Revista Mineração | Edição 63

Março e Abril de 2026

revistamineracao.com.br

Edição 63 . Ano 14

Março e Abril de 2026

Mercado

Desempenho do

Setor segue crescendo

no primeiro trimestre

Entrevista

Luís Otávio Lima

e o protagonismo

da AngloGold Ashanti

Especial

Sistemas autônomos e remotos elevam atividade minerária

a um patamar nunca antes alcançado, marcado por eficiência e segurança

MINERAÇÃO

QUE SE TRANSFORMA

Divulgação | Ibram

CLIQUE

DIVERSIBRAM

2026

Na edição deste ano,

lideranças do setor mineral

reforçaram seu compromisso

com a agenda ESG ao

assinarem uma carta voltada

à Diversidade, Equidade e

Inclusão (DE&I). O encontro

consolidou avanços

estratégicos, com metas

monitoradas e engajamento

direto de executivos,

impulsionando mudanças

culturais e fortalecendo a

competitividade e a inovação

na mineração brasileira.

Na foto, Ana Sanches, CEO

da Anglo American Brasil

e presidente do Conselho

do Ibram, e Pablo Cesário,

diretor-presidente do Ibram,

além de diversos executivos

e executivas do setor.

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da revista os artigos de opinião e

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Publicação dirigida aos setores mineral,

siderúrgico e energético, com foco

especial em mineradoras e siderúrgicas

de grande, médio e pequeno porte,

além de fornecedores, consultorias,

entidades, instituições acadêmicas,

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Expediente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

EDITORIAL

A mineração mundial atravessa um

momento de inflexão. E se engana

quem pensa se tratar de uma sim-

ples modernização de processos. Se

antes a mineração era compreendida

como uma atividade essencialmen-

te extrativa, hoje se consolida como

um ecossistema complexo, intensivo

em tecnologia, orientado por dados

e sustentado por decisões cada vez

mais estratégicas, nas quais eficiên-

cia, segurança e previsibilidade se

tornam elementos cruciais.

Nesta edição da Revista Mineração &

Sustentabilidade, o(a) leitor(a) é con-

duzido(a) por esse cenário de trans-

formação. O especial “Autônomos

e Remotos” reúne reportagens que

evidenciam como a incorporação de

sistemas inteligentes, automação e

centros de operação remota vem re-

definindo a lógica produtiva do setor.

A operação, antes baseada predomi-

nantemente na presença física e na

experiência empírica, passa a se apoiar

em monitoramento em tempo real,

análise massiva de dados e modelos

preditivos capazes de antecipar falhas,

otimizar processos e ampliar a seguran-

ça. Consolida-se, assim, um ambiente

híbrido, no qual o digital não apenas

apoia, mas orienta decisões críticas e

reposiciona o papel das equipes.

Esse movimento, contudo, não se

dá sem tensões. A busca por maior

produtividade, controle e integração

convive com desafios regulatórios,

limitações estruturais e, sobretudo,

com a necessidade de adaptação hu-

mana. A transformação digital exige

investimentos consistentes, mas tam-

bém impõe uma revisão profunda de

competências, cultura organizacional

e modelos de gestão. A formação de

profissionais aptos a atuar em am-

bientes altamente tecnológicos surge

como um dos pontos sensíveis desse

processo, ao lado da necessidade de

integrar inovação a práticas respon-

sáveis e sustentáveis.

Conectada ao Especial, a entrevis-

ta com o presidente da AngloGold

Ashanti na América Latina, Luís Otá-

vio Lima, detalha e analisa o desem-

penho e os desafios da Companhia,

uma das expoentes na lavra e be-

neficiamento de ouro no mundo. O

executivo destaca a disciplina ope-

racional como base para resultados

consistentes, aliada à incorporação

contínua de tecnologias que ampliam

a eficiência e qualificam a tomada de

decisão. Ele evidencia, ainda, que a

digitalização precisa estar integrada

a uma visão de longo prazo, na qual

tecnologia e capital humano atuam

de forma complementar.

A edição 63 da Revista Mineração &

Sustentabilidade revela uma minera-

ção mais conectada, inteligente e ine-

vitavelmente mais complexa. Mais do

que registrar mudanças, as páginas

que seguem propõem interpretar tais

mudanças, indicando que o verdadei-

ro desafio está em compreendê-las

em sua totalidade — técnica, eco-

nômica e humana — como condição

para construir um setor mais eficien-

te, integrado e equilibrado diante das

transformações em curso.

Conexão e

autonomia

Com mais de 20 anos de

experiência no jornalismo e

no mercado publicitário, é o

fundador e diretor-geral da

Revista Mineração & Susten-

tabilidade, no cenário nacional

desde 2011. Também é o

fundador e diretor da TV

Mineração, canal no Youtube

de conteúdos audiovisuais do

setor mineral e siderúrgico.

Wilian Leles

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

XII SIMEXMIN

O Simpósio Brasileiro de Explora-

ção Mineral é um evento técnico-

-científico, considerado um fórum

relevante para o desenvolvimento

da pesquisa mineral do Brasil. O SI-

MEXMIN tem como meta reunir a

comunidade de pesquisa mineral

em nível nacional e internacional

para debater temas do setor.

17 a 20 de maio de 2026

Ouro Preto (MG)

Informações: https://simexmin.

org.br/2026/

ESPECIAL

Sistemas autônomos e remotos elevam

atividade minerária a um patamar nunca antes alcançado

SUMÁRIO

revistamineracao.com.br

Março e Abril de 2026

Edição 63 . Ano 14

18

BALANÇO 1T26

Números do primeiro trimestre de 2026 confirmam

a tendência de crescimento do setor mineral brasileiro

16

7 Panorama

10 Entrevista

16 Mercado

18 Especial

24 Especial

30 Especial

38 Especial

42 Especial

41, 45, 49, 50 Artigos

Freepik

PRECISÃO E AUTONOMIA

Operações fundamentais contam

com soluções automatizadas

BALÉ DOS GIGANTES

Fora de estrada vem revolucionando a

logística das operações

28

24

Divulgação | Enaex

Gustavo Andrade | Vale

Seções

Agenda de Eventos

TAILINGS 2026

O evento discutirá a importância

das estruturas de disposição de

rejeitos, destacando a evolução

dos processos, licenciamento e

dos requisitos técnicos voltados

ao aumento da segurança, além

de fortalecer a integração entre

profissionais e especialistas en-

volvidos nos setores relacionados.

26 e 27 de maio de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://ibram.org.

br/eventos/

AGENDA

e-Digital

EXPOSIBRAM 2026

Reconhecida como um dos even-

tos mais importantes do setor

mineral latino-americano, a Expo

& Congresso Brasileiro de Minera-

ção (EXPOSIBRAM) é promovida

anualmente pelo IBRAM e reúne

as principais instituições, empre-

sas e especialistas da mineração

nacional e internacional.

24 a 27 de agosto de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://exposi-

bram2026.ibram.org.br/

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

PANORAMA

Ouro

JAGUAR AMPLIA

RESERVAS EM 49% NA MINA PILAR

Léo Lopes

A Jaguar Mining anunciou um aumento significativo de 49% nas re-

servas minerais da Mina Pilar, localizada em Santa Bárbara (MG). O

avanço eleva o total de reservas para cerca de 286 mil onças de ouro,

um aumento líquido de 94 mil onças nas Reservas Minerais Provadas

e Prováveis, em comparação com as 192 mil onças anteriormente

relatadas. O crescimento nas estimativas é considerado expressivo e

contribui diretamente para a extensão da vida útil da Mina Pilar, um

dos principais ativos da empresa no Brasil. A companhia destacou

que os resultados refletem investimentos contínuos em perfuração

e modelagem geológica, além da melhoria na compreensão dos cor-

pos mineralizados da região.

VALE ANUNCIA PRIMEIRO NAVIO

TRANSOCEÂNICO MOVIDO A ETANOL

A Vale fez um acordo inédito com a Shandong Shipping Corporation para o afretamento de navios Guaibamax movidos

a etanol, com início das operações previsto para 2029. A iniciativa representa um marco global: será a primeira vez que

uma embarcação transoceânica utilizará o etanol como combustível principal no transporte marítimo de minério de ferro.

O projeto integra a estratégia da Mineradora de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo de sua cadeia

logística. De acordo com a Empresa, o uso do etanol pode diminuir em até 90% as emissões de carbono em comparação ao

óleo combustível pesado, tradicionalmente utilizado no setor. O contrato firmado entre as companhias prevê a construção

de dois navios, com acordos de afretamento de 25 anos e possibilidade de expansão da frota. As embarcações serão da se-

gunda geração Guaibamax, com cerca de 340 metros de comprimento e capacidade para transportar até 325 mil toneladas.

Logística

ANGLOGOLD TESTA

PRIMEIRA AUTOBETONEIRA ELÉTRICA

Equipamento

A AngloGold Ashanti iniciou a operação da primeira autobetoneira

elétrica do Brasil em mineração subterrânea. O equipamento começou

a ser testado na Mina Cuiabá, localizada em Sabará (MG), e faz parte da

estratégia da Companhia para avançar em descarbonização e inovação

tecnológica. Desenvolvida pela Normet, a autobetoneira passará por

um período de testes de 18 meses. A iniciativa busca aliar ganhos ope-

racionais à melhoria das condições de trabalho no subsolo, com foco

em saúde, segurança e sustentabilidade. Um dos principais diferenciais

do equipamento é a eliminação de emissões de gases durante a ope-

ração, o que contribui diretamente para a qualidade do ar nas galerias

subterrâneas. Sem a presença de fumaça, há redução da sensação tér-

mica e menor necessidade de ventilação forçada.

Divulgação | AngloGold

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

Minério de ferro

VALE APOSTA

NA MINERAÇÃO CIRCULAR

Fernando Piancastelli | Vale

A Vale anunciou um novo avanço em sua estratégia de susten-

tabilidade com a implantação de um projeto de mineração cir-

cular na mina de Gongo Soco, localizada em Barão de Cocais

(MG). A iniciativa prevê o reaproveitamento de rejeitos de uma

operação paralisada desde 2016, com potencial de produzir

cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O projeto integra o programa Waste to Value, voltado à trans-

formação de rejeitos e estéreis em novos produtos, reduzindo

resíduos e ampliando a eficiência no uso de recursos minerais.

A planta será instalada na área da antiga usina de Gongo Soco,

priorizando a movimentação interna de materiais e reduzindo

impactos logísticos. O escoamento da produção será feito por

meio da Estrada de Ferro Vitória a Minas. A Vale projeta que, até

2030, cerca de 10% de sua produção anual de minério de ferro

seja proveniente de fontes circulares. A ação reforça o protago-

nismo de Minas Gerais como polo de mineração circular no País.

ENTREVISTA

LUÍS OTÁVIO LIMA

Cassia Cinque

Liderança que

impulsiona a

nova mineração

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

10

A

grandes profundidades, onde

tecnologia, segurança e preci-

são são determinantes, a lide-

rança na mineração deixou de ser ape-

nas operacional para assumir papel

estratégico. Na AngloGold Ashanti

esse movimento é evidente, especial-

mente no Brasil. Na mina Cuiabá, em

Minas Gerais, que já ultrapassa 1.600

metros de profundidade, os desa-

fios exigem decisões e investimentos

orientados por tecnologia e inovação.

É nesse ambiente que atua o presi-

dente da AngloGold Ashanti Latam,

Luís Otávio de Lima. Com uma tra-

jetória construída ao longo de quase

sete anos na empresa — incluindo a

Mineração & Sustentabilidade – O

senhor assumiu a presidência da

AngloGold Ashanti na América

Latina há cerca de 10 meses, após

uma trajetória de quase sete anos

na Companhia. Como tem sido

este desafio e quais as suas prio-

ridades estratégicas?

Luís Otávio Lima – Assumir a li-

derança da AngloGold Ashanti na

América Latina tem sido uma ex-

periência desafiadora e, ao mesmo

tempo, muito motivadora. Ao longo

dos últimos anos na Companhia, es-

pecialmente à frente da Operação

Cuiabá, tive a oportunidade de co-

nhecer profundamente o negócio,

as pessoas e os territórios onde atu-

amos, o que tem sido fundamental

neste novo momento.

Valquiria Lopes

Presidente da AngloGold Ashanti na América Latina,

Luís Otávio Lima explica como a filosofia da empresa

tem refletido em resultados concretos, que vão

além da performance operacional

liderança da própria operação Cuiabá

—, o executivo detalha, em entrevis-

ta exclusiva à Revista Mineração &

Sustentabilidade, os planos, resulta-

dos e desafios da Companhia.

À frente da operação latino-america-

na há cerca de 10 meses, Lima lidera

uma região estratégica para o Grupo,

que figura entre os maiores produto-

res de ouro do mundo.

Em um cenário marcado por incerte-

zas econômicas e tensões geopolíti-

cas, a AngloGold Ashanti tem atu-

ado para sustentar a produção com

disciplina financeira. Nesse contexto,

a estratégia tem sido equilibrar disci-

plina de capital, eficiência operacio-

nal e captura de oportunidades. No

Brasil, esse direcionamento se traduz

em investimentos contínuos em se-

gurança, inovação e modernização

das operações, com destaque para

o avanço de tecnologias como ope-

rações remotas, automação e uso de

dados em tempo real.

Como as operações minerárias não

estão dissociadas das estratégias de

sustentabilidade, Lima frisa a busca

da Companhia em consolidar um

modelo de mineração responsável,

capaz de gerar valor no longo pra-

zo e impacto positivo nos territórios

onde atua. Confira!

Meu estilo de liderança é baseado

em proximidade, escuta ativa e to-

mada de decisão orientada por da-

dos e propósito. Acredito em uma

gestão que valoriza as pessoas, pro-

move um ambiente seguro e inclusi-

vo e estimula a inovação como ala-

vanca para resultados sustentáveis.

A mineração subterrânea é uma ati-

vidade naturalmente desafiadora do

ponto de vista operacional e de cus-

tos. Trata-se de um ambiente com-

plexo, que exige alto investimento

em segurança, tecnologia, energia e

manutenção de equipamentos.

A América Latina é hoje uma re-

gião estratégica para o grupo, não

apenas pela sua contribuição em

produção, mas principalmente pela

sua capacidade de geração de valor.

Temos operações de classe mundial,

com alto nível técnico, e um time ex-

tremamente qualificado, o que nos

permite avançar com consistência

em eficiência operacional e susten-

tabilidade.

Entre os principais desafios, desta-

co a necessidade de continuar am-

pliando a competitividade dos ati-

vos, especialmente em um contexto

de maior profundidade das minas, o

que exige ganhos contínuos em tec-

nologia, produtividade e gestão de

custos. Além disso, seguimos aten-

tos à agenda ESG, que é central para

o futuro da mineração, com foco em

descarbonização, segurança opera-

cional e fortalecimento do relacio-

namento com as comunidades.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

11

ENTREVISTA

HENRIQUE CARBALLAL

Mais do que resultados operacionais,

nosso compromisso é gerar valor de

forma sustentável e deixar um le-

gado positivo nos territórios onde

atuamos, consolidando a AngloGold

Ashanti como referência em minera-

ção responsável na América Latina.

M&S – Como é a atuação da Anglo-

Gold Ashanti no Brasil e quais as

principais características e rele-

vância dentro do portfólio global?

LIMA – A AngloGold Ashanti integra

um dos maiores grupos produtores de

ouro do mundo, com 11 operações dis-

tribuídas em 10 países e presença na

América Latina por meio de ativos no

Brasil e na Argentina. Por aqui, a Compa-

nhia concentra suas operações em Mi-

nas Gerais, com a Operação Cuiabá, que

reúne as minas subterrâneas Cuiabá, em

Sabará, e Lamego, entre Sabará e Caeté,

além da planta metalúrgica do Queiroz,

em Nova Lima, responsável pelas etapas

de beneficiamento e fundição.

A operação brasileira se destaca por

ser 100% verticalizada, atuando desde

a pesquisa mineral até a produção do

ouro refinado com pureza de 99,99%.

Também abriga a mina mais profunda

do Brasil, com mais de 1.600 metros de

profundidade, reforçando a relevância

técnica e operacional do ativo.

Em termos de pessoas, a AngloGold

Ashanti Brasil conta atualmente com

cerca de 6,3 mil empregados, entre di-

retos e indiretos, refletindo a relevância

da companhia na geração de emprego

e renda no estado.

Os investimentos também evidenciam

a importância estratégica do País: nos

últimos dois anos foram investidos

aproximadamente R$ 2 bilhões no Bra-

sil, direcionados à modernização das

operações, inovação, descarbonização,

segurança de estruturas e melhoria

contínua de performance.

No contexto global, a operação latino-

-americana, que inclui Brasil e Argen-

LIMA – No ano passado, a AngloGold

Ashanti produziu, em todas as suas

operações no mundo, 3,1 milhões de

onças de ouro, um aumento de 16%

em relação ao ano anterior. As opera-

ções no Brasil e Argentina somaram

505 mil onças no período, sendo 326

mil provenientes das operações bra-

sileiras. A diferença da produção total

em relação à 2024 se deve à venda das

Operações Serra Grande, em Crixás

(GO), para a Aura Minerals, no segun-

do semestre do último ano.

Em 2025, o fluxo de caixa livre global

da mineradora atingiu US$ 2.908 bi-

lhões, mais que triplicando na compa-

ração com 2024. O EBITDA Ajustado

global aumentou 129%, passando de

US$ 2,7 bilhões em 2024 para US$ 6,3

bilhões em 2025.

O crescimento global da AngloGold

Ashanti em 2025 foi resultado de uma

combinação de disciplina na execução,

foco em segurança, excelência opera-

cional e decisões estratégicas de por-

tfólio. A Companhia avançou de forma

consistente na otimização de ativos,

no controle de custos e na captura de

ganhos de eficiência, o que refletiu no

aumento da produção e em indicado-

res financeiros robustos, como a tripli-

cação do fluxo de caixa livre e o cresci-

mento expressivo do EBITDA Ajustado.

Um dos principais vetores desse de-

sempenho foi a implementação do

programa global Full Asset Potential

(FAP), que tem como objetivo eliminar

gargalos operacionais, aumentar pro-

dutividade e maximizar o valor dos ati-

vos. No Brasil, por exemplo, o complexo

Cuiabá contou com mais de 40 inicia-

tivas no âmbito do Programa, contri-

buindo para ganhos relevantes de efici-

ência e desempenho operacional.

M&S – Em um cenário influencia-

do por juros elevados, tensões

geopolíticas e maior busca por

ativos de proteção, a Companhia

tem conseguido capturar valor

com ganho de eficiência ou, pro-

tina, respondeu por cerca de 16% da

produção do grupo em 2025, mas teve

papel ainda mais relevante na geração

de valor, representando 26% do fluxo

de caixa livre (Free Cash Flow), o que

posiciona a região entre as mais estra-

tégicas do portfólio da Companhia.

Para 2026, a perspectiva é dar continui-

dade a essa agenda, com foco em efici-

ência operacional, disciplina de capital,

segurança e fortalecimento das rela-

ções com as comunidades. Seguiremos

investindo em inovação e sustentabi-

Acredito em uma

gestão que valoriza

as pessoas, promove

um ambiente

seguro e inclusivo e

estimula a inovação

como alavanca

para resultados

sustentáveis.

lidade para garantir competitividade e

geração de valor no longo prazo, man-

tendo o Brasil como um pilar estratégi-

co no contexto global da Companhia.

M&S – A AngloGold Ashanti re-

gistrou um crescimento de 16,5%

na produção global da Compa-

nhia em 2025. Ao mesmo tempo,

a produção no Brasil recuou de

351 mil para 326 mil onças. Quais

foram as estratégias que susten-

taram esse crescimento global e

como a empresa avalia a redução

nas operações brasileiras?

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

12

porcionalmente, o crescimento

ainda está mais atrelado ao ciclo

de commodities?

LIMA – A valorização do ouro con-

tribui para fortalecer o ambiente de

negócios do setor, ampliando a atra-

tividade para investimentos e favore-

cendo a geração de caixa das opera-

ções. No Brasil, esse cenário reforça

a relevância dos nossos ativos e cria

um contexto positivo para o desen-

volvimento de projetos.

No entanto, a cotação do metal é

uma variável de mercado sobre a

qual não temos controle e que pode

sofrer oscilações relevantes ao longo

do tempo. Por isso, nossa estratégia

não é orientada por movimentos

pontuais de preço, mas por uma vi-

são de longo prazo, baseada em efici-

ência operacional, disciplina de capi-

tal e rigor no controle de custos. Essa

abordagem garante competitividade

e resiliência em diferentes ciclos.

M&S – Quais foram as principais

inovações nos ativos brasileiros

que contribuíram para a eficiência

operacional?

LIMA – Investimos continuamente

em tecnologias que aumentam pro-

dutividade, reduzem riscos e tornam a

operação mais sustentável.

Um exemplo é o uso do sistema

de teleremote, que permite operar

equipamentos pesados a partir da

superfície, reduzindo a exposição de

profissionais a áreas de maior risco e

aumentando a eficiência das ativida-

des. Também trouxemos para a mina

Cuiabá a primeira sonda de circulação

reversa (RC) para operações subterrâ-

neas na América do Sul, capaz de do-

brar a produtividade em comparação

aos modelos anteriores e melhorar a

qualidade dos dados geológicos.

Somos ainda pioneiros no Brasil na

utilização de scanner dinâmico para

monitoramento geomecânico, tecno-

Mais do que

resultados

operacionais, nosso

compromisso é

gerar valor de forma

sustentável e deixar

um legado positivo

nos territórios onde

atuamos.

logia que utiliza feixes de laser para

gerar imagens 3D das escavações,

permitindo acompanhamento mais

preciso da estabilidade das rochas.

Na AngloGold Ashanti, inovação não

é vista como custo, mas como instru-

mento de resiliência e vantagem com-

petitiva. Ao investir em tecnologia,

aumentamos segurança, produtivida-

de e eficiência, fortalecendo a compe-

titividade das operações brasileiras no

cenário global e garantindo sustenta-

bilidade no longo prazo

M&S – Qual a principal aposta da

Companhia no Brasil e por quê?

LIMA – Atualmente, nossos investi-

mentos estão direcionados à Opera-

ção Cuiabá, além da planta metalúrgi-

ca do Queiroz. A mina Cuiabá alcança

mais de 1.600 metros de profundida-

de, sendo o ponto continental mais

profundo do Brasil. Em sondagens, já

foi identificado ouro a mais de 2.400

metros de profundidade. O local abri-

ga uma extensa rede de galerias sub-

terrâneas em forma de espiral, com

330 quilômetros no total e 26 quilô-

metros apenas na rampa principal.

Seguimos investindo em tecnologia,

modernização de equipamentos,

automação e eletrificação da frota,

com foco em produtividade, segu-

rança e redução de custos. As sonda-

gens indicam potencial mineral em

níveis ainda mais profundos, o que

reforça as perspectivas de continui-

dade operacional no longo prazo.

M&S – Como a operação brasilei-

ra tem avançado em temas críti-

cos de sustentabilidade? Poderia

compartilhar os principais indi-

cadores mais recentes (2025),

metas estabelecidas e avanços

concretos nessas frentes?

LIMA – A AngloGold Ashanti tem

avançado de forma consistente em

sua agenda de sustentabilidade no

Brasil. A eficiência energética, in-

clusive, se consolidou como um dos

pilares centrais dessa estratégia,

orientando a transição para uma mi-

neração mais sustentável e resiliente.

No eixo de descarbonização, a Com-

panhia alcançou uma redução de

63% nas emissões de gases de efei-

to estufa em relação ao ano-base de

2021. Esse resultado reforça o com-

promisso com a meta intermediária

de redução de 30% até 2030 e a neu-

tralidade de carbono nos escopos 1

e 2 até 2050. Um marco importante

foi a adoção, desde 2022, de 100%

de energia elétrica proveniente de

fontes renováveis no Brasil, com

certificação Cemig-REC, garantindo

uma matriz energética com baixa in-

tensidade de carbono.

Esse avanço é sustentado por uma

gestão estruturada por meio do Pro-

grama de Descarbonização e Efici-

ência Energética (PDEE), que integra

governança, metas e execução. Entre

os destaques, está o sistema de ventila-

ção sob demanda na Mina Cuiabá,

que utiliza automação para ajustar o

fluxo de ar conforme a operação, re-

duzindo em até 25% o consumo de

energia e aumentando a segurança.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

13

Outro avanço relevante é a introdu-

ção da primeira carregadeira 100%

elétrica em mina subterrânea no

País, que elimina emissões diretas,

reduz calor e ruído e aumenta a

produtividade. A Companhia prevê

avançar na eletrificação completa

dessa frota até 2027.

Além disso, a empresa vem promo-

vendo melhorias contínuas em suas

plantas industriais, com iniciativas

como otimização do consumo ener-

gético na Planta de Queiroz, revisão

de processos de moagem e testes

para redução do uso de combustí-

veis fósseis. Em 2024, cerca de 68%

da matriz energética já era compos-

ta por eletricidade livre de combus-

tíveis fósseis, com redução do uso

de diesel para 30,8%.

No campo da gestão ambiental e hí-

drica, a AngloGold Ashanti mantém

investimentos contínuos em efici-

ência no uso de recursos naturais e

mitigação de impactos.

ENTREVISTA

HENRIQUE CARBALLAL

Um dos principais marcos foi a im-

plantação, desde 2022, de 100% de

disposição de rejeitos a seco no Bra-

sil, eliminando o uso de barragens

com rejeitos em polpa.

A Companhia também se destaca na

preservação da biodiversidade, com

mais de 10,5 mil hectares protegidos,

contribuindo para a conservação de bio-

mas relevantes como a Mata Atlântica.

No eixo de relacionamento com co-

munidades, a atuação foi fortalecida

com a criação do Instituto AngloGold

Ashanti, que consolidou a estratégia

de investimento social da Empresa. Em

2025, foram apoiados mais de 40 pro-

jetos, com aportes superiores a R$ 13

milhões, voltados a iniciativas culturais,

educacionais, esportivas e de geração

de renda. Para 2026, o investimento

será mais que dobrado, com previsão

de R$ 30 milhões destinados a proje-

tos sociais, reforçando o compromisso

com o desenvolvimento sustentável

dos territórios onde a Empresa atua.

Divulgação | AngloGold

Vista aérea

da Mina Cuiabá

em Sabará (MG)

Seguiremos

investindo em

inovação e

sustentabilidade

para garantir

competitividade e

geração de valor

no longo prazo,

mantendo o Brasil

como um pilar

estratégico no

contexto global da

Companhia.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026

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Números apresentados pelo Ibram, em abril,

confirmam a tendência de crescimento do setor mineral brasileiro

Da Redação

MERCADO

BALANÇO

US$ 77,9 BILHÕES:

FATURAMENTO DO SETOR

CRESCE 6% NO 1T26

O

setor mineral brasileiro per-

manece, no ínicio de 2026,

em ritmo de crescimento,

com faturamento de R$ 77,9 bilhões

no primeiro trimestre (1T26) — avan-

ço de 6% em relação ao mesmo pe-

ríodo de 2025, quando o setor re-

gistrou R$ 73,8 bilhões. O resultado

reforça a relevância da mineração na

economia nacional, mesmo em um

cenário de oscilações no mercado in-

ternacional de commodities.

A atividade manteve forte presença

no mercado de trabalho. Em feve-

reiro de 2026, o setor contabilizou

230.011 empregos diretos, com a

criação de 9.029 novas vagas entre

janeiro de 2025 e fevereiro deste

ano. O desempenho indica resiliên-

cia e capacidade de geração de ren-

da, especialmente em regiões forte-

mente dependentes da mineração.

No recorte regional, Minas Gerais,

Pará e Bahia lideraram o faturamento

no período, respondendo por 38%,

35% e 6%, respectivamente, do total

arrecadado. Os dados mostram a con-

centração da atividade mineral em

estados estratégicos, com destaque

para a produção de minério de ferro.

Principal produto da pauta mineral, o

minério de ferro respondeu por 48%

do faturamento do setor, somando

R$ 37,5 bilhões no trimestre. Ainda

assim, houve retração de 3% no valor

gerado, reflexo da volatilidade dos

preços no mercado internacional.

Já o minério de ouro somou R$ 13,5

bilhões, crescimento de 45%, e o mi-

nério de cobre R$ 10,3 bilhões, com

avanço de 28%. Granito somou R$ 1,78

bilhão, com recuo de 3%. Calcário do-

lomítico registrou R$ 1,62 bilhão, com

queda de 7%. Bauxita alcançou R$ 1,52

bilhão, com um decréscimo de 4%.

No comércio exterior, o desempenho

foi positivo. O Brasil exportou cerca de

87,9 milhões de toneladas de produtos

minerais no 1T26, alta de 0,9% em vo-

lume frente ao mesmo período do ano

anterior. Em valores, as exportações

atingiram US$ 11,4 bilhões, crescimen-

to expressivo de 21,5%. O minério de

ferro manteve protagonismo, sendo

responsável por 53,9% das exportações.

As importações também avançaram,

somando US$ 2,1 bilhões (+29%) e

10 milhões de toneladas (+15,1%).

Mesmo assim, o saldo da balança

comercial mineral permaneceu ro-

busto, alcançando US$ 9,29 bilhões

— equivalente a 66% do saldo total

da balança comercial brasileira, de

US$ 14,17 bilhões.

INVESTIMENTOS

2026-2030

As perspectivas para os próximos

anos também são positivas. A esti-

mativa de investimentos no setor

entre 2026 e 2030 chega a US$ 76,9

bilhões, alta de 12,5% em relação ao

ciclo anterior. Desse total, US$ 21,3

bilhões devem ser destinados a mi-

nerais críticos, com crescimento pre-

visto de 15,2%, refletindo a crescente

demanda global por insumos estra-

tégicos para a transição energética.

Com base nesses indicadores, o setor

mineral reafirma seu papel como um

dos pilares da economia brasileira,

combinando geração de divisas, em-

pregos e investimentos de longo prazo.

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Fonte: Ibram

Saldo Balança

Mineral

US$ 9,29 bilhões

US$ 7,75 bilhões

1T26

1T25

Empregos

Arrecadação

de CFEM

R$ 1,98 bilhão

R$ 1,96 bilhão

1T26

1T25

Exportações de

minério de ferro*

US$ 6,15 bilhões

US$ 5,96 bilhões

1T26

1T25

Importações

minerais

US$ 2,1 bilhões

US$ 1,65 bilhão

1T26

1T25

Importações

de potássio

US$ 1,05 bilhão

US$ 0,72 bilhão

1T26

1T25

US$ 11,41 bilhões

US$ 9,39 bilhões

1T26

1T25

Exportações

minerais

Balanço mineração

brasileira - 1T26

Faturamento

do setor

R$ 77,9 bilhões

R$ 73,8 bilhões

1T26

1T25

6%

Recolhimento

de tributos

R$ 26,9 bilhões

R$ 25,5 bilhões

1T26

1T25

5,5%

3,2%

1,3%

20%

29%

47%

21,5%

+ 9.029 vagas

geradas de janeiro/25 a fevereiro/26

230.011 empregos

diretos no setor

O setor contribuiu com 66% para o saldo

positivo da balança comercial brasileira no

período. A diferença entre as exportações e

importações foi de US$ 9,29 bilhões,

20% a mais que no 1T25.

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Automatização redefine papel das máquinas e

da força de trabalho humana nas operações

ESPECIAL

UM TEMPO

DE GRANDES

NOVIDADES

Redação do Especial: Bianca Alves

Freepik

AUTÔNOMOS & REMOTOS

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P

ensar a evolução da tecnologia

na mineração – e, em especial,

na automação e na inteligência

artificial – é como assistir à concretiza-

ção de um futuro imaginado há déca-

das no desenho animado Os Jetsons,

dos estúdios Hanna Barbera, no qual

as máquinas trabalhariam por nós.

Seria o clímax de um processo que co-

meçou com a mecanização, quando

máquinas substituíram o esforço físi-

co, mas dependiam de um operador;

em seguida, veio a automação, com

equipamentos

executando

tarefas

repetitivas com mais precisão e menor

intervenção humana.

O avanço seguinte se deu com as ope-

rações remotas, que retiraram o traba-

lhador da área de risco e aumentaram

a eficiência. Nos dias de hoje, este pro-

cesso chegou à autonomia, com cami-

nhões e perfuratrizes operando sozi-

nhos, tomando decisões com base em

dados em tempo real e transformando

a mina em um sistema integrado.

Por fim, a inteligência artificial está le-

vando a mineração a um novo patamar,

E é neste contexto que a mineração

vive uma de suas maiores transforma-

ções desde a mecanização em larga es-

cala. A introdução de sistemas autôno-

mos — impulsionados por inteligência

artificial, sensoriamento avançado e

conectividade de alta capacidade —

está redefinindo não apenas a forma

como as operações são conduzidas,

mas também o papel do ser humano

dentro das minas.

Da Oceania à América do Sul, passan-

do pela América do Norte e Ásia, já

é possível encontrar frotas de cami-

nhões que operam sem motoristas,

perfuratrizes robotizadas e centros

integrados de operação remota que

controlam, em tempo real, múltiplas

frentes produtivas.

Gigantes do setor minerário como

Rio Tinto, BHP, Vale e Anglo American

estão na linha de frente desse movi-

mento. Essas empresas vêm investindo

fortemente em tecnologias capazes de

integrar equipamentos, dados e deci-

sões em um único ecossistema digital,

elevando o nível de eficiência opera-

cional a patamares inéditos. O objetivo

é claro: produzir mais, com maior pre-

visibilidade, menor custo e, sobretudo,

mais segurança.

no qual é possível prever falhas, otimi-

zar processos e apoiar decisões estra-

tégicas. Mas há um ponto importante

nessa evolução: o papel humano não

desaparece, ele se transforma.

O operador vira analista, o técnico vira

programador de processos, o enge-

nheiro passa a tomar decisões estraté-

gicas baseadas em dados complexos. O

futuro não elimina o trabalho, ele o qua-

lifica; novas competências profissionais

são exigidas, com maior procura por

especialistas em dados, automação, ci-

bersegurança e integração de sistemas.

A inovação no setor mineral é viabili-

zada por um conjunto de tecnologias,

que estão transformando radicalmen-

te as operações. A automação e a robó-

tica têm gerado ganhos significativos

de produtividade e segurança, com

exemplos como caminhões autôno-

mos que aumentam a produtividade

MINERAÇÃO AUTÔNOMA AVANÇA E REDEFINE OPERAÇÕES

em até 40%, e robôs para a qualifica-

ção mineral em campo, agilizando o

trabalho de planejamento da lavra.

A inteligência artificial (IA) é utilizada

para processar grandes volumes de da-

dos e, assim, planejar e otimizar a ope-

ração, garantindo a conformidade com

Se no passado a mineração era

predominantemente intensiva

em equipamentos pesados

e presença humana em

campo, hoje observamos

uma transição clara

para operações cada

vez mais digitalizadas,

conectadas e

automatizadas.

Eduardo Nassif,

diretor da Fundação

Pedro Leopoldo

Divulgação

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regulamentações ambientais e a segu-

rança dos trabalhadores. Tecnologias

como a visão computacional, um ramo

da IA, são aplicadas no monitoramento

de segurança e manutenção preditiva,

como a inspeção de correias transporta-

doras, que antes era manual e perigosa.

A evolução da automação na mine-

ração, porém, não ocorreu de forma

abrupta. Do volante de caminhão aos

centros de controle remoto, passando

pelo joystick, a operação dos equipa-

mentos no caminho da autonomia pas-

sou por várias etapas. Engenheiro há 40

anos na indústria cimenteira – um setor

diretamente ligado à mineração de cal-

cário e à gestão de operações de lavra

em grande escala – e hoje na universi-

dade como diretor da Fundação Pedro

Leopoldo, Eduardo Nassif acompanhou

de perto a evolução tecnológica que

vem transformando o setor mineral.

“Se no passado a mineração era pre-

dominantemente intensiva em equi-

pamentos pesados e presença huma-

na em campo, hoje observamos uma

transição clara para operações cada

vez mais digitalizadas, conectadas e

automatizadas”, observa. Segundo ele,

este processo resulta de décadas de

evolução em instrumentação indus-

trial, sistemas de controle, telecomuni-

cações e análise de dados.

Inicialmente, a automação concen-

trou-se nas plantas de beneficiamento

mineral, com a introdução de sistemas

supervisórios e controle distribuído

(DCS), que trouxeram maior estabilida-

de operacional e controle mais preciso

das variáveis de processo. “Nos últimos

anos, entretanto, a digitalização avan-

çou também para a lavra, impulsiona-

da pela convergência entre sensores

industriais, inteligência artificial, tele-

comunicações de alta confiabilidade e

sistemas integrados de gestão opera-

cional”, aponta Nassif. “Esse movimen-

to vem abrindo caminho para um novo

estágio tecnológico: a mineração cada

vez mais automatizada e crescente-

mente autônoma”, completa.

Esse avanço só é possível graças à con-

vergência de diversas tecnologias. A in-

teligência artificial permite que máqui-

nas “aprendam” com dados históricos e

tomem decisões mais precisas. Senso-

res embarcados capturam informações

sobre o ambiente, o desempenho dos

equipamentos e as condições opera-

cionais. Redes de telecomunicações

industriais, incluindo o 5G privado, ga-

rantem comunicação rápida e estável,

essencial para operações em tempo

real. Além disso, plataformas digitais in-

tegram todas essas informações, permi-

tindo uma visão holística da operação.

Os ganhos são expressivos. Em termos

de produtividade, a automação otimi-

za rotas e ciclos de trabalho e permite

operação contínua, 24 horas por dia.

“Equipamentos automatizados ten-

dem a operar com maior regularidade

e menor variabilidade nos ciclos de

trabalho. Isso contribui para o melhor

planejamento da produção, redução

de tempos improdutivos e maior efici-

ência logística”, aponta Nassif.

Um dos impactos mais relevantes da

automação, diz o engenheiro, está na

redução da exposição humana a am-

bientes de risco. A mineração autôno-

ma, nesse sentido, não apenas melho-

ra indicadores, mas redefine padrões

de segurança operacional.

“A retirada de operadores de áreas críti-

cas — como frentes de lavra, taludes ins-

táveis ou ambientes com alta exposição

a poeira e vibração — é um avanço signi-

ficativo na gestão de segurança. Nos cen-

tros de operação remota, os profissionais

supervisionam operações complexas

em ambientes controlados, melhorando

as condições de trabalho e reduzindo a

fadiga operacional”, informa.

Em termos globais, a automação já é

uma realidade consolidada em gran-

des operações, especialmente em

países com forte tradição mineradora

e alto nível de investimento tecnoló-

gico. No entanto, sua expansão ainda

enfrenta desafios relevantes, adverte o

professor do Programa de Pós-Gradu-

ação em Engenharia Mecânica da PUC

Minas, Janes Landre Júnior.

Mestre e Doutor em Engenharia Meta-

lúrgica, pelo ITA e pela UFMG respectiva-

mente, Landre Júnior enumera, entre os

principais desafios, a integração de dife-

rentes tecnologias e sistemas, a garantia

Outro ponto importante

é a capacitação das

equipes para operar e

manter esses sistemas,

além da gestão

da mudança

organizacional.

Janes Landre Junior,

professor da Puc-Minas

ESPECIAL

AUTÔNOMOS & REMOTOS

Divulgação

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Operar máquinas à distância e auto-

matizar processos industriais na mi-

neração são processos que têm um

auxílio precioso em tecnologias desen-

volvidas pela Rockwell Automation.

Com aquisições recentes, a empresa

também passou a oferecer robôs mó-

veis e veículos autônomos usados den-

tro de fábricas e áreas industriais.

Entre essas soluções estão os AMRs

(robôs móveis autônomos) e os AGVs

(veículos guiados automaticamente),

desenvolvidos pela Otto Motors, que

fazem o transporte de materiais e car-

gas em armazéns, pátios e áreas de

apoio. Também há os robôs da Clear-

path Robotics, como o Husky, que são

usados para inspeções, rondas, coleta

de dados e uso de sensores.

Essas tecnologias podem ser aplicadas

em minas, usinas, áreas de manuten-

ção e pátios ferroviários. Elas ajudam

a automatizar tarefas de logística e

inspeção, diminuem o risco para traba-

lhadores e tornam as operações mais

previsíveis e seguras. Além disso, esses

sistemas podem ser integrados a pla-

taformas de controle e monitoramento

da própria Rockwell Automation.

“Quando conectadas aos sistemas da

Rockwell, essas soluções ajudam a or-

ganizar melhor o fluxo de trabalho,

acompanhar o que está acontecendo

em tempo real e melhorar continu-

amente a eficiência das operações,

como reduzir o tempo das tarefas e

otimizar rotas”, explica o Global Accou-

nt Manager da Rockwell Automation,

Bruno Cezar de Oliveira.

Segundo ele, os clientes que adotam

robótica móvel e soluções de operação

autônoma/remota relatam ganhos em

cinco frentes principais, a começar por

segurança e produtividade. “A terceira

é previsibilidade e padronização, por-

que os veículos seguem rotas, regras e

velocidades definidas, reduzindo varia-

bilidade e melhorando o cumprimento

de janelas de abastecimento/retirada”,

aponta o executivo.

As vantagens se intensificam na efici-

ência de custos, com a minimização do

retrabalho, esperas e deslocamentos

improdutivos, o que permite realocar

as equipes em atividades de maior

valor agregado. “Por fim, há ganhos re-

levantes em visibilidade e tomada de

decisão: telemetria, rastreabilidade de

missões e coleta estruturada de dados

permitem acompanhar indicadores,

identificar gargalos e otimizar rotas e

tempos de ciclo”, finaliza Oliveira.

ROBÔS NA MINERAÇÃO

...essas soluções ajudam a

organizar melhor o fluxo

de trabalho, acompanhar

o que está acontecendo

em tempo real e melhorar

continuamente a eficiência

das operações.

Bruno Cezar de Oliveira,

Global Account Manager da

Rockwell Automation

de conectividade estável em ambientes

remotos, o tratamento e a qualidade dos

dados e a adaptação dos modelos às

condições variáveis da mineração. “Ou-

tro ponto importante é a capacitação

das equipes para operar e manter esses

sistemas, além da gestão da mudança

organizacional”, destaca o professor.

A mineração do futuro exige profissio-

nais com novas competências, capa-

zes de operar, monitorar e interpretar

sistemas digitais complexos. Isso impli-

ca uma mudança cultural significativa

no setor, que precisa investir em capa-

citação e requalificação.

O alto custo inicial de implantação,

que envolve aquisição de equipamen-

tos, infraestrutura de conectividade

e sistemas integrados, além da adap-

tação a marcos regulatórios ainda em

evolução, também são barreiras para

os avanços no setor. Apesar desses

desafios, porém, o avanço da minera-

ção autônoma é irreversível.

Mais do que uma tendência tecnoló-

gica, trata-se de uma transformação

estrutural que impacta toda a cadeia

produtiva. À medida que os sistemas

se tornam mais acessíveis e as tecno-

logias amadurecem, a expectativa é de

que operações autônomas deixem de

ser exceção e passem a ser o novo pa-

drão da indústria mineral.

Divulgação

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