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REFLORESTAMENTO
Ações em prol
do resgate da
biodiversidade
REPARAÇÃO
Samarco amplia
ações de recuperação
na bacia do Rio Doce
MINING
INOVATION
SUMMIT
Inovação e tecnologia
com foco na mineração
Edição 64 . Ano 14
Maio e Junho de 2026
Mineradoras apostam em múltiplas ações ambientais
e investimentos robustos em tecnologia para reduzir impactos
PACTO PELA VIDA
e-Digital
Edição
Divulgação | Ibram
CLIQUE
LANÇAMENTO
EXPOSIBRAM 2027
O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)
realizou, em Belém (PA), o lançamento oficial
da EXPOSIBRAM 2027, uma das principais
feiras e congressos de mineração da América
Latina. O evento reuniu lideranças do setor
mineral, empresários e autoridades para
marcar o início dos preparativos da edição,
que está prevista para acontecer entre os
dias 20 e 23 de setembro de 2027, no Hangar
Centro de Convenções da Amazônia. Durante
a cerimônia, o diretor-presidente do IBRAM,
Pablo Cesário, destacou o avanço da
mineração no Pará e a relevância estratégica
do estado para o futuro da atividade
mineral no Brasil. Segundo ele, a feira será
uma vitrine para apresentar o potencial da
mineração brasileira na geração de riqueza,
inovação tecnológica, conhecimento e
desenvolvimento sustentável.
Não são de responsabilidade
da revista os artigos de opinião e
conteúdos de informes publicitários.
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siderúrgico e energético, com foco
especial em mineradoras e siderúrgicas
de grande, médio e pequeno porte,
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Digital
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Redação
Bianca Alves
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Diagramação
Mariana Aarestrup
Foto de capa
Divulgação
Anglo American
e-Digital
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
Por décadas, o debate sobre mineração e meio
ambiente foi tratado como um conflito inevitá-
vel. De um lado, a necessidade de explorar recur-
sos minerais indispensáveis ao desenvolvimento
econômico. Do outro, a preservação dos ecossis-
temas e a proteção das comunidades impacta-
das. Essa narrativa, embora compreensível dian-
te de episódios que marcaram negativamente a
história do Setor, já não traduz toda a complexi-
dade da mineração contemporânea.
O especial desta edição demonstra que a ativida-
de mineral vive um processo profundo de trans-
formação. A mineração continua sendo uma ati-
vidade de impacto. Negar essa realidade seria
um erro. Mas também seria equivocado ignorar
os avanços tecnológicos, regulatórios e opera-
cionais que vêm redefinindo a forma como os
recursos minerais são produzidos.
A crescente adoção do empilhamento a seco, a
ampliação dos índices de recirculação de água,
o uso de inteligência artificial para gestão am-
biental, a recuperação de áreas degradadas, a
proteção da biodiversidade e os investimentos
em energia limpa são exemplos concretos de
uma mudança que já está em curso. Mais do que
atender exigências legais, muitas empresas pas-
saram a compreender que sustentabilidade não
é um custo adicional, mas uma condição para a
própria continuidade dos negócios.
O cenário global reforça essa necessidade. A tran-
sição energética, a eletrificação da economia, a ex-
pansão da inteligência artificial e o avanço das tec-
nologias de baixo carbono exigirão volumes sem
precedentes de minerais críticos e estratégicos. Em
outras palavras, o mundo precisará de mais minera-
ção para construir uma economia mais sustentável.
Esse aparente paradoxo impõe uma enorme res-
ponsabilidade ao Setor. Não basta produzir mais.
É preciso produzir melhor. A sociedade espera
uma mineração capaz de reduzir emissões, prote-
ger recursos hídricos, preservar a biodiversidade,
recuperar áreas exploradas e gerar desenvolvi-
mento compartilhado nos territórios onde atua.
Os exemplos apresentados nas páginas seguin-
tes mostram que isso é possível. Projetos de con-
servação da fauna, reflorestamento, monitora-
mento ambiental em tempo real e reabilitação
de áreas mineradas revelam que crescimento
econômico e responsabilidade ambiental não
precisam caminhar em direções opostas.
Ainda há desafios significativos pela frente, mas
a mineração do futuro já começou. Boa leitura!
Fundador e diretor-geral da Revista Mineração
& Sustentabilidade e da TV Mineração.
WILIAN LELES
EDITORIAL
Wilian Leles
e-Digital
Avanços
significativos
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
Especial Meio Ambiente
As ações que provam ser possível
coexistência da mineração e meio ambiente
SUMÁRIO
revistamineracao.com.br
Maio e Junho de 2026
Edição 64 . Ano 14
20
Cultura de valor
Mining Inovation Summit 2026 debate perspectivas
tecnológicas para o Setor mineral
12
7 Panorama
10 Inovação
12 Tecnologia
18 Artigo
20 Especial
52 Artigo
Marcelo Coelho
Rio mais monitorado
Samarco apresenta resultados das ações
de reparo no Rio Doce após tragédia
Recursos Hídricos
Iniciativa inovadora permite melhor con-
trole da qualidade da água em operação
48
28
Divulgação | Samarco
Divulgação | Anglo American
Seções
Agenda de Eventos
AGENDA
e-Digital
CONGRESSO
Em setembro desde ano, o IBRAM
reunirá líderes, juristas e especia-
listas para aprofundar o debate
sobre os marcos legais, os desa-
fios regulatórios e as tendências
jurídicas que moldam o futuro da
mineração no Brasil e no mundo
no Congresso Internacional de
Direito Minerãrio 2026.
15 e 16 de setembro de 2026
Brasília (DF)
Informações: https://ibram.org.
br/eventos/
BOAS PRÁTICAS
Realizado bianualmente, desde
2012, o Prêmio é o reconheci-
mento e a valorização das em-
presas que se destacam por suas
práticas sustentáveis, inovado-
ras, socialmente responsáveis e
relacionadas à melhoria contínua
dos processos industriais no se-
tor da mineração.
20 de outubro de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://ibram.org.
br/eventos/
EXPOSIBRAM 2026
Reconhecida como um dos even-
tos mais importantes do setor
mineral latino-americano, a Expo
& Congresso Brasileiro de Minera-
ção (EXPOSIBRAM) é promovida
anualmente pelo IBRAM e reúne
as principais instituições, empre-
sas e especialistas da mineração
nacional e internacional.
24 a 27 de agosto de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://exposi-
bram2026.ibram.org.br/
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
Homenagem
ANGLO AMERICAN É
PREMIADA EM LONDRES
A Anglo American foi reconhecida como Persona-
lidade do Ano durante a 25ª edição do Personality
of the Year Awards, promovido pela Câmara Brasi-
leira de Comércio na Grã-Bretanha. A homenagem
destaca a atuação da companhia em mineração
sustentável e sua contribuição para o desenvolvi-
mento das comunidades onde opera, por meio da
geração de empregos, investimentos em educação
e iniciativas voltadas ao crescimento socioeconô-
mico. A solenidade foi realizada no dia 9, em Lon-
dres. Na ocasião, a presidente da Anglo American
no Brasil, Ana Sanches, representou a empresa.
Divulgação | Câmara de Comércio Brasileira na Grã-Bretanha
PANORAMA
e-Digital
VALE INVESTE R$ 200 MILHÕES EM USINA
MODELO COM IA E AUMENTA PRODUTIVIDADE EM 25%
PANORAMA
Raphael Portilho
A Vale inaugurou sua primeira Usina Modelo em
Automação e Inteligência Artificial (IA) na unidade
Conceição 2, do Complexo de Itabira (MG), conso-
lidando um importante avanço em sua estratégia
de transformação digital. Com investimento de
cerca de R$ 200 milhões, o projeto busca aumentar
a eficiência operacional, reforçar a segurança dos
trabalhadores e promover maior sustentabilidade
no beneficiamento de minério de ferro.
Desenvolvida em menos de dois anos, a iniciativa
já apresenta resultados significativos. Durante a
fase piloto, a unidade registrou aumento de 25%
na produtividade, além de ampliar sua capacida-
de operacional de 9 milhões para 11,2 milhões de
toneladas por ano. O projeto reúne tecnologias de
automação, inteligência artificial, análise de dados
em tempo real e monitoramento remoto para oti-
mizar o desempenho dos processos industriais.
A usina conta com mais de 7.300 instrumentos auto-
matizados e cerca de 100 câmeras de monitoramento.
Os sistemas acompanham e ajustam continuamente
mais de 400 variáveis operacionais, permitindo deci-
sões mais rápidas e maior controle sobre a produção.
e-Digital
Inovação
Segundo a empresa, a modernização contribui para
reduzir perdas, aumentar a estabilidade operacional
e melhorar a qualidade do produto final.
Outro destaque é o crescimento de 40% na produção
de pellet feed de redução direta, insumo utilizado na
fabricação de aço com menor emissão de carbono.
O resultado reforça o compromisso da companhia
com a descarbonização da cadeia siderúrgica e com
práticas alinhadas à mineração sustentável.
A Vale também destaca ganhos na área de segu-
rança, uma vez que a automação e o monitoramen-
to remoto reduzem a exposição dos trabalhadores
a ambientes operacionais de maior risco.
De acordo com o vice-presidente executivo de
Operações da Vale, Carlos Medeiros, a usina re-
presenta uma nova forma de operar, baseada na
integração entre tecnologia, inovação e conhe-
cimento técnico. A expectativa da companhia é
utilizar a experiência de Itabira como referência
para expandir soluções semelhantes a outras
operações, fortalecendo a competitividade e a
eficiência da mineração brasileira.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
VENDA DA BAMIN
ENTRA NA RETA FINAL
A venda da Bahia Mineração (Bamin) entrou na
fase final de negociações. Segundo informações
de mercado, a mineradora portuguesa Mota-Engil
desponta como favorita para assumir o controle da
empresa, atualmente pertencente ao grupo caza-
que Eurasian Resources Group (ERG). A transação
envolve não apenas a mina Pedra de Ferro, em Ca-
etité (BA), mas também ativos estratégicos de lo-
gística, como a Ferrovia de Integração Oeste-Les-
te (Fiol) e o Porto Sul, em Ilhéus. A conclusão do
negócio é vista como fundamental para destravar
investimentos bilionários e garantir a retomada das
obras de infraestrutura associadas ao projeto.
e-Digital
Negociação
Divulgação | Bamin
e-Digital
INOVAÇÃO
e-Digital
SUSTENTABILIDADE
IA ACELERA DESCOBERTA
DE NOVAS SOLUÇÕES PARA
EXTRAÇÃO DE COBRE
A
crescente demanda global por cobre, im-
pulsionada pela transição energética, pela
eletrificação da economia e pelos avanços
da inteligência artificial, está levando a indústria
mineral a buscar formas mais eficientes e susten-
táveis de produção. Nesse cenário, a BHP, maior
produtora de cobre do mundo, anunciou uma
parceria com a Microsoft e a Prescience Insilico
para acelerar a descoberta de novas soluções de
lixiviação, processo utilizado na extração do metal.
A lixiviação consiste na aplicação de soluções
químicas sobre rochas e minérios triturados para
dissolver e recuperar metais valiosos. Apesar de
amplamente empregada, a técnica ainda depen-
de de extensos testes laboratoriais, que podem
consumir anos até a identificação das melhores
alternativas para cada tipo de minério.
Para encurtar esse caminho, a BHP passou a utili-
zar o Microsoft Discovery, plataforma baseada na
infraestrutura de inteligência artificial do Azure. A
ferramenta combina computação de alto desem-
penho, modelos científicos avançados e agentes
de IA capazes de reproduzir etapas do método
científico, auxiliando na formulação de hipóteses,
análise de dados e realização de simulações.
Utilizando dados reais das operações da minera-
dora, a plataforma analisou mais de 500 mil mo-
léculas e executou dezenas de milhares de cálcu-
los e simulações de química quântica. O trabalho
permitiu reduzir um universo praticamente ilimi-
tado de possibilidades a um pequeno grupo de
compostos promissores, que agora seguem para
testes laboratoriais na Austrália.
Segundo a Microsoft, a iniciativa coloca a mi-
neração entre os setores que mais avançam na
aplicação de inteligência artificial para pesquisa
e desenvolvimento. Para a BHP, a tecnologia tem
potencial para acelerar descobertas que pode-
riam levar anos pelos métodos tradicionais.
Além dos ganhos em velocidade e eficiência, o
projeto busca benefícios ambientais, incluindo a
redução da toxicidade dos reagentes, menor im-
pacto sobre o meio ambiente e aumento das ta-
xas de recuperação do cobre, contribuindo para
uma mineração mais competitiva e sustentável.
Divulgação | BHP
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
10
MAPA DA
INOVAÇÃO
Evento debate inovação e tecnologia, pilares indispensáveis para o
fortalecimento da cultura de valor entre empresas do Setor minerário
e-Digital
TECNOLOGIA
MINING INNOVATION SUMMIT
Bianca Alves
Porto Filmes
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
12
Rafael Bittar,
vice-presidente Executivo Técnico da Vale
R
ealizado no dia 2 de junho na Sala Mi-
nas Gerais, em Belo Horizonte, o Mi-
ning Innovation Summit 2026 conso-
lidou-se como importante espaço de articulação
prática da mineração no País, reunindo lideran-
ças setoriais, startups, pesquisadores e investido-
res no debate do tema central “Inovação na velo-
cidade do valor”.
Promovido pelo Mining Hub, o Summit envolveu
centenas de participantes em um dia marcado
por debates de alto nível, agendas estratégicas e
conexões importantes. Estiveram na pauta temas
como transição energética, inteligência artificial,
sustentabilidade, gestão de rejeitos, financia-
mento verde e transformação digital, apontados
como fundamentais para a competitividade e o
futuro do setor mineral.
Na abertura dos debates, a presidente do Conse-
lho Diretor do IBRAM e CEO da Anglo American
Brasil, Ana Sanches, destacou que a inovação exi-
e-Digital
ge uma visão integrada dos desafios e oportunida-
des das empresas. Segundo ela, não basta possuir
bons ativos ou operar com eficiência. É necessário
compreender os riscos, as transformações do mer-
cado e os impactos externos para identificar opor-
tunidades e incorporar novas tecnologias.
O diretor de Assuntos Minerários do IBRAM, Julio
Nery, ressaltou que a mineração vive duas grandes
revoluções simultâneas: a mudança tecnológica
nos sistemas de disposição de rejeitos e a transi-
ção para uma economia de baixo carbono. Para
ele, esses movimentos aceleram a busca por solu-
ções inovadoras e tornam a inovação uma condi-
ção essencial para a sustentabilidade do setor.
O financiamento da inovação foi um dos temas re-
levantes do encontro. Chefe do Departamento de
Transição Climática do Banco Nacional de Desen-
volvimento Social (BNDES), Leonardo Pereira des-
tacou o papel da instituição na redução do custo
de capital e no incentivo a projetos inovadores.
A mineração do futuro, da qual
a gente já tem uma visão, vai
ser ainda mais automatizada
e tudo que a gente já faz hoje
acontecerá em uma escala ainda
maior, num volume maior de
dados, minas minimamente
invasivas e tecnologias que te
permitem ter zero rejeitos.
Porto Filmes
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
13
Segundo ele, o Brasil vive um momento favorá-
vel para atrair investimentos voltados à transição
ecológica, impulsionado por instrumentos como
o Fundo Clima, que ampliou significativamente
sua capacidade de financiamento.
Na mesma linha, o sócio da YVY Capital, Bruno
Laskowsky, observou que a inovação demanda
disposição para assumir riscos e que o financia-
mento de projetos sustentáveis tende a ser híbri-
do, combinando recursos privados, fundos públi-
cos, garantias de compra e fundos soberanos. “Os
créditos de carbono têm potencial para transfor-
mar a mineração”, disse.
O COO do grupo Anglo American, Ruben Fernan-
des, ressaltou a importância da construção de ecos-
sistemas de negócios para viabilizar projetos inova-
dores. Ele citou experiências envolvendo parcerias
estratégicas, como a estabelecida com a Mitsubish,
investimentos em energia solar e eólica e iniciativas
que reforçam o papel social da mineração no de-
senvolvimento dos territórios onde atua.
Outro destaque do evento foi o debate sobre fi-
nanças verdes (green finance) e mercado de car-
bono, ferramentas que já deixaram de ser apenas
instrumentos de reputação corporativa para se
tornarem ativos econômicos e diferenciais com-
petitivos. Além de mitigar riscos climáticos, eles
podem facilitar o acesso a financiamentos e ge-
rar valor para as empresas.
A necessidade de segurança jurídica e redução do
custo de capital também apareceu como um dos
principais fatores para ampliar investimentos no se-
tor. “O capital segue a credibilidade”, resumiu Ruben
Fernandes, ao defender regras estáveis e previsibili-
dade regulatória para criar confiança e relevância e,
consequentemente, atrair investidores.
No painel dedicado à pesquisa avançada e apli-
cada, especialistas discutiram como transformar
conhecimento científico em soluções concretas
para a indústria mineral. Bianca Brandizzi, da Wor-
ley, lembrou que inovar implica lidar com incer-
tezas e assumir riscos, mas destacou que a busca
por soluções de impacto e regeneração ambiental
tem se tornado cada vez mais estratégica.
A inteligência artificial ocupou espaço de desta-
que nas discussões. A executiva do Google e ex-
-funcionária da Rio Tinto, Karin Breitman, afirmou
que a mineração já utiliza IA há cerca de duas dé-
cadas, mas que os avanços dos últimos três anos
transformaram radicalmente seu potencial. Entre
os exemplos apresentados, está o uso da inteli-
gência artificial para gerar e classificar ideias de
e-Digital
TECNOLOGIA
MINING INNOVATION SUMMIT
Porto Filmes
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
14
e-Digital
reaproveitamento de rejeitos. Em um dos casos, a
tecnologia avaliou dezenas de propostas e apon-
tou aplicações promissoras como cerâmicas espe-
ciais e materiais produzidos a partir da combina-
ção de resíduos minerais com bagaço de cana.
Segundo ela, a IA deve assumir tarefas repetitivas
e de processamento de dados, enquanto os seres
humanos permanecem responsáveis pelas conclu-
sões e desdobramentos do projeto. “Quando você
traz os humanos para a sala, você já traz as ideias.
Para eles, fica o que fazem de melhor: pensamento
crítico e tomada de decisões”, afirmou Karin, para
quem a evolução da automação também permitirá
que robôs atuem com maior autonomia, adaptan-
do planos e respondendo a situações imprevistas.
O tema da inovação baseada em ciência ganhou
força no painel mediado por Bruno Pimentel, da
Samarco. A pesquisadora Elsa Olivetti, do Mas-
sachusetts Institute of Technology (MIT), des-
tacou que o futuro da mineração depende da
capacidade do setor de atrair talentos capazes
de reinventar a indústria.
Exemplo emblemático foi apresentado pelo
CEO da CBMM, Ricardo Lima. Ele relembrou
a trajetória da empresa na criação do merca-
do global de nióbio. Há sete décadas, o mine-
ral tinha poucas aplicações conhecidas. Hoje,
o ferro-nióbio é utilizado mundialmente para
aumentar a resistência dos aços, reduzindo con-
sumo de energia e emissões de carbono.
Lima destacou, ainda, o desenvolvimento de
novas aplicações para o óxido de nióbio, in-
cluindo baterias de lítio de carregamento ul-
trarrápido, produzidas em parceria com fa-
bricantes japoneses, além de usos em lentes
ópticas, fertilizantes e outras tecnologias emer-
gentes. Atualmente, a companhia investe cerca
de US$ 300 milhões por ano em pesquisa e de-
senvolvimento com o objetivo de ampliar con-
tinuamente o mercado global do mineral. “O
nióbio pode substituir outros elementos com
vantagens como menos energia e menos emis-
são de CO2. Setenta anos depois, continuamos
criando mercado”, revelou Lima.
A mineração ajudou a construir
o mundo moderno e continuará
desempenhando um papel central
nesse processo. O desafio agora
é garantir que ela avance com a
mesma capacidade de execução,
colaboração e velocidade
que o contexto atual exige.
Leandro Rossi,
diretor-executivo do Mining Hub
Porto Filmes
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
15
O painel sobre Liderança e Alta Performance reuniu
executivos com trajetórias ligadas à transformação
organizacional e liderança em ambientes de grande
pressão. Um dos painelistas, Hugo Daibert, treinou
atletas que alcançaram finais dos quatro torneios
de Grand Slam do tênis, trazendo para a mineração
conceitos como disciplina, preparação mental, ges-
tão de equipes e busca por excelência.
A presença do vice-presidente executivo técni-
co da Vale, Rafael Bittar, e do presidente da Azul
Linhas Aéreas, Abhi Shah, apontou para uma
troca de experiências entre mineração, aviação,
tecnologia financeira e esporte de alta perfor-
mance, alinhada à proposta do Summit de bus-
car aprendizados fora da mineração para acele-
rar a inovação no setor.
Bittar afirmou que a tecnologia em mineração
anda a passos largos. “Quando a gente olha o
que tem de tecnologia hoje, comparado com
o que havia há cinco anos, nós podemos ver
que ela avançou absurdamente. Eu diria que a
gente andou cinquenta anos em cinco. Hoje, a
autonomia, uma tecnologia já consagrada em
mineração, em todos os níveis, uso de inteli-
gência artificial, vários projetos de eficiência em
mineração, sensoriamento de ativos ajudando
a reduzir paradas de equipamentos, centros de
monitoramento de barragens”, apontou o exe-
cutivo da Vale.
“A mineração do futuro, da qual a gente já tem
uma visão, vai ser ainda mais automatizada e
tudo que a gente já faz hoje acontecerá em uma
escala ainda maior, num volume maior de dados,
minas minimamente invasivas e tecnologias que
te permitem ter zero rejeitos. Essa vai ser a mine-
ração do futuro”, completou.
Ao longo do evento, uma mensagem se repe-
tiu entre os participantes: a inovação deixou de
ser uma opção para se tornar uma necessidade
estratégica. Seja por meio da transição energé-
tica, da economia de baixo carbono ou da trans-
formação científica em novos negócios, o futuro
da mineração passa pela capacidade de inovar.
E, principalmente, de criar soluções capazes de
responder aos desafios ambientais, econômicos
e sociais do nosso tempo, como define o diretor-
-executivo do Mining Hub, Leandro Rossi.
“Hoje se fala demais em terras raras, em minerais
críticos. O negócio terras raras é um negócio mui-
to pequeno, mas o valor que ele impacta numa
cadeia expandida é muito grande. E é uma ca-
deia que produz o que a gente quer, que é o car-
ro elétrico, a energia eólica, a própria inteligência
artificial, ou seja, uma vida mais limpa, mais se-
gura, mais sustentável”, informou Rossi.
“Nós, do setor de mineração, sabemos da es-
sencialidade que ela tem, mas só agora o mun-
do, o cidadão comum está vendo. A mineração
ajudou a construir o mundo moderno e conti-
nuará desempenhando um papel central nes-
se processo. O desafio agora é garantir que ela
avance com a mesma capacidade de execu-
ção, colaboração e velocidade que o contexto
atual exige”, completa.
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TECNOLOGIA
MINING INNOVATION SUMMIT
Porto Filmes
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
16
e-Digital
INTELIGÊNCIA COLETIVA EM AÇÃO
Um dos destaques do evento foi a realização
de uma Dinâmica de Inteligência Coletiva fo-
cada em mapear para onde está caminhando
a inovação aberta no setor de mineração e
como garantir a geração de valor real através
da implementação de iniciativas. O objetivo foi
aproveitar a alta liderança, incluindo diretores
e executivos C-Level que representam o setor,
para fazer uma rápida reflexão prática e desco-
brir as chaves para tirar os projetos da fase de
piloto e levá-los para a escala industrial.
A dinâmica foi coordenada com o suporte es-
tratégico das consultorias parceiras Accentu-
re e EY, sendo dividida em duas abordagens
integradas: uma qualitativa, focada em de-
bates rápidos e objetivos sobre tendências e
ações práticas conduzidos em grupos de dis-
cussão, e outra quantitativa, que coletou da-
dos de percepção da plateia através do apli-
cativo oficial do evento.
O resultado gerado por essa inteligência co-
letiva será transformado em um Whitepaper
de orientação para o setor. O documento ser-
virá como um guia estratégico para acelerar
a adoção de soluções, reduzir o tempo de
aprendizado, compartilhar riscos e aumentar
a velocidade com que as respostas chegam às
operações de campo.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
17
A Câmara dos Deputados aprovou, em 6 de
maio de 2026, o Projeto de Lei nº 2.780/2024,
que institui a Política Nacional de Minerais Crí-
ticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho
Nacional para Industrialização de Minerais Crí-
ticos e Estratégicos (CIMCE). A proposta segue
para apreciação do Senado Federal.
O PL surge em um contexto de crescente de-
manda global por minerais críticos e estratégi-
cos. Nesse cenário, o Brasil se destaca por deter
entre 15% e 25% das reservas mundiais de ter-
ras raras, segundo a CPRM.
Entre as principais inovações do PL está a criação
do CIMCE, vinculado à Presidência da República.
Em conjunto com a ANM, o órgão passará a ho-
mologar alterações de controle societário de
titulares de direitos minerários, contratos in-
ternacionais com potencial impacto à seguran-
ça geopolítica nacional e o compartilhamento
de informações geológicas estratégicas, hipó-
teses que atualmente não dependem de ho-
mologação governamental específica.
É justamente nesse ponto que reside uma das
principais tensões do projeto. A legislação mi-
neral já conta com um robusto arcabouço re-
gulatório, cabe questionar se a criação de no-
vas instâncias de controle e homologação é
necessária ou se poderá resultar em maior bu-
rocratização e afastar investimentos no setor.
A questão é particularmente relevante nas alte-
rações indiretas de controle societário de titula-
res de direitos minerários associados a minerais
críticos e estratégicos. Atualmente, o art. 81 do
ARTIGO
DIREITO
MINERAIS CRÍTICOS:
SEGURANÇA JURÍDICA
E COMPETITIVIDADE
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
18
Código de Mineração exige homologação da
ANM apenas para a cessão do título minerário,
submetendo as demais reorganizações societá-
rias ao mero dever de comunicação.
Vale lembrar que esse dispositivo está alinhado
ao fato da União deter a propriedade dos recur-
sos minerais e, por isso, há a exigência de autori-
zação federal para seu aproveitamento. Se o PL
não for alterado nesse ponto, poderá afastar a
atratividade de investimentos e colocará em ris-
co a oportunidade do País se consolidar como
fornecedor confiável desses minerais.
Portanto, entendo que essa possível “interven-
ção” estatal nos negócios relacionados aos ati-
vos minerais em foco não é positiva, mesmo
porque a segurança jurídica da União decorre
de sua soberania nacional, que já está garanti-
da constitucionalmente no art. 176.
Por outro lado, o projeto prevê importantes
mecanismos de incentivo. O Fundo Garantidor
da Atividade Mineral oferecerá garantias a em-
preendimentos voltados à produção de mine-
rais críticos e estratégicos, com participação da
União de até R$ 2 bilhões.
Além disso, o Programa Federal de Beneficia-
mento e Transformação de Minerais Críticos
e Estratégicos prevê crédito fiscal de até 20%
dos gastos com beneficiamento, transforma-
ção mineral e mineração urbana, limitado a
R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. O texto
também estende ao setor o regime das debên-
tures incentivadas para empresas com fatura-
mento anual de até R$ 5 bilhões.
Como requisito para acesso a esses instru-
mentos de fomento, o PL institui o Cadastro
Nacional de Projetos de Minerais Críticos ou
Estratégicos, no qual deverão ser registrados
os projetos implementados no Brasil. Os bene-
fícios previstos na proposta somente poderão
ser usufruídos por projetos cadastrados e pre-
viamente habilitados pelo CIMCE.
Caso aprovado pelo Senado e sancionado, o
PL nº 2.780/2024 poderá representar um mar-
co para a política mineral brasileira, combi-
nando incentivos econômicos e a inserção do
País nas cadeias globais de suprimento. Sua
efetividade, contudo, dependerá do equilí-
brio entre os objetivos de controle estatal e
a manutenção de um ambiente regulatório
atrativo para os investimentos.
Advogado sócio de Cescon, Barrieu Advo-
gados. Reconhecido como um dos mais
importantes advogados especializados em
Mineração no Brasil pela Chambers and
Partners, Legal 500, Latin Layer 250, Leaders
League, Who's Who Legal, dentre outras, e
autor de diversas publicações sobre temas
jurídicos envolvendo a mineração
Marcelo Mendo
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
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e-Digital
MINERAÇÃO:
ENTRE IMPACTOS E AVANÇOS
NA PROTEÇÃO DA NATUREZA
ESPECIAL
MEIO AMBIENTE
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
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A
mineração é uma atividade com grande
potencial poluidor. Os impactos podem
se estender da pesquisa à exaustão de
uma mina, afetando a biodiversidade como um
todo. No entanto, quando a atividade é desen-
volvida com planejamento e consciência am-
biental, é possível minimizar impactos de forma
considerável. A dicotomia “exploração versus
meio ambiente”, que sugere apenas um caminho
possível, vem sendo superada diante de esforços
empreendidos pelo Setor no sentido de viabili-
zar uma relação mais harmônica com os recursos
naturais e a sociedade em si.
O Criadouro Conservacionista foi precursor na in-
tegração entre conservação ambiental, pesquisa
científica e educação ambiental. É, hoje, uma das
mais longevas iniciativas privadas de proteção da
fauna silvestre no Brasil. Ao longo de sua trajetó-
ria, tornou-se referência em conservação da bio-
diversidade, atuando na reabilitação, manejo e
reprodução de espécies nativas. Hoje, o criadouro
ocupa uma área de aproximadamente 60 mil me-
tros quadrados, com quase 50 recintos adaptados.
“Todos os impactos podem ser minimizados ou
até mesmo extintos, dependendo das tecno-
logias utilizadas na extração e beneficiamento
do minério, e todos são passíveis de monito-
ramento e controle”, garante a engenheira de
minas, doutora em Tecnologia da Mineração e
professora emérita da Escola de Engenharia da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
Maria José Gazzi Salum.
A reutilização e redução do uso de recursos hí-
dricos e a minimização da geração de resíduos
estão entre as principais ações das empresas mi-
neradoras. Em muitas operações, mais de 80%
da água utilizada no beneficiamento é reapro-
veitada em circuito fechado, diminuindo a cap-
tação em rios e aquíferos.
Redação: Bianca Alves
ESPECIAL MEIO AMBIENTE
Ricardo Teles
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
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Também cresce a adoção do empilhamento
a seco dos rejeitos, método que elimina a
necessidade de barragens e aumenta a se-
gurança ambiental. Segundo o vice-presi-
dente executivo técnico da Vale, Rafael Bit-
tar, isso muda o próprio conceito da minera-
ção como uma indústria geradora de grande
volume de resíduos. “A partir do investimen-
to em tecnologia e inovação, acreditamos
que a mineração do futuro será zero resíduo.
Haverá um reaproveitamento total: seja de
minérios com teores mais baixos e desen-
volvimento de novos produtos ou a partir de
tecnologias que possibilitem a recuperação
de metais e geração de menos resíduo”, pre-
vê o executivo.
e-Digital
A recuperação de áreas degradadas tornou-se ou-
tra frente importante. Em várias regiões do País,
áreas anteriormente exploradas vêm sendo reflo-
restadas com espécies nativas e transformadas
em corredores ecológicos, contribuindo para a re-
composição da biodiversidade. Como consequên-
cia direta da recuperação dos ambientes naturais,
a fauna se beneficia. Diversos empreendimentos
mantêm programas de monitoramento de espé-
cies ameaçadas, resgate de animais durante as
fases de implantação e projetos de conservação
em parceria com universidades e instituições am-
bientais. Algumas mineradoras destinam recursos
para a criação e manutenção de reservas particu-
lares do patrimônio natural e para pesquisas vol-
tadas à preservação dos ecossistemas locais.
Todos os impactos podem ser
minimizados ou até mesmo
extintos, dependendo das
tecnologias utilizadas na extração
e beneficiamento do minério
Maria José Gazzi Salum,
doutora em Tecnologia da Mineração e professora
emérita da Escola de Engenharia da UFMG
>>> AVANÇOS SIGNIFICATIVOS
Desde 1986, com o surgimento da 1ª Resolução
do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CO-
NAMA), a Resolução 01/86, a mineração é con-
siderada uma atividade modificadora do meio
ambiente e, como tal, seu exercício depende da
aprovação pelo órgão ambiental competente.
“O Brasil possui uma das legislações mais con-
sistentes do mundo e, dificilmente, a conces-
são de uma licença para uma mina operar vem
sem condicionantes, além daquelas obriga-
ções legais”, aponta Maria José.
Arquivo Pessoal
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
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“O fato é que, independentemente do porte dos
empreendimentos de mineração, do bem ou
bens minerais produzidos e da região de sua in-
serção, elas estarão sempre sujeitas ao licencia-
mento ambiental e às compensações ambientais.
Apenas o processo de licenciamento em si será
diferenciado, podendo ser mais complexo ou
mais simplificado, bem como as compensações
ambientais inerentes a ele”, explica a professora.
Um dos maiores desafios impostos à mineração
nos nossos dias é a geração de resíduos. O bene-
ficiamento mineral produz grandes volumes de
rejeitos que precisam ser armazenados de forma
segura. Os rompimentos das barragens de rejei-
tos em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em
2019, evidenciaram os riscos ambientais e hu-
manos associados à gestão inadequada dessas
estruturas. Além da perda de vidas, os desastres
causaram contaminação de cursos d'água, des-
truição de ecossistemas e impactos duradouros
sobre a fauna, a flora e as comunidades atingidas.
Paralelamente, o setor mineral tem
registrado avanços significativos na
adoção de práticas ambientais
mais rigorosas. O geógrafo e
professor Jackson Cleiton Fer-
reira Campos sublinha, antes
de tudo, que a mineração tem
um processo intrínseco para o
seu desenvolvimento: “às vezes
ela vai precisar tirar pessoas do
lugar, às vezes vai comprome-
ter cursos d'água, isso é singu-
lar à mineração”, exemplifica.
“Logo, a mineração tem que aplicar
políticas e cuidados que tentem minimizar
estes impactos para lidar com o cenário que
se impõe para o seu desenvolvimento. Este
processo de transição energética, de busca por
minerais críticos, por exemplo, vai demandar um
impulso no desenvolvimento da atividade e, mais
do que nunca, é necessário esse cuidado. Esse
equilíbrio é o que a gente espera”, afirma Campos,
que é sócio-fundador da Amplo Engenharia, espe-
cializada em estudos e licenciamento ambiental.
Para o professor, a mineração tem como avaliar
objetivamente de que maneira vai caminhar,
considerando as práticas já incorporadas às
suas rotinas, que levam em conta as necessida-
des de preservação do território em que vive-
mos. “Você tem hoje técnica de processamento
que reduz o uso de água, a eliminação das bar-
ragens de rejeito, a purificação do minério não
faz mais uso abundante de água, os recortes
das cavas são mais enxutos, há maior precisão
no acompanhamento das estruturas portadoras
de risco geotécnico e o controle de efluentes
de toda a natureza é mais rigoroso. Além disso,
algumas operações de mina já têm a produção
de água de rebaixamento destinada ao abaste-
cimento público, as operações são orientadas
para a neutralização de emissões de gases de
efeito estufa e o dimensionamento das ações
do controle ambiental já leva em consideração
os eventos extremos que têm ocorrido com as
mudanças climáticas”, aponta o professor.
Assim, a mineração permanece sendo uma ativi-
dade de grande impacto ambiental, mas também
um setor que vem incorporando novas tecnolo-
gias, exigências regulatórias e compromissos de
sustentabilidade. Nas próximas páginas, o leitor
encontra alguns exemplos do esforço das em-
presas do Setor em equilibrar a demanda por
recursos minerais com a conservação dos ecos-
sistemas, de maneira que o desenvolvimento
econômico ocorra de forma compatível com a
proteção da natureza e da biodiversidade.
e-Digital
ESPECIAL
MEIO AMBIENTE
Revista Mineração & Sustentabilidade | Maio e Junho de 2026
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fur
mais
sustentável.
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