um
cenário de acomodação do mercado
internacional do minério de ferro.
Os dados divulgados pelo Instituto
Brasileiro de Mineração (IBRAM) mos-
tram que a perda de receita do mi-
nério de ferro foi compensada pelo
forte desempenho de metais estraté-
gicos, como ouro e cobre. O minério
de ferro continuou sendo a principal
commodity mineral do País, respon-
sável por 47,2% do faturamento da
indústria, mas sua receita caiu 3,1%,
passando de R$ 73,5 bilhões para
R$ 71,2 bilhões. Em contrapartida,
o ouro registrou faturamento de R$
25,3 bilhões, alta de 44,2%, enquanto
o cobre movimentou R$ 20,6 bilhões,
avanço de 41% sobre o primeiro se-
mestre do ano passado.
Segundo o IBRAM, o desempenho do
ouro acompanha a valorização inter-
nacional do metal diante das incer-
tezas econômicas globais, enquanto
o cobre continua impulsionado pela
demanda da transição energética, da
eletrificação, dos veículos elétricos e
da expansão da infraestrutura digital.
O levantamento mostra ainda que a
cotação média trimestral do ouro
avançou 52,9% em relação ao primei-
ro semestre de 2025.
Minas Gerais manteve a liderança
do faturamento nacional, concen-
trando R$ 57,6 bilhões, ou 38,2% do
total movimentado pela mineração
brasileira. Na sequência aparecem o
Pará, com R$ 52,2 bilhões (34,6%), e a
Bahia, responsável por R$ 7,5 bilhões,
cerca de 5% do faturamento do Setor.
No comércio exterior, a mineração
também ampliou sua contribuição
para a economia brasileira. As expor-
tações alcançaram 196,2 milhões de
toneladas, alta de 2,4%, e somaram
US$ 25,1 bilhões, crescimento de
24,1% em relação ao mesmo período
do ano anterior. O minério de ferro
respondeu por 53,6% das expor-
tações minerais, enquanto a China
permaneceu como principal destino
dos produtos brasileiros, absorvendo
70,1% das exportações em volume.
Com isso, a balança comercial mine-
ral registrou superávit de US$ 20,3 bi-
lhões, equivalente a 48% de todo o sal-
do comercial brasileiro no semestre.
A contribuição do Setor para os cofres
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
22
Investimentos de US$ 76,9 bilhões reforçam
aposta em minerais críticos até 2030
públicos também aumentou. Entre ja-
neiro e junho, a mineração recolheu
R$ 52 bilhões em impostos e tributos,
crescimento de 8,2% sobre igual pe-
ríodo de 2025. Já a arrecadação da
Compensação Financeira pela Explo-
ração de Recursos Minerais (CFEM)
totalizou R$ 3,8 bilhões, alta de 3,6%.
Minas Gerais respondeu por 44,4%
da CFEM arrecadada no País, segui-
do pelo Pará, com 39,2%, enquanto
o minério de ferro permaneceu como
principal fonte da compensação fi-
nanceira, representando 65,1% da ar-
recadação nacional.
O mercado de trabalho permaneceu
estável. Até maio, a mineração con-
tabilizava 229.614 empregos diretos,
com saldo positivo de 421 novas va-
gas geradas entre janeiro e maio des-
te ano, segundo dados do Novo Ca-
ged compilados pelo IBRAM.
O bom desempenho registrado no pri-
meiro semestre é acompanhado por
uma perspectiva de expansão dos in-
vestimentos na mineração brasileira.
O IBRAM revisou para US$ 76,9 bilhões
a estimativa de aportes no período de
2026 a 2030, um aumento de 12,5% em
relação à projeção anterior. Os recursos
serão destinados à expansão de minas,
modernização de plantas industriais,
infraestrutura logística, pesquisa mine-
ral, ganhos de eficiência operacional e
projetos voltados à sustentabilidade e
à redução das emissões de carbono.
Os minerais críticos concentram par-
cela crescente desses investimentos.
Segundo o levantamento, US$ 21,3 bi-
lhões serão direcionados à produção
de cobre, níquel, lítio, terras raras,
grafita, nióbio, vanádio, titânio, zinco
e bauxita — insumos considerados
estratégicos para baterias, veículos
elétricos, geração de energia renová-
vel, semicondutores e outras tecnolo-
gias ligadas à transição energética. O
montante representa crescimento de
15,2% em relação à estimativa anterior
para esse grupo de minerais.
Na avaliação do IBRAM, o novo ciclo de
investimentos acompanha o aumento
da demanda global por matérias-primas
estratégicas e poderá fortalecer a posi-
ção do Brasil nas cadeias internacionais
de fornecimento de minerais essenciais
para a descarbonização da economia e
o desenvolvimento tecnológico.
Fonte: Ibram
Saldo Balança
Mineral
US$ 20,3 bilhões
US$ 16,18 bilhões
1S26
1S25
Empregos
Arrecadação
de CFEM
R$ 3,8 bilhões
R$ 3,7 bilhões
1S26
1S25
Exportações de
minério de ferro*
US$ 13,43 bilhões
US$ 12,65 bilhões
1T26
1T25
Importações
minerais
US$ 4,8 bilhões
US$ 4,1 bilhões
1T26
1T25
Importações
de potássio
US$ 2,5 bilhões
US$ 2 bilhões
1T26
1T25
US$ 25,1 bilhões
US$ 20,2 bilhões
1T26
1T25
Exportações
minerais
Balanço mineração
brasileira - 1° SEMESTRE
Faturamento
do setor
R$ 150,7 bilhões
R$ 139,2 bilhões
1S26
1S25
8,2%
Recolhimento
de tributos
R$ 52 bilhões
R$ 48 bilhões
1S26
1S25
8,2%
5,2%
3,6%
25,36%
18,9%
24,8%
24,1%
+ 421 vagas
geradas de janeiro/26 a maio/26
229.614 empregos
diretos no setor
O setor contribuiu com 48% para o saldo
positivo da balança comercial brasileira no
período. A diferença entre as exportações e
importações foi de US$ 20,3 bilhões,
25,36% a mais que no 1S25.
MERCADO
BALANÇO
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
24
(31) 3522 4500 www.fornac.com.br
SOMOS ESPECIALISTAS EM:
Desde 1974 entregando
resistência, performance e
confi ança para o setor mineral.
FORNAC
Soluções em fundidos para
mineração
Alta resistência
ao desgaste
Engenharia
aplicada
Projetos
personalizados
Performance
comprovada
em campo
Solução em aço manganês
e ligas especiais
Telas metálicas DuraPro®
Placas de desgaste
Revestimentos de moinhos
Peças para britadores
O
nde poucos chegam, nós va-
mos além. A MM Explorations
é uma empresa especializa-
da em sondagem do solo, criada a
partir da união entre a MIP Enge-
nharia, referência em grandes pro-
jetos industriais no Brasil, e a Master
Drilling, líder global em perfuração
mecanizada.
A combinação da experiência da
MIP em engenharia, gestão e exe-
cução de empreendimentos de alta
complexidade com o know-how in-
ternacional da Master Drilling em
perfuração, inovação e sondagem
posiciona a MM Explorations como
uma empresa preparada para atuar
nos ambientes mais desafiadores,
oferecendo soluções técnicas de
alta performance para os setores de
mineração, infraestrutura e outros
segmentos estratégicos.
Mais do que realizar perfurações,
a MM Explorations transforma o
conhecimento do subsolo em infor-
mações essenciais para decisões se-
guras, precisas e eficientes. Com tec-
nologia de ponta, equipes altamente
qualificadas e uma atuação pautada
pela inovação, a empresa entrega da-
dos confiáveis que contribuem para
a redução de riscos, otimização de
recursos e maior assertividade em to-
das as etapas dos projetos.
Seu portfólio contempla soluções
completas em investigação do sub-
solo, incluindo sondagem rotoper-
cussiva em circulação reversa (RC),
sondagem diamantada, sondagem à
percussão e serviços de rebaixamento
de lençol freático (dewatering). Cada
método é aplicado de acordo com as
características do terreno e os objeti-
vos do empreendimento, asseguran-
do qualidade técnica, produtividade e
confiabilidade dos resultados.
No segmento de mineração, a MM
Explorations atende projetos de
minério de ferro, ouro, platina e ou-
tros minerais, apoiando desde cam-
panhas de exploração até operações
em áreas de alta complexidade.
Entre seus diferenciais estão a apli-
cação de engenharia e tecnologia
avançadas, a excelência técnica, a
inovação contínua, a atuação segura
e o compromisso permanente com
eficiência, qualidade e resultados.
A MM Explorations chega ao merca-
do com a missão de ampliar as possi-
bilidades da exploração do subsolo,
transformando desafios em oportuni-
dades e conhecimento em valor para
seus clientes. Uma empresa que nasce
da força de duas grandes referências
do setor para entregar soluções que
vão além da perfuração: entregam
confiança para construir o futuro.
INFORME
MM EXPLORATIONS
Danie Pretorius, chief executive officer e fundador
da Master Drilling, e Iomar Tavares da Cunha,
diretor-presidente da MIP Engenharia
MM Explorations:
engenharia, tecnologia
e precisão para revelar
o potencial do subsolo
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
26
ARTIGO
DIREITO
Advogado sócio de Cescon, Barrieu
Advogados. Reconhecido como um
dos mais importantes advogados
especializados em Mineração
no Brasil pela Chambers and
Partners, Legal 500, Latin Layer 250,
Leaders League, Who's Who Legal,
dentre outras, e autor de diversas
publicações sobre temas jurídicos
envolvendo a mineração
Marcelo Mendo
A
mineração constitui um dos
pilares da economia brasilei-
ra e desempenha papel es-
tratégico para o desenvolvimento do
País. A pesquisa e o aproveitamento
dos recursos minerais exigem atenção
permanente do Estado, especialmen-
te em um cenário de crescente de-
manda global por minerais e intensa
competição por investimentos. Nesse
contexto, fortalecer a segurança jurí-
dica, a governança e a confiança dos
investidores deixou de ser um diferen-
cial para se tornar uma necessidade. A
questão que se impõe é: o Brasil está
preparado para esse desafio?
O planejamento estatal assume papel
decisivo. O Conselho Nacional de Po-
lítica Mineral (CNPM) apresentou este
ano o Plano Nacional de Mineração
2025, concebido com base no sistema
de planejamento previsto no Decreto
nº 11.108/2022. A iniciativa é relevan-
te diante da atual geopolítica, uma vez
que a atividade mineral é considerada
essencial para a transição energética,
a segurança alimentar e o avanço tec-
nológico. Contudo, pairam dúvidas
quanto à efetiva implementação desse
planejamento e das medidas propos-
tas. Vale lembrar, ainda, que o ambien-
te regulatório brasileiro é, ao mesmo
tempo, um dos mais complexos do
mundo e um dos mais ativos em en-
forcement. É necessário efetivar esse
planejamento e implementar políticas
públicas voltadas ao fortalecimento da
mineração brasileira, capazes de atrair
os investimentos necessários ao de-
senvolvimento do setor.
Entretanto, a atratividade do ambien-
te de investimentos não depende
apenas da atuação estatal. Ela tam-
bém está diretamente relacionada ao
grau de integridade institucional e à
capacidade de prevenção de ilícitos
no setor mineral. As recentes opera-
ções deflagradas pela Polícia Federal
envolvendo agentes públicos e priva-
dos evidenciaram uma mudança de
paradigma: o enforcement deixou de
ser predominantemente administra-
tivo para integrar investigações cri-
minais, controle externo, ações civis e
medidas patrimoniais.
O calendário eleitoral de 2026 abre
outra janela de risco. A dependência
da mineração de decisões governa-
mentais — licenças, outorgas e reno-
vações — amplia as pressões sobre
empresas em anos eleitorais. Entre os
principais vetores de risco estão con-
tribuições indiretas a campanhas, uso
da estrutura corporativa em benefício
de candidatos e relacionamento irre-
gular com agentes públicos. Monito-
ramento permanente e registro das
interações com o poder público são
medidas indispensáveis.
Compliance, nesse contexto, não é
custo, mas condição de acesso. Fun-
dos de private equity, bancos multila-
terais e investidores com mandatos
ESG exigem programas de integrida-
de efetivos e auditáveis como pré-re-
quisito. A inexistência ou inefetivida-
de desses programas afeta o valuation
em operações de M&A, compromete
financiamentos e reduz a viabilidade
de saída. A responsabilização pode al-
cançar os próprios investidores quan-
do configurado controle de fato sobre
a empresa investida.
Se o Brasil pretende consolidar sua
posição como protagonista na pro-
dução mineral e aproveitar as opor-
tunidades abertas pela transição
energética, o fortalecimento da inte-
gridade nas esferas pública e privada
deixa de ser uma escolha. O com-
pliance passa a constituir requisito
indispensável para a atração de in-
vestimentos, para a segurança jurídi-
ca e para o desenvolvimento susten-
tável da mineração brasileira.
Mineração e
Compliance:
um caminho sem volta?
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
30
Revista Mineração & Sustentabilidade | Julho e Agosto de 2026
31