revistamineracao.com.br
Edição 63 . Ano 14
Março e Abril de 2026
Mercado
Desempenho do
Setor segue crescendo
no primeiro trimestre
Entrevista
Luís Otávio Lima
e o protagonismo
da AngloGold Ashanti
Especial
Sistemas autônomos e remotos elevam atividade minerária
a um patamar nunca antes alcançado, marcado por eficiência e segurança
MINERAÇÃO
QUE SE TRANSFORMA
Divulgação | Ibram
CLIQUE
DIVERSIBRAM
2026
Na edição deste ano,
lideranças do setor mineral
reforçaram seu compromisso
com a agenda ESG ao
assinarem uma carta voltada
à Diversidade, Equidade e
Inclusão (DE&I). O encontro
consolidou avanços
estratégicos, com metas
monitoradas e engajamento
direto de executivos,
impulsionando mudanças
culturais e fortalecendo a
competitividade e a inovação
na mineração brasileira.
Na foto, Ana Sanches, CEO
da Anglo American Brasil
e presidente do Conselho
do Ibram, e Pablo Cesário,
diretor-presidente do Ibram,
além de diversos executivos
e executivas do setor.
Não são de responsabilidade
da revista os artigos de opinião e
conteúdos de informes publicitários.
Siga nossas redes sociais
Conselho editorial
Adriano Espeschit
Engenheiro de Minas
J. Mendo Consultoria
Marcelo Mendo de Souza
Advogado | Cescon, Barrieu,
Flesch & Barreto Advogados
Portal | Contato
www.revistamineracao.com.br
revista@revistamineracao.com.br
Razão social:
Revista Mineração Ltda.
Rua Inspetor Jaime Caldeira, 1030
Brasileia . Betim (MG) . 32.600.286
+ 55 (31) 3544 . 0045
+ 55 (31) 98802 . 0070
Diretor-geral
Wilian Leles
MTB 12.808/MG
diretor@revistamineracao.com.br
Digital
Tamires Oliveira
Redação
Bianca Alves
Valquiria Lopes
redacao@revistamineracao.com.br
Diagramação
Mariana Aarestrup
Foto de capa
Freepik
Vladimirpolikarpov
Anúncios | Comercial
+ 55 (31) 98802 . 0070
comercial@revistamineracao.com.br
Assinaturas
faleconosco@revistamineracao.com.br
Distribuição
Impressa: 8 mil exemplares para
16 estados brasileiros. Edição digital:
via e-mails, portal e redes sociais.
Circulação
Publicação dirigida aos setores mineral,
siderúrgico e energético, com foco
especial em mineradoras e siderúrgicas
de grande, médio e pequeno porte,
além de fornecedores, consultorias,
entidades, instituições acadêmicas,
governos e assinantes.
Expediente
Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
EDITORIAL
A mineração mundial atravessa um
momento de inflexão. E se engana
quem pensa se tratar de uma sim-
ples modernização de processos. Se
antes a mineração era compreendida
como uma atividade essencialmen-
te extrativa, hoje se consolida como
um ecossistema complexo, intensivo
em tecnologia, orientado por dados
e sustentado por decisões cada vez
mais estratégicas, nas quais eficiên-
cia, segurança e previsibilidade se
tornam elementos cruciais.
Nesta edição da Revista Mineração &
Sustentabilidade, o(a) leitor(a) é con-
duzido(a) por esse cenário de trans-
formação. O especial “Autônomos
e Remotos” reúne reportagens que
evidenciam como a incorporação de
sistemas inteligentes, automação e
centros de operação remota vem re-
definindo a lógica produtiva do setor.
A operação, antes baseada predomi-
nantemente na presença física e na
experiência empírica, passa a se apoiar
em monitoramento em tempo real,
análise massiva de dados e modelos
preditivos capazes de antecipar falhas,
otimizar processos e ampliar a seguran-
ça. Consolida-se, assim, um ambiente
híbrido, no qual o digital não apenas
apoia, mas orienta decisões críticas e
reposiciona o papel das equipes.
Esse movimento, contudo, não se
dá sem tensões. A busca por maior
produtividade, controle e integração
convive com desafios regulatórios,
limitações estruturais e, sobretudo,
com a necessidade de adaptação hu-
mana. A transformação digital exige
investimentos consistentes, mas tam-
bém impõe uma revisão profunda de
competências, cultura organizacional
e modelos de gestão. A formação de
profissionais aptos a atuar em am-
bientes altamente tecnológicos surge
como um dos pontos sensíveis desse
processo, ao lado da necessidade de
integrar inovação a práticas respon-
sáveis e sustentáveis.
Conectada ao Especial, a entrevis-
ta com o presidente da AngloGold
Ashanti na América Latina, Luís Otá-
vio Lima, detalha e analisa o desem-
penho e os desafios da Companhia,
uma das expoentes na lavra e be-
neficiamento de ouro no mundo. O
executivo destaca a disciplina ope-
racional como base para resultados
consistentes, aliada à incorporação
contínua de tecnologias que ampliam
a eficiência e qualificam a tomada de
decisão. Ele evidencia, ainda, que a
digitalização precisa estar integrada
a uma visão de longo prazo, na qual
tecnologia e capital humano atuam
de forma complementar.
A edição 63 da Revista Mineração &
Sustentabilidade revela uma minera-
ção mais conectada, inteligente e ine-
vitavelmente mais complexa. Mais do
que registrar mudanças, as páginas
que seguem propõem interpretar tais
mudanças, indicando que o verdadei-
ro desafio está em compreendê-las
em sua totalidade — técnica, eco-
nômica e humana — como condição
para construir um setor mais eficien-
te, integrado e equilibrado diante das
transformações em curso.
Conexão e
autonomia
Com mais de 20 anos de
experiência no jornalismo e
no mercado publicitário, é o
fundador e diretor-geral da
Revista Mineração & Susten-
tabilidade, no cenário nacional
desde 2011. Também é o
fundador e diretor da TV
Mineração, canal no Youtube
de conteúdos audiovisuais do
setor mineral e siderúrgico.
Wilian Leles
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
XII SIMEXMIN
O Simpósio Brasileiro de Explora-
ção Mineral é um evento técnico-
-científico, considerado um fórum
relevante para o desenvolvimento
da pesquisa mineral do Brasil. O SI-
MEXMIN tem como meta reunir a
comunidade de pesquisa mineral
em nível nacional e internacional
para debater temas do setor.
17 a 20 de maio de 2026
Ouro Preto (MG)
Informações: https://simexmin.
org.br/2026/
ESPECIAL
Sistemas autônomos e remotos elevam
atividade minerária a um patamar nunca antes alcançado
SUMÁRIO
revistamineracao.com.br
Março e Abril de 2026
Edição 63 . Ano 14
18
BALANÇO 1T26
Números do primeiro trimestre de 2026 confirmam
a tendência de crescimento do setor mineral brasileiro
16
7 Panorama
10 Entrevista
16 Mercado
18 Especial
24 Especial
30 Especial
38 Especial
42 Especial
41, 45, 49, 50 Artigos
Freepik
PRECISÃO E AUTONOMIA
Operações fundamentais contam
com soluções automatizadas
BALÉ DOS GIGANTES
Fora de estrada vem revolucionando a
logística das operações
28
24
Divulgação | Enaex
Gustavo Andrade | Vale
Seções
Agenda de Eventos
TAILINGS 2026
O evento discutirá a importância
das estruturas de disposição de
rejeitos, destacando a evolução
dos processos, licenciamento e
dos requisitos técnicos voltados
ao aumento da segurança, além
de fortalecer a integração entre
profissionais e especialistas en-
volvidos nos setores relacionados.
26 e 27 de maio de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://ibram.org.
br/eventos/
AGENDA
e-Digital
EXPOSIBRAM 2026
Reconhecida como um dos even-
tos mais importantes do setor
mineral latino-americano, a Expo
& Congresso Brasileiro de Minera-
ção (EXPOSIBRAM) é promovida
anualmente pelo IBRAM e reúne
as principais instituições, empre-
sas e especialistas da mineração
nacional e internacional.
24 a 27 de agosto de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://exposi-
bram2026.ibram.org.br/
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
PANORAMA
Ouro
JAGUAR AMPLIA
RESERVAS EM 49% NA MINA PILAR
Léo Lopes
A Jaguar Mining anunciou um aumento significativo de 49% nas re-
servas minerais da Mina Pilar, localizada em Santa Bárbara (MG). O
avanço eleva o total de reservas para cerca de 286 mil onças de ouro,
um aumento líquido de 94 mil onças nas Reservas Minerais Provadas
e Prováveis, em comparação com as 192 mil onças anteriormente
relatadas. O crescimento nas estimativas é considerado expressivo e
contribui diretamente para a extensão da vida útil da Mina Pilar, um
dos principais ativos da empresa no Brasil. A companhia destacou
que os resultados refletem investimentos contínuos em perfuração
e modelagem geológica, além da melhoria na compreensão dos cor-
pos mineralizados da região.
VALE ANUNCIA PRIMEIRO NAVIO
TRANSOCEÂNICO MOVIDO A ETANOL
A Vale fez um acordo inédito com a Shandong Shipping Corporation para o afretamento de navios Guaibamax movidos
a etanol, com início das operações previsto para 2029. A iniciativa representa um marco global: será a primeira vez que
uma embarcação transoceânica utilizará o etanol como combustível principal no transporte marítimo de minério de ferro.
O projeto integra a estratégia da Mineradora de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo de sua cadeia
logística. De acordo com a Empresa, o uso do etanol pode diminuir em até 90% as emissões de carbono em comparação ao
óleo combustível pesado, tradicionalmente utilizado no setor. O contrato firmado entre as companhias prevê a construção
de dois navios, com acordos de afretamento de 25 anos e possibilidade de expansão da frota. As embarcações serão da se-
gunda geração Guaibamax, com cerca de 340 metros de comprimento e capacidade para transportar até 325 mil toneladas.
Logística
ANGLOGOLD TESTA
PRIMEIRA AUTOBETONEIRA ELÉTRICA
Equipamento
A AngloGold Ashanti iniciou a operação da primeira autobetoneira
elétrica do Brasil em mineração subterrânea. O equipamento começou
a ser testado na Mina Cuiabá, localizada em Sabará (MG), e faz parte da
estratégia da Companhia para avançar em descarbonização e inovação
tecnológica. Desenvolvida pela Normet, a autobetoneira passará por
um período de testes de 18 meses. A iniciativa busca aliar ganhos ope-
racionais à melhoria das condições de trabalho no subsolo, com foco
em saúde, segurança e sustentabilidade. Um dos principais diferenciais
do equipamento é a eliminação de emissões de gases durante a ope-
ração, o que contribui diretamente para a qualidade do ar nas galerias
subterrâneas. Sem a presença de fumaça, há redução da sensação tér-
mica e menor necessidade de ventilação forçada.
Divulgação | AngloGold
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
Minério de ferro
VALE APOSTA
NA MINERAÇÃO CIRCULAR
Fernando Piancastelli | Vale
A Vale anunciou um novo avanço em sua estratégia de susten-
tabilidade com a implantação de um projeto de mineração cir-
cular na mina de Gongo Soco, localizada em Barão de Cocais
(MG). A iniciativa prevê o reaproveitamento de rejeitos de uma
operação paralisada desde 2016, com potencial de produzir
cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
O projeto integra o programa Waste to Value, voltado à trans-
formação de rejeitos e estéreis em novos produtos, reduzindo
resíduos e ampliando a eficiência no uso de recursos minerais.
A planta será instalada na área da antiga usina de Gongo Soco,
priorizando a movimentação interna de materiais e reduzindo
impactos logísticos. O escoamento da produção será feito por
meio da Estrada de Ferro Vitória a Minas. A Vale projeta que, até
2030, cerca de 10% de sua produção anual de minério de ferro
seja proveniente de fontes circulares. A ação reforça o protago-
nismo de Minas Gerais como polo de mineração circular no País.
ENTREVISTA
LUÍS OTÁVIO LIMA
Cassia Cinque
Liderança que
impulsiona a
nova mineração
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
10
A
grandes profundidades, onde
tecnologia, segurança e preci-
são são determinantes, a lide-
rança na mineração deixou de ser ape-
nas operacional para assumir papel
estratégico. Na AngloGold Ashanti
esse movimento é evidente, especial-
mente no Brasil. Na mina Cuiabá, em
Minas Gerais, que já ultrapassa 1.600
metros de profundidade, os desa-
fios exigem decisões e investimentos
orientados por tecnologia e inovação.
É nesse ambiente que atua o presi-
dente da AngloGold Ashanti Latam,
Luís Otávio de Lima. Com uma tra-
jetória construída ao longo de quase
sete anos na empresa — incluindo a
Mineração & Sustentabilidade – O
senhor assumiu a presidência da
AngloGold Ashanti na América
Latina há cerca de 10 meses, após
uma trajetória de quase sete anos
na Companhia. Como tem sido
este desafio e quais as suas prio-
ridades estratégicas?
Luís Otávio Lima – Assumir a li-
derança da AngloGold Ashanti na
América Latina tem sido uma ex-
periência desafiadora e, ao mesmo
tempo, muito motivadora. Ao longo
dos últimos anos na Companhia, es-
pecialmente à frente da Operação
Cuiabá, tive a oportunidade de co-
nhecer profundamente o negócio,
as pessoas e os territórios onde atu-
amos, o que tem sido fundamental
neste novo momento.
Valquiria Lopes
Presidente da AngloGold Ashanti na América Latina,
Luís Otávio Lima explica como a filosofia da empresa
tem refletido em resultados concretos, que vão
além da performance operacional
liderança da própria operação Cuiabá
—, o executivo detalha, em entrevis-
ta exclusiva à Revista Mineração &
Sustentabilidade, os planos, resulta-
dos e desafios da Companhia.
À frente da operação latino-america-
na há cerca de 10 meses, Lima lidera
uma região estratégica para o Grupo,
que figura entre os maiores produto-
res de ouro do mundo.
Em um cenário marcado por incerte-
zas econômicas e tensões geopolíti-
cas, a AngloGold Ashanti tem atu-
ado para sustentar a produção com
disciplina financeira. Nesse contexto,
a estratégia tem sido equilibrar disci-
plina de capital, eficiência operacio-
nal e captura de oportunidades. No
Brasil, esse direcionamento se traduz
em investimentos contínuos em se-
gurança, inovação e modernização
das operações, com destaque para
o avanço de tecnologias como ope-
rações remotas, automação e uso de
dados em tempo real.
Como as operações minerárias não
estão dissociadas das estratégias de
sustentabilidade, Lima frisa a busca
da Companhia em consolidar um
modelo de mineração responsável,
capaz de gerar valor no longo pra-
zo e impacto positivo nos territórios
onde atua. Confira!
Meu estilo de liderança é baseado
em proximidade, escuta ativa e to-
mada de decisão orientada por da-
dos e propósito. Acredito em uma
gestão que valoriza as pessoas, pro-
move um ambiente seguro e inclusi-
vo e estimula a inovação como ala-
vanca para resultados sustentáveis.
A mineração subterrânea é uma ati-
vidade naturalmente desafiadora do
ponto de vista operacional e de cus-
tos. Trata-se de um ambiente com-
plexo, que exige alto investimento
em segurança, tecnologia, energia e
manutenção de equipamentos.
A América Latina é hoje uma re-
gião estratégica para o grupo, não
apenas pela sua contribuição em
produção, mas principalmente pela
sua capacidade de geração de valor.
Temos operações de classe mundial,
com alto nível técnico, e um time ex-
tremamente qualificado, o que nos
permite avançar com consistência
em eficiência operacional e susten-
tabilidade.
Entre os principais desafios, desta-
co a necessidade de continuar am-
pliando a competitividade dos ati-
vos, especialmente em um contexto
de maior profundidade das minas, o
que exige ganhos contínuos em tec-
nologia, produtividade e gestão de
custos. Além disso, seguimos aten-
tos à agenda ESG, que é central para
o futuro da mineração, com foco em
descarbonização, segurança opera-
cional e fortalecimento do relacio-
namento com as comunidades.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
11
ENTREVISTA
HENRIQUE CARBALLAL
Mais do que resultados operacionais,
nosso compromisso é gerar valor de
forma sustentável e deixar um le-
gado positivo nos territórios onde
atuamos, consolidando a AngloGold
Ashanti como referência em minera-
ção responsável na América Latina.
M&S – Como é a atuação da Anglo-
Gold Ashanti no Brasil e quais as
principais características e rele-
vância dentro do portfólio global?
LIMA – A AngloGold Ashanti integra
um dos maiores grupos produtores de
ouro do mundo, com 11 operações dis-
tribuídas em 10 países e presença na
América Latina por meio de ativos no
Brasil e na Argentina. Por aqui, a Compa-
nhia concentra suas operações em Mi-
nas Gerais, com a Operação Cuiabá, que
reúne as minas subterrâneas Cuiabá, em
Sabará, e Lamego, entre Sabará e Caeté,
além da planta metalúrgica do Queiroz,
em Nova Lima, responsável pelas etapas
de beneficiamento e fundição.
A operação brasileira se destaca por
ser 100% verticalizada, atuando desde
a pesquisa mineral até a produção do
ouro refinado com pureza de 99,99%.
Também abriga a mina mais profunda
do Brasil, com mais de 1.600 metros de
profundidade, reforçando a relevância
técnica e operacional do ativo.
Em termos de pessoas, a AngloGold
Ashanti Brasil conta atualmente com
cerca de 6,3 mil empregados, entre di-
retos e indiretos, refletindo a relevância
da companhia na geração de emprego
e renda no estado.
Os investimentos também evidenciam
a importância estratégica do País: nos
últimos dois anos foram investidos
aproximadamente R$ 2 bilhões no Bra-
sil, direcionados à modernização das
operações, inovação, descarbonização,
segurança de estruturas e melhoria
contínua de performance.
No contexto global, a operação latino-
-americana, que inclui Brasil e Argen-
LIMA – No ano passado, a AngloGold
Ashanti produziu, em todas as suas
operações no mundo, 3,1 milhões de
onças de ouro, um aumento de 16%
em relação ao ano anterior. As opera-
ções no Brasil e Argentina somaram
505 mil onças no período, sendo 326
mil provenientes das operações bra-
sileiras. A diferença da produção total
em relação à 2024 se deve à venda das
Operações Serra Grande, em Crixás
(GO), para a Aura Minerals, no segun-
do semestre do último ano.
Em 2025, o fluxo de caixa livre global
da mineradora atingiu US$ 2.908 bi-
lhões, mais que triplicando na compa-
ração com 2024. O EBITDA Ajustado
global aumentou 129%, passando de
US$ 2,7 bilhões em 2024 para US$ 6,3
bilhões em 2025.
O crescimento global da AngloGold
Ashanti em 2025 foi resultado de uma
combinação de disciplina na execução,
foco em segurança, excelência opera-
cional e decisões estratégicas de por-
tfólio. A Companhia avançou de forma
consistente na otimização de ativos,
no controle de custos e na captura de
ganhos de eficiência, o que refletiu no
aumento da produção e em indicado-
res financeiros robustos, como a tripli-
cação do fluxo de caixa livre e o cresci-
mento expressivo do EBITDA Ajustado.
Um dos principais vetores desse de-
sempenho foi a implementação do
programa global Full Asset Potential
(FAP), que tem como objetivo eliminar
gargalos operacionais, aumentar pro-
dutividade e maximizar o valor dos ati-
vos. No Brasil, por exemplo, o complexo
Cuiabá contou com mais de 40 inicia-
tivas no âmbito do Programa, contri-
buindo para ganhos relevantes de efici-
ência e desempenho operacional.
M&S – Em um cenário influencia-
do por juros elevados, tensões
geopolíticas e maior busca por
ativos de proteção, a Companhia
tem conseguido capturar valor
com ganho de eficiência ou, pro-
tina, respondeu por cerca de 16% da
produção do grupo em 2025, mas teve
papel ainda mais relevante na geração
de valor, representando 26% do fluxo
de caixa livre (Free Cash Flow), o que
posiciona a região entre as mais estra-
tégicas do portfólio da Companhia.
Para 2026, a perspectiva é dar continui-
dade a essa agenda, com foco em efici-
ência operacional, disciplina de capital,
segurança e fortalecimento das rela-
ções com as comunidades. Seguiremos
investindo em inovação e sustentabi-
Acredito em uma
gestão que valoriza
as pessoas, promove
um ambiente
seguro e inclusivo e
estimula a inovação
como alavanca
para resultados
sustentáveis.
lidade para garantir competitividade e
geração de valor no longo prazo, man-
tendo o Brasil como um pilar estratégi-
co no contexto global da Companhia.
M&S – A AngloGold Ashanti re-
gistrou um crescimento de 16,5%
na produção global da Compa-
nhia em 2025. Ao mesmo tempo,
a produção no Brasil recuou de
351 mil para 326 mil onças. Quais
foram as estratégias que susten-
taram esse crescimento global e
como a empresa avalia a redução
nas operações brasileiras?
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
12
porcionalmente, o crescimento
ainda está mais atrelado ao ciclo
de commodities?
LIMA – A valorização do ouro con-
tribui para fortalecer o ambiente de
negócios do setor, ampliando a atra-
tividade para investimentos e favore-
cendo a geração de caixa das opera-
ções. No Brasil, esse cenário reforça
a relevância dos nossos ativos e cria
um contexto positivo para o desen-
volvimento de projetos.
No entanto, a cotação do metal é
uma variável de mercado sobre a
qual não temos controle e que pode
sofrer oscilações relevantes ao longo
do tempo. Por isso, nossa estratégia
não é orientada por movimentos
pontuais de preço, mas por uma vi-
são de longo prazo, baseada em efici-
ência operacional, disciplina de capi-
tal e rigor no controle de custos. Essa
abordagem garante competitividade
e resiliência em diferentes ciclos.
M&S – Quais foram as principais
inovações nos ativos brasileiros
que contribuíram para a eficiência
operacional?
LIMA – Investimos continuamente
em tecnologias que aumentam pro-
dutividade, reduzem riscos e tornam a
operação mais sustentável.
Um exemplo é o uso do sistema
de teleremote, que permite operar
equipamentos pesados a partir da
superfície, reduzindo a exposição de
profissionais a áreas de maior risco e
aumentando a eficiência das ativida-
des. Também trouxemos para a mina
Cuiabá a primeira sonda de circulação
reversa (RC) para operações subterrâ-
neas na América do Sul, capaz de do-
brar a produtividade em comparação
aos modelos anteriores e melhorar a
qualidade dos dados geológicos.
Somos ainda pioneiros no Brasil na
utilização de scanner dinâmico para
monitoramento geomecânico, tecno-
Mais do que
resultados
operacionais, nosso
compromisso é
gerar valor de forma
sustentável e deixar
um legado positivo
nos territórios onde
atuamos.
logia que utiliza feixes de laser para
gerar imagens 3D das escavações,
permitindo acompanhamento mais
preciso da estabilidade das rochas.
Na AngloGold Ashanti, inovação não
é vista como custo, mas como instru-
mento de resiliência e vantagem com-
petitiva. Ao investir em tecnologia,
aumentamos segurança, produtivida-
de e eficiência, fortalecendo a compe-
titividade das operações brasileiras no
cenário global e garantindo sustenta-
bilidade no longo prazo
M&S – Qual a principal aposta da
Companhia no Brasil e por quê?
LIMA – Atualmente, nossos investi-
mentos estão direcionados à Opera-
ção Cuiabá, além da planta metalúrgi-
ca do Queiroz. A mina Cuiabá alcança
mais de 1.600 metros de profundida-
de, sendo o ponto continental mais
profundo do Brasil. Em sondagens, já
foi identificado ouro a mais de 2.400
metros de profundidade. O local abri-
ga uma extensa rede de galerias sub-
terrâneas em forma de espiral, com
330 quilômetros no total e 26 quilô-
metros apenas na rampa principal.
Seguimos investindo em tecnologia,
modernização de equipamentos,
automação e eletrificação da frota,
com foco em produtividade, segu-
rança e redução de custos. As sonda-
gens indicam potencial mineral em
níveis ainda mais profundos, o que
reforça as perspectivas de continui-
dade operacional no longo prazo.
M&S – Como a operação brasilei-
ra tem avançado em temas críti-
cos de sustentabilidade? Poderia
compartilhar os principais indi-
cadores mais recentes (2025),
metas estabelecidas e avanços
concretos nessas frentes?
LIMA – A AngloGold Ashanti tem
avançado de forma consistente em
sua agenda de sustentabilidade no
Brasil. A eficiência energética, in-
clusive, se consolidou como um dos
pilares centrais dessa estratégia,
orientando a transição para uma mi-
neração mais sustentável e resiliente.
No eixo de descarbonização, a Com-
panhia alcançou uma redução de
63% nas emissões de gases de efei-
to estufa em relação ao ano-base de
2021. Esse resultado reforça o com-
promisso com a meta intermediária
de redução de 30% até 2030 e a neu-
tralidade de carbono nos escopos 1
e 2 até 2050. Um marco importante
foi a adoção, desde 2022, de 100%
de energia elétrica proveniente de
fontes renováveis no Brasil, com
certificação Cemig-REC, garantindo
uma matriz energética com baixa in-
tensidade de carbono.
Esse avanço é sustentado por uma
gestão estruturada por meio do Pro-
grama de Descarbonização e Efici-
ência Energética (PDEE), que integra
governança, metas e execução. Entre
os destaques, está o sistema de ventila-
ção sob demanda na Mina Cuiabá,
que utiliza automação para ajustar o
fluxo de ar conforme a operação, re-
duzindo em até 25% o consumo de
energia e aumentando a segurança.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
13
Outro avanço relevante é a introdu-
ção da primeira carregadeira 100%
elétrica em mina subterrânea no
País, que elimina emissões diretas,
reduz calor e ruído e aumenta a
produtividade. A Companhia prevê
avançar na eletrificação completa
dessa frota até 2027.
Além disso, a empresa vem promo-
vendo melhorias contínuas em suas
plantas industriais, com iniciativas
como otimização do consumo ener-
gético na Planta de Queiroz, revisão
de processos de moagem e testes
para redução do uso de combustí-
veis fósseis. Em 2024, cerca de 68%
da matriz energética já era compos-
ta por eletricidade livre de combus-
tíveis fósseis, com redução do uso
de diesel para 30,8%.
No campo da gestão ambiental e hí-
drica, a AngloGold Ashanti mantém
investimentos contínuos em efici-
ência no uso de recursos naturais e
mitigação de impactos.
ENTREVISTA
HENRIQUE CARBALLAL
Um dos principais marcos foi a im-
plantação, desde 2022, de 100% de
disposição de rejeitos a seco no Bra-
sil, eliminando o uso de barragens
com rejeitos em polpa.
A Companhia também se destaca na
preservação da biodiversidade, com
mais de 10,5 mil hectares protegidos,
contribuindo para a conservação de bio-
mas relevantes como a Mata Atlântica.
No eixo de relacionamento com co-
munidades, a atuação foi fortalecida
com a criação do Instituto AngloGold
Ashanti, que consolidou a estratégia
de investimento social da Empresa. Em
2025, foram apoiados mais de 40 pro-
jetos, com aportes superiores a R$ 13
milhões, voltados a iniciativas culturais,
educacionais, esportivas e de geração
de renda. Para 2026, o investimento
será mais que dobrado, com previsão
de R$ 30 milhões destinados a proje-
tos sociais, reforçando o compromisso
com o desenvolvimento sustentável
dos territórios onde a Empresa atua.
Divulgação | AngloGold
Vista aérea
da Mina Cuiabá
em Sabará (MG)
Seguiremos
investindo em
inovação e
sustentabilidade
para garantir
competitividade e
geração de valor
no longo prazo,
mantendo o Brasil
como um pilar
estratégico no
contexto global da
Companhia.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
14
SUA OPERAÇÃO NÃO PODE PARAR.
PEÇAS DE ALTA PERFORMANCE.
DEZ ANOS IMPULSIONANDO
A INDÚSTRIA MINERAL BRASILEIRA.
No Grupo Onix, não fornecemos apenas peças, nós
garantimos a produção contínua da sua operação.
Há quase uma década, com uma estrutura
tecnológica
e
robusta,
somos
um
parceiro
estratégico para o fornecimento, a assessoria
técnica
e
a
reforma
de
equipamentos
de
mineração de classe mundial.
Nossa dedicação à qualidade é o que mantém sua
mina operando na máxima eficiência.
Peças e Acessórios com a marca da confiabilidade.
Se faz parte do futuro da mineração, a Onix faz!
Entre em contato e faça sua cotação.
www.onixminerals.com.br
(31) 3121-0864
contato@onixminerals.com.br
Números apresentados pelo Ibram, em abril,
confirmam a tendência de crescimento do setor mineral brasileiro
Da Redação
MERCADO
BALANÇO
US$ 77,9 BILHÕES:
FATURAMENTO DO SETOR
CRESCE 6% NO 1T26
O
setor mineral brasileiro per-
manece, no ínicio de 2026,
em ritmo de crescimento,
com faturamento de R$ 77,9 bilhões
no primeiro trimestre (1T26) — avan-
ço de 6% em relação ao mesmo pe-
ríodo de 2025, quando o setor re-
gistrou R$ 73,8 bilhões. O resultado
reforça a relevância da mineração na
economia nacional, mesmo em um
cenário de oscilações no mercado in-
ternacional de commodities.
A atividade manteve forte presença
no mercado de trabalho. Em feve-
reiro de 2026, o setor contabilizou
230.011 empregos diretos, com a
criação de 9.029 novas vagas entre
janeiro de 2025 e fevereiro deste
ano. O desempenho indica resiliên-
cia e capacidade de geração de ren-
da, especialmente em regiões forte-
mente dependentes da mineração.
No recorte regional, Minas Gerais,
Pará e Bahia lideraram o faturamento
no período, respondendo por 38%,
35% e 6%, respectivamente, do total
arrecadado. Os dados mostram a con-
centração da atividade mineral em
estados estratégicos, com destaque
para a produção de minério de ferro.
Principal produto da pauta mineral, o
minério de ferro respondeu por 48%
do faturamento do setor, somando
R$ 37,5 bilhões no trimestre. Ainda
assim, houve retração de 3% no valor
gerado, reflexo da volatilidade dos
preços no mercado internacional.
Já o minério de ouro somou R$ 13,5
bilhões, crescimento de 45%, e o mi-
nério de cobre R$ 10,3 bilhões, com
avanço de 28%. Granito somou R$ 1,78
bilhão, com recuo de 3%. Calcário do-
lomítico registrou R$ 1,62 bilhão, com
queda de 7%. Bauxita alcançou R$ 1,52
bilhão, com um decréscimo de 4%.
No comércio exterior, o desempenho
foi positivo. O Brasil exportou cerca de
87,9 milhões de toneladas de produtos
minerais no 1T26, alta de 0,9% em vo-
lume frente ao mesmo período do ano
anterior. Em valores, as exportações
atingiram US$ 11,4 bilhões, crescimen-
to expressivo de 21,5%. O minério de
ferro manteve protagonismo, sendo
responsável por 53,9% das exportações.
As importações também avançaram,
somando US$ 2,1 bilhões (+29%) e
10 milhões de toneladas (+15,1%).
Mesmo assim, o saldo da balança
comercial mineral permaneceu ro-
busto, alcançando US$ 9,29 bilhões
— equivalente a 66% do saldo total
da balança comercial brasileira, de
US$ 14,17 bilhões.
INVESTIMENTOS
2026-2030
As perspectivas para os próximos
anos também são positivas. A esti-
mativa de investimentos no setor
entre 2026 e 2030 chega a US$ 76,9
bilhões, alta de 12,5% em relação ao
ciclo anterior. Desse total, US$ 21,3
bilhões devem ser destinados a mi-
nerais críticos, com crescimento pre-
visto de 15,2%, refletindo a crescente
demanda global por insumos estra-
tégicos para a transição energética.
Com base nesses indicadores, o setor
mineral reafirma seu papel como um
dos pilares da economia brasileira,
combinando geração de divisas, em-
pregos e investimentos de longo prazo.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
16
Fonte: Ibram
Saldo Balança
Mineral
US$ 9,29 bilhões
US$ 7,75 bilhões
1T26
1T25
Empregos
Arrecadação
de CFEM
R$ 1,98 bilhão
R$ 1,96 bilhão
1T26
1T25
Exportações de
minério de ferro*
US$ 6,15 bilhões
US$ 5,96 bilhões
1T26
1T25
Importações
minerais
US$ 2,1 bilhões
US$ 1,65 bilhão
1T26
1T25
Importações
de potássio
US$ 1,05 bilhão
US$ 0,72 bilhão
1T26
1T25
US$ 11,41 bilhões
US$ 9,39 bilhões
1T26
1T25
Exportações
minerais
Balanço mineração
brasileira - 1T26
Faturamento
do setor
R$ 77,9 bilhões
R$ 73,8 bilhões
1T26
1T25
6%
Recolhimento
de tributos
R$ 26,9 bilhões
R$ 25,5 bilhões
1T26
1T25
5,5%
3,2%
1,3%
20%
29%
47%
21,5%
+ 9.029 vagas
geradas de janeiro/25 a fevereiro/26
230.011 empregos
diretos no setor
O setor contribuiu com 66% para o saldo
positivo da balança comercial brasileira no
período. A diferença entre as exportações e
importações foi de US$ 9,29 bilhões,
20% a mais que no 1T25.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
17
Automatização redefine papel das máquinas e
da força de trabalho humana nas operações
ESPECIAL
UM TEMPO
DE GRANDES
NOVIDADES
Redação do Especial: Bianca Alves
Freepik
AUTÔNOMOS & REMOTOS
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
18
P
ensar a evolução da tecnologia
na mineração – e, em especial,
na automação e na inteligência
artificial – é como assistir à concretiza-
ção de um futuro imaginado há déca-
das no desenho animado Os Jetsons,
dos estúdios Hanna Barbera, no qual
as máquinas trabalhariam por nós.
Seria o clímax de um processo que co-
meçou com a mecanização, quando
máquinas substituíram o esforço físi-
co, mas dependiam de um operador;
em seguida, veio a automação, com
equipamentos
executando
tarefas
repetitivas com mais precisão e menor
intervenção humana.
O avanço seguinte se deu com as ope-
rações remotas, que retiraram o traba-
lhador da área de risco e aumentaram
a eficiência. Nos dias de hoje, este pro-
cesso chegou à autonomia, com cami-
nhões e perfuratrizes operando sozi-
nhos, tomando decisões com base em
dados em tempo real e transformando
a mina em um sistema integrado.
Por fim, a inteligência artificial está le-
vando a mineração a um novo patamar,
E é neste contexto que a mineração
vive uma de suas maiores transforma-
ções desde a mecanização em larga es-
cala. A introdução de sistemas autôno-
mos — impulsionados por inteligência
artificial, sensoriamento avançado e
conectividade de alta capacidade —
está redefinindo não apenas a forma
como as operações são conduzidas,
mas também o papel do ser humano
dentro das minas.
Da Oceania à América do Sul, passan-
do pela América do Norte e Ásia, já
é possível encontrar frotas de cami-
nhões que operam sem motoristas,
perfuratrizes robotizadas e centros
integrados de operação remota que
controlam, em tempo real, múltiplas
frentes produtivas.
Gigantes do setor minerário como
Rio Tinto, BHP, Vale e Anglo American
estão na linha de frente desse movi-
mento. Essas empresas vêm investindo
fortemente em tecnologias capazes de
integrar equipamentos, dados e deci-
sões em um único ecossistema digital,
elevando o nível de eficiência opera-
cional a patamares inéditos. O objetivo
é claro: produzir mais, com maior pre-
visibilidade, menor custo e, sobretudo,
mais segurança.
no qual é possível prever falhas, otimi-
zar processos e apoiar decisões estra-
tégicas. Mas há um ponto importante
nessa evolução: o papel humano não
desaparece, ele se transforma.
O operador vira analista, o técnico vira
programador de processos, o enge-
nheiro passa a tomar decisões estraté-
gicas baseadas em dados complexos. O
futuro não elimina o trabalho, ele o qua-
lifica; novas competências profissionais
são exigidas, com maior procura por
especialistas em dados, automação, ci-
bersegurança e integração de sistemas.
A inovação no setor mineral é viabili-
zada por um conjunto de tecnologias,
que estão transformando radicalmen-
te as operações. A automação e a robó-
tica têm gerado ganhos significativos
de produtividade e segurança, com
exemplos como caminhões autôno-
mos que aumentam a produtividade
MINERAÇÃO AUTÔNOMA AVANÇA E REDEFINE OPERAÇÕES
em até 40%, e robôs para a qualifica-
ção mineral em campo, agilizando o
trabalho de planejamento da lavra.
A inteligência artificial (IA) é utilizada
para processar grandes volumes de da-
dos e, assim, planejar e otimizar a ope-
ração, garantindo a conformidade com
Se no passado a mineração era
predominantemente intensiva
em equipamentos pesados
e presença humana em
campo, hoje observamos
uma transição clara
para operações cada
vez mais digitalizadas,
conectadas e
automatizadas.
Eduardo Nassif,
diretor da Fundação
Pedro Leopoldo
Divulgação
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
19
regulamentações ambientais e a segu-
rança dos trabalhadores. Tecnologias
como a visão computacional, um ramo
da IA, são aplicadas no monitoramento
de segurança e manutenção preditiva,
como a inspeção de correias transporta-
doras, que antes era manual e perigosa.
A evolução da automação na mine-
ração, porém, não ocorreu de forma
abrupta. Do volante de caminhão aos
centros de controle remoto, passando
pelo joystick, a operação dos equipa-
mentos no caminho da autonomia pas-
sou por várias etapas. Engenheiro há 40
anos na indústria cimenteira – um setor
diretamente ligado à mineração de cal-
cário e à gestão de operações de lavra
em grande escala – e hoje na universi-
dade como diretor da Fundação Pedro
Leopoldo, Eduardo Nassif acompanhou
de perto a evolução tecnológica que
vem transformando o setor mineral.
“Se no passado a mineração era pre-
dominantemente intensiva em equi-
pamentos pesados e presença huma-
na em campo, hoje observamos uma
transição clara para operações cada
vez mais digitalizadas, conectadas e
automatizadas”, observa. Segundo ele,
este processo resulta de décadas de
evolução em instrumentação indus-
trial, sistemas de controle, telecomuni-
cações e análise de dados.
Inicialmente, a automação concen-
trou-se nas plantas de beneficiamento
mineral, com a introdução de sistemas
supervisórios e controle distribuído
(DCS), que trouxeram maior estabilida-
de operacional e controle mais preciso
das variáveis de processo. “Nos últimos
anos, entretanto, a digitalização avan-
çou também para a lavra, impulsiona-
da pela convergência entre sensores
industriais, inteligência artificial, tele-
comunicações de alta confiabilidade e
sistemas integrados de gestão opera-
cional”, aponta Nassif. “Esse movimen-
to vem abrindo caminho para um novo
estágio tecnológico: a mineração cada
vez mais automatizada e crescente-
mente autônoma”, completa.
Esse avanço só é possível graças à con-
vergência de diversas tecnologias. A in-
teligência artificial permite que máqui-
nas “aprendam” com dados históricos e
tomem decisões mais precisas. Senso-
res embarcados capturam informações
sobre o ambiente, o desempenho dos
equipamentos e as condições opera-
cionais. Redes de telecomunicações
industriais, incluindo o 5G privado, ga-
rantem comunicação rápida e estável,
essencial para operações em tempo
real. Além disso, plataformas digitais in-
tegram todas essas informações, permi-
tindo uma visão holística da operação.
Os ganhos são expressivos. Em termos
de produtividade, a automação otimi-
za rotas e ciclos de trabalho e permite
operação contínua, 24 horas por dia.
“Equipamentos automatizados ten-
dem a operar com maior regularidade
e menor variabilidade nos ciclos de
trabalho. Isso contribui para o melhor
planejamento da produção, redução
de tempos improdutivos e maior efici-
ência logística”, aponta Nassif.
Um dos impactos mais relevantes da
automação, diz o engenheiro, está na
redução da exposição humana a am-
bientes de risco. A mineração autôno-
ma, nesse sentido, não apenas melho-
ra indicadores, mas redefine padrões
de segurança operacional.
“A retirada de operadores de áreas críti-
cas — como frentes de lavra, taludes ins-
táveis ou ambientes com alta exposição
a poeira e vibração — é um avanço signi-
ficativo na gestão de segurança. Nos cen-
tros de operação remota, os profissionais
supervisionam operações complexas
em ambientes controlados, melhorando
as condições de trabalho e reduzindo a
fadiga operacional”, informa.
Em termos globais, a automação já é
uma realidade consolidada em gran-
des operações, especialmente em
países com forte tradição mineradora
e alto nível de investimento tecnoló-
gico. No entanto, sua expansão ainda
enfrenta desafios relevantes, adverte o
professor do Programa de Pós-Gradu-
ação em Engenharia Mecânica da PUC
Minas, Janes Landre Júnior.
Mestre e Doutor em Engenharia Meta-
lúrgica, pelo ITA e pela UFMG respectiva-
mente, Landre Júnior enumera, entre os
principais desafios, a integração de dife-
rentes tecnologias e sistemas, a garantia
Outro ponto importante
é a capacitação das
equipes para operar e
manter esses sistemas,
além da gestão
da mudança
organizacional.
Janes Landre Junior,
professor da Puc-Minas
ESPECIAL
AUTÔNOMOS & REMOTOS
Divulgação
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
20
Operar máquinas à distância e auto-
matizar processos industriais na mi-
neração são processos que têm um
auxílio precioso em tecnologias desen-
volvidas pela Rockwell Automation.
Com aquisições recentes, a empresa
também passou a oferecer robôs mó-
veis e veículos autônomos usados den-
tro de fábricas e áreas industriais.
Entre essas soluções estão os AMRs
(robôs móveis autônomos) e os AGVs
(veículos guiados automaticamente),
desenvolvidos pela Otto Motors, que
fazem o transporte de materiais e car-
gas em armazéns, pátios e áreas de
apoio. Também há os robôs da Clear-
path Robotics, como o Husky, que são
usados para inspeções, rondas, coleta
de dados e uso de sensores.
Essas tecnologias podem ser aplicadas
em minas, usinas, áreas de manuten-
ção e pátios ferroviários. Elas ajudam
a automatizar tarefas de logística e
inspeção, diminuem o risco para traba-
lhadores e tornam as operações mais
previsíveis e seguras. Além disso, esses
sistemas podem ser integrados a pla-
taformas de controle e monitoramento
da própria Rockwell Automation.
“Quando conectadas aos sistemas da
Rockwell, essas soluções ajudam a or-
ganizar melhor o fluxo de trabalho,
acompanhar o que está acontecendo
em tempo real e melhorar continu-
amente a eficiência das operações,
como reduzir o tempo das tarefas e
otimizar rotas”, explica o Global Accou-
nt Manager da Rockwell Automation,
Bruno Cezar de Oliveira.
Segundo ele, os clientes que adotam
robótica móvel e soluções de operação
autônoma/remota relatam ganhos em
cinco frentes principais, a começar por
segurança e produtividade. “A terceira
é previsibilidade e padronização, por-
que os veículos seguem rotas, regras e
velocidades definidas, reduzindo varia-
bilidade e melhorando o cumprimento
de janelas de abastecimento/retirada”,
aponta o executivo.
As vantagens se intensificam na efici-
ência de custos, com a minimização do
retrabalho, esperas e deslocamentos
improdutivos, o que permite realocar
as equipes em atividades de maior
valor agregado. “Por fim, há ganhos re-
levantes em visibilidade e tomada de
decisão: telemetria, rastreabilidade de
missões e coleta estruturada de dados
permitem acompanhar indicadores,
identificar gargalos e otimizar rotas e
tempos de ciclo”, finaliza Oliveira.
ROBÔS NA MINERAÇÃO
...essas soluções ajudam a
organizar melhor o fluxo
de trabalho, acompanhar
o que está acontecendo
em tempo real e melhorar
continuamente a eficiência
das operações.
Bruno Cezar de Oliveira,
Global Account Manager da
Rockwell Automation
de conectividade estável em ambientes
remotos, o tratamento e a qualidade dos
dados e a adaptação dos modelos às
condições variáveis da mineração. “Ou-
tro ponto importante é a capacitação
das equipes para operar e manter esses
sistemas, além da gestão da mudança
organizacional”, destaca o professor.
A mineração do futuro exige profissio-
nais com novas competências, capa-
zes de operar, monitorar e interpretar
sistemas digitais complexos. Isso impli-
ca uma mudança cultural significativa
no setor, que precisa investir em capa-
citação e requalificação.
O alto custo inicial de implantação,
que envolve aquisição de equipamen-
tos, infraestrutura de conectividade
e sistemas integrados, além da adap-
tação a marcos regulatórios ainda em
evolução, também são barreiras para
os avanços no setor. Apesar desses
desafios, porém, o avanço da minera-
ção autônoma é irreversível.
Mais do que uma tendência tecnoló-
gica, trata-se de uma transformação
estrutural que impacta toda a cadeia
produtiva. À medida que os sistemas
se tornam mais acessíveis e as tecno-
logias amadurecem, a expectativa é de
que operações autônomas deixem de
ser exceção e passem a ser o novo pa-
drão da indústria mineral.
Divulgação
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
21
ESPECIAL
AUTÔNOMOS & REMOTOS
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
22
Revista Mineração & Sustentabilidade | Março e Abril de 2026
23