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SUSTENTABILIDADE
Samarco avança rumo
à produção máxima e
reparação histórica
BALANÇO
Os números da
mineração brasileira
no ano de 2025
Edição 62 . Ano 14
Janeiro e Fevereiro de 2026
Conturbada geopolítica mundial torna-se central para as decisões estratégicas,
planos de investimentos e gestão de riscos associados ao setor
GEOPOLÍTICA E MINERAÇÃO
e-Digital
Edição
ENTREVISTA
Richard Harris e o
pioneirismo da
centenária Sandvik
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Confira em:
Divulgação | Usiminas
CLIQUE
R$ 500 MILHÕES
PARA O MEIO
AMBIENTE
A Usiminas investiu mais de
R$ 500 milhões em ações
ambientais em 2025, como parte
de uma estratégia contínua para
aprimorar o desempenho de suas
operações e reduzir os impactos
para a comunidade de Ipatinga
(MG). O aporte se traduziu em
avanços no controle de emissões,
na estabilidade operacional e
na gestão de recursos naturais.
Como resultado, a empresa
reduziu em 50% os chamados
eventos relevantes — emissões
perceptíveis pela população e
que podem gerar incômodo.
Desde 2019 já foram investidos
R$ 3,7 bilhões em grandes
manutenções com foco em
equipamentos ambientais.
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da revista os artigos de opinião e
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siderúrgico e energético, com foco
especial em mineradoras e siderúrgicas
de grande, médio e pequeno porte,
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Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5
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e-Digital
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
A mineração brasileira chega a 2026 consolida-
da como a viga mestra da economia nacional.
Os números de 2025 são inequívocos: um fatu-
ramento de R$ 298,8 bilhões e uma contribui-
ção decisiva de 55% para o superávit da balan-
ça comercial do País. Contudo, esta edição da
Revista Mineração & Sustentabilidade revela
que o sucesso financeiro é apenas a base para
uma transformação mais profunda, onde a ge-
opolítica, a tecnologia e a sustentabilidade di-
tam o novo ritmo do mercado.
O Brasil vive um momento de redefinição estra-
tégica. Com investimentos projetados de US$
76,9 bilhões até 2030, o foco desloca-se gradu-
almente do minério de ferro para os minerais
críticos (cobre, lítio, níquel e terras raras), es-
senciais para a transição energética global.
O país posiciona-se como um porto seguro,
oferecendo estabilidade em um mundo mar-
cado pela fragmentação geopolítica, que hoje
é vista por executivos como o principal risco
estratégico do setor. O contexto atual, em que
a mineração se impõe como peça central no
tabuleiro geopolítico e econômico no mundo
é do que trata a matéria de capa desta edição.
Essa nova mineração exige uma visão sistêmica
que ultrapassa a extração. Exemplos como o de
Goiás, que incluiu a mineração no programa Pro-
goiás, mostram o esforço para verticalizar a produ-
ção e agregar valor localmente, transformando a
vocação geológica em competitividade industrial.
No campo da inovação, empresas como a
Sandvik – tema da entrevista da edição com
o presidente de negócios da Companhia, Ri-
chard Harris – impulsionam a eletrificação e a
autonomia, provando que a descarbonização
e a eficiência caminham juntas e serão o Nor-
te dos planos de crescimento não apenas da
Sandvik, mas para o setor de forma geral.
A sustentabilidade, por sua vez, deixou de ser
um discurso para se tornar prática operacional.
A Samarco, ao atingir 50 milhões de toneladas
produzidas desde sua retomada e investir no
sistema de empilhamento a seco, simboliza o
compromisso com a segurança e a reparação
definitiva dos atingidos e do meio ambiente
após a tragédia de Mariana.
O caminho está traçado e o que antes era tido
como temas futuros revelam-se mais que atu-
ais, urgentes. Cabe ao Brasil compreender o
contexto que se apresenta o mundo e transfor-
mar seu potencial no subsolo em desenvolvi-
mento humano e social duradouro.
Fundador e diretor-geral da Revista Mineração
& Sustentabilidade e da TV Mineração.
WILIAN LELES
EDITORIAL
Wilian Leles
e-Digital
Um setor em
redefinição
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
Estratégia e poder
Minerais críticos e as instabilidades geopolíticas
no mundo redefinem papel da mineração global
SUMÁRIO
revistamineracao.com.br
Janeiro e Fevereiro de 2026
Edição 62 . Ano 14
38
Progoiás
Fomento de projetos minerais prometem catapultar atividades do setor
extrativista em estado goiano
34
7 Panorama
10 Artigo
12 Entrevista
18 Artigo
20 Mercado
34 Mercado
38 Especial
46 Sustenta-
bilidade
Depositphotos
Novos rumos da Samarco
Mineradora tem se organizado para
produção total e conclusão da reparação
Richard Harris
Presidente de negócios da sueca
Sandvik em entrevista exclusiva
46
12
Daniel Mansur
Divulgação | Sandvik
Seções
Agenda de Eventos
DIVERSIBRAM 2026
Na quinta edição da DIVERSI-
BRAM 2026, o IBRAM segue firme
na missão de promover um setor
mineral verdadeiramente diver-
so. O evento continuará conec-
tando toda a cadeia com os te-
mas mais inovadores e essenciais
para impulsionar a diversidade e
a inclusão na mineração.
14 de abril de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://ibram.org.
br/eventos/
AGENDA
e-Digital
XII SIMEXMIN
O Simpósio Brasileiro de Explora-
ção Mineral é um evento técnico-
-científico, considerado um fórum
relevante para o desenvolvimento
da pesquisa mineral do Brasil. O SI-
MEXMIN tem como meta reunir a
comunidade de pesquisa mineral
em nível nacional e internacional
para debater temas do setor.
17 a 20 de maio de 2026
Ouro Preto (MG)
Informações: https://simexmin.
org.br/2026/
EXPOSIBRAM 2026
Reconhecida como um dos even-
tos mais importantes do setor
mineral latino-americano, a Expo
& Congresso Brasileiro de Minera-
ção (EXPOSIBRAM) é promovida
anualmente pelo IBRAM e reúne
as principais instituições, empre-
sas e especialistas da mineração
nacional e internacional.
24 a 27 de agosto de 2026
Belo Horizonte (MG)
Informações: https://exposi-
bram2026.ibram.org.br/
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
Mercado
GRUPO TERNIUM NO
CONTROLE DA USIMINAS
A Ternium concluiu a aquisição da participação
da Nippon Steel no bloco de controle da Side-
rúrgica Usiminas, após cumprir as condições
previstas no acordo anunciado em novembro.
Com a saída também da Mitsubishi Corporation,
o Grupo Ternium passa a concentrar 92,9% do
bloco controlador, enquanto a Previdência Usi-
minas mantém os 7,1% restantes. A consolida-
ção amplia a influência estratégica da compa-
nhia e pode trazer reflexos na governança, nos
investimentos e nas prioridades industriais e
financeiras no médio prazo.
Divulgação | Usiminas
PANORAMA
e-Digital
Balanço
MINAS-RIO TEM EBITDA DE
US$ 1,137 BILHÃO EM 2025
PANORAMA
Divulgação | Anglo American
LUCRO DA ANGLOGOLD
CRESCE 186% E PRODUÇÃO 16%
Balanço
A AngloGold Ashanti registrou um ano excepcional
em 2025, com lucro líquido de US$ 2,725 bilhões, um
avanço de 186% em relação a 2024, impulsionado pe-
los preços elevados do ouro e pelo aumento das ope-
rações, conforme balanço divulgado recentemente. A
produção de ouro atingiu 3,1 milhões de onças, um
crescimento de 16%, com destaque para a contribui-
ção da mina de Sukari, no Egito. A empresa também
reportou um Ebitda ajustado de cerca de US$ 6,3 bi-
lhões e um fluxo de caixa livre recorde superior a US$
2,9 bilhões, refletindo forte geração de receita diante
do mercado favorável. A mineradora reforçou ainda
dividendos expressivos aos acionistas, sustentando
perspectivas positivas para 2026 com bases financei-
ras robustas e capacidade de investimento ampliada.
O desempenho do Sistema Minas-Rio, da Anglo American,
representa crescimento de 6% frente a 2024 e foi puxado
por produção de minério de ferro superior ao planejado e
alta nos preços da commodity, segundo a empresa. A pro-
dução total no Brasil alcançou 24,8 milhões de toneladas
de minério de ferro premium, cerca de 1 milhão acima das
projeções, refletindo maior estabilidade operacional e efi-
ciência. A Anglo American também elevou seus investi-
mentos, com US$ 603 milhões em Capex, e segue com foco
em sustentabilidade e segurança. A projeção de produção
do Minas-Rio para os próximos anos permanece elevada,
entre 24 e 26 milhões de toneladas em 2026 e 2027.
Divulgação | AngloGold Ashanti
e-Digital
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
VALE CRIA CONSÓRCIO PARA
OPERAÇÃO NO CANADÁ
A Vale Base Metals (VBM) firmou acordo com Exiro
Minerals Corporation, Orion Resources Partners e
Canada Growth Fund para criar um consórcio para
a operação de níquel de Thompson (Manitoba), no
Canadá. Pelo acordo, os parceiros deterão 81,1%
da nova companhia, enquanto a VBM manterá
18,9% e assinou contrato de offtake (contrato de
compra garantida) para o concentrado de níquel.
O grupo se compromete a investir até US$ 200 mi-
lhões para fortalecer a operação local. A transação,
parte da revisão estratégica dos ativos de níquel
da Vale, deve ser concluída até o fim de 2026.
e-Digital
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e-Digital
A Compensação Financeira pela Exploração de
Recursos Minerais (CFEM) ocupa posição cen-
tral no debate sobre desenvolvimento regional
em territórios mineradores. Embora concebida
como instrumento de repartição dos benefícios
da atividade mineral, sua eficácia como política
pública estruturante ainda encontra limites re-
levantes, sobretudo quando dissociada de uma
estratégia de diversificação econômica voltada
ao período pós-mina.
Experiências recentes evidenciam esse contras-
te. Canaã dos Carajás (PA) é frequentemente ci-
tado como exemplo positivo: parte relevante da
CFEM foi direcionada à qualificação da gestão
pública, investimentos em educação, infraestru-
tura urbana e planejamento de longo prazo, re-
duzindo a dependência exclusiva da mineração.
Em sentido oposto, municípios como Mariana
(MG), apesar da expressiva arrecadação históri-
ca, não lograram converter os recursos da CFEM
em bases econômicas alternativas robustas.
Esse cenário revela um problema estrutural: a
CFEM ainda opera predominantemente como
receita corrente, absorvida pelo custeio da má-
quina pública, em detrimento de investimentos
estratégicos. A boa governança desses recursos
exige planejamento intertemporal, transparên-
cia e, sobretudo, vinculação a políticas de diversi-
ficação produtiva, capazes de sustentar a econo-
mia local após o esgotamento da jazida.
Tal diretriz encontra respaldo no Decreto nº
9.406/2018, que regulamenta o Código de Mi-
neração (Decreto-Lei nº 227/1967), estabelece
a obrigatoriedade do Plano de Fechamento de
Mina (PFM), posteriormente detalhado pela Re-
solução ANM nº 68/2021, que impõe ao titular
do direito minerário a previsão de medidas am-
bientais, sociais e econômicas para o encerra-
mento das operações.
A CFEM pode — e deve — funcionar como elo en-
tre o fechamento de mina e a sobrevivência eco-
nômica do município. Isso implica direcionar parte
dos recursos para capacitação profissional, atração
de novos setores produtivos, inovação, agricultura
de valor agregado e serviços especializados. Sem
essa convergência entre regulação mineral e gover-
nança fiscal local, o encerramento da mina tende a
produzir o conhecido “vazio econômico”, perpetu-
ando ciclos de dependência e vulnerabilidade.
ARTIGO
DIREITO
Especialista em Direito Minerário e
Ambiental e vice-presidente da Comissão
Temática de Direito Minerário da OAB/SC
André Garcia
CFEM E
DESENVOLVIMENTO
REGIONAL: DA
ARRECADAÇÃO
MINERAL À
SUSTENTABILIDADE
PÓS-MINA
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
10
e-Digital
Divulgação | Sandvik
e-Digital
TECNOLOGIA COM
FOCO EM VALOR REAL
Wilian Leles
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2024
12
ENTREVISTA
RICHARD HARRIS
Segundo o presidente da área de Negócios da Sandvik,
Richard Harris, a busca por soluções eficientes e sustentáveis
é o que norteia a estratégia de crescimento da Companhia
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
12
e-Digital
e-Digital
m um mundo em que a mineração e
a indústria de agregados enfrentam
pressões crescentes por eficiência, sus-
tentabilidade e inovação tecnológica, a Sand-
vik Rock Processing emerge como protagonis-
ta de uma transformação global. Com mais de
160 anos de história e presença em mais de 120
países, a companhia consolidou sua reputação
como referência em engenharia aplicada à re-
solução de desafios complexos. No Brasil, essa
trajetória começou em 1949, quando a empre-
sa introduziu tecnologias de perfuração e pro-
cessamento de rochas que se tornaram funda-
mentais para o desenvolvimento da indústria
mineral nacional. Desde então, a Sandvik tem
ampliado sua atuação, combinando tradição e
inovação para atender às demandas de um se-
tor em constante evolução.
À frente dessa jornada está Richard Harris, pre-
sidente da área de negócios Rock Processing.
Com 23 anos de experiência na Sandvik e os
últimos três dedicados à liderança global dessa
divisão, Harris conduz uma estratégia que in-
tegra pesquisa e desenvolvimento contínuos,
aquisições estratégicas e programas de moder-
nização de ativos. O objetivo é claro: oferecer so-
luções completas e sustentáveis que aumentem
a produtividade, reduzam custos e contribuam
para a descarbonização da mineração. A aquisi-
ção de empresas líderes como Schenck Process
Mining, na Austrália, e Kwatani, na África, refor-
ça essa visão, consolidando um portfólio robusto
em peneiramento e classificação de materiais.
No mercado nacional, a Sandvik se posiciona
para capturar oportunidades tanto na mine-
ração de grande porte quanto no mercado de
agregados, vital para a infraestrutura e cons-
trução civil. Com iniciativas como o programa
X-Change, que incentiva a renovação tecno-
lógica de frotas antigas, e inovações como
os britadores da série 800i — equipados com
sistemas inteligentes de proteção e filtragem
avançada —, a empresa demonstra como a en-
genharia pode ser alavanca de competitividade
e sustentabilidade. Nesta entrevista, Richard
Harris compartilha sua visão sobre o papel da
Sandvik na “mineração do futuro”, os desafios
impostos pela transição energética e como a
companhia pretende seguir moldando o setor
no Brasil e no mundo. Confira!
Mineração & Sustentabilidade – A Sandvik
possui um legado centenário. Como essa his-
tória se conecta com a operação brasileira e
qual é o "core" estratégico da empresa hoje?
Richard Harris – A Sandvik é uma organiza-
ção com raízes profundas, fundada em 1862,
e hoje nossa pegada é verdadeiramente glo-
bal, abrangendo mais de 120 países. No Brasil,
nossa jornada começou em 1949, introduzin-
do tecnologias de perfuração e rocha funda-
mentais para o desenvolvimento da indústria
mineral nacional.
Ao longo dessas décadas, construímos uma repu-
tação sólida baseada na resolução de problemas
complexos. É por isso que a estratégia central do
grupo — e isso transcende a mineração, aplican-
do-se a toda a Sandvik — é, literalmente, avançar
o mundo através da engenharia. Esse é o nosso
DNA: utilizar a engenharia de ponta para entre-
gar soluções que geram valor real e progresso.
M&S – Com essa visão global, qual é a leitura
atual da companhia sobre o setor mineral e
quais tendências têm impulsionado as deci-
sões de investimento?
e-Digital
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
13
RH – Temos observado um crescimento consis-
tente no setor de mineração ao longo dos últi-
mos trimestres. O nível de investimento perma-
nece alto, impulsionado por necessidades claras:
renovação de frotas e busca por eficiência ener-
gética. O mercado demanda triturar em tama-
nhos menores para reduzir o consumo de ener-
gia nas etapas subsequentes de cominuição.
Para atender a isso, nosso investimento em P&D
é contínuo. No entanto, nossa estratégia de
inovação é híbrida. Além do desenvolvimento
interno, também buscamos
M&A (Fusões e Aquisições)
para incorporar o "best-in-
-class" do mercado. Recente-
mente, adquirimos a Schen-
ck Process Mining, líder de
mercado na Austrália, e a
Kwatani, líder na África. Es-
sas aquisições estratégicas
complementam nosso por-
tfólio, especialmente em pe-
neiramento, permitindo que
a Sandvik ofereça soluções
completas e mantenha uma
curva de crescimento.
M&S – Trazendo o foco para
o Brasil, como a empresa
planeja navegar entre as demandas da mine-
ração e o mercado de agregados?
RH – O Brasil apresenta um cenário dinâmico. En-
quanto a mineração segue robusta, o mercado
de agregados, vital para a construção civil, mos-
tra sinais claros de recuperação.
Nossa estratégia é dupla: fornecemos soluções
de alta capacidade para mineração de médio e
grande porte, mas nunca perdemos nosso foco
em agregados. Observamos crescimento nas
regiões Sul e Sudeste, especialmente em São
Paulo, bem como no Nordeste, notadamente na
Bahia e em Pernambuco. Estamos preparados e
posicionados para capturar essas oportunidades
de infraestrutura.
M&S – A base instalada de equipamentos
no Brasil é grande e, em muitos casos, anti-
ga. Como o programa Sandvik X-Change se
insere na estratégia de atualização tecno-
lógica do País?
RH – O programa X-Change
é uma ferramenta estratégi-
ca de modernização. Equi-
pamentos de britagem são
bens
duráveis,
operando
por 20 ou 30 anos. Contu-
do, muitas dessas máquinas,
embora operacionais, estão
tecnologicamente defasadas
em comparação com o que
oferecemos hoje.
O objetivo do programa é
facilitar
esse
intercâmbio
tecnológico. Oferecemos in-
centivos comerciais robus-
tos para que o cliente substi-
tua ativos antigos por novos.
Não é apenas uma troca de máquina; é uma
atualização de eficiência. Provamos ao cliente
que a nova tecnologia reduz o Custo Total de
Propriedade (TCO), aumenta o uptime (tempo
de atividade) e a eficiência energética. É uma
oportunidade para o mercado renovar sua fro-
ta com condições excelentes, garantindo maior
produtividade na ponta.
M&S – Tecnicamente, quais diferenciais dos
Britadores da série 800 e das novas tecnolo-
gias justificam essa troca para o operador?
ENTREVISTA
RICHARD HARRIS
e-Digital
Esse é o nosso DNA:
utilizar a engenharia
de ponta para
entregar soluções
que geram valor
real e progresso.
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
14
e-Digital
RM&S
RH – A série de Britadores 800i materializa nosso
avanço em engenharia. Destaco duas inovações
críticas. Primeiro, a válvula E-dump. Sabemos que
"não britáveis" são uma realidade operacional
e podem causar danos catastróficos. A E-dump
atua como um sistema de proteção inteligente,
permitindo o alívio imediato e protegendo a es-
trutura do britador contra esses imprevistos.
Segundo, o sistema de filtragem offline. Alinha-
do a uma mineração mais limpa e consciente, ele
atua como um "rim externo" para o equipamen-
to. Isso permite uma filtragem muito mais fina,
estendendo a vida útil do óleo e dos componen-
tes internos. O resultado é duplo: menor impacto
ambiental, com menos descarte de óleo, e maior
longevidade do ativo.
M&S – Com as aquisições recentes, como fica o
posicionamento da Sandvik no segmento de
peneiramento no Brasil?
RH –
Estamos
consolidando
uma
oferta
"powerhouse". Ao integrar a Schenck Process
Mining, a Kwatani e a linha original de peneiras
Sandvik, reunimos o melhor da tecnologia austra-
liana, africana e sueca sob uma única bandeira.
Isso nos permite oferecer ao mercado brasilei-
ro um portfólio de peneiramento sem parale-
los em termos de profundidade e eficiência.
Nossa meta é entregar a solução completa: da
britagem à classificação, garantindo que nos-
sos clientes tenham a máxima performance em
toda a cadeia de cominuição.
Richard Harris e Leandro
Cambraia, diretor comercial
da Sandvik para o Brasil
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
15
ENTREVISTA
RICHARD HARRIS
M&S – A descarbonização é a pauta da vez. De
que forma a tecnologia da Sandvik contribui
efetivamente para as metas de sustentabili-
dade (ESG) das mineradoras?
RH – Nossa contribuição é direta e mensurável.
Primeiramente, a vasta maioria do nosso portfó-
lio de processamento (britagem e peneiramen-
to), incluindo as plantas móveis, é eletrificada.
Isso elimina emissões diretas na operação.
Mas o impacto maior está na eficiência do pro-
cesso. A moagem é, sabidamente, a etapa mais
energívora da mineração. Nossos britadores
da Série 800 são projetados para entregar um
produto final mais fino. Ao fazer isso, reduzi-
mos significativamente a carga de trabalho e
o consumo de energia na etapa seguinte de
moagem. Portanto, ao otimizar a britagem, es-
tamos reduzindo a pegada de carbono de toda
a planta de beneficiamento.
M&S – Para encerrar, qual a visão da Sand-
vik sobre a "Mineração do Futuro" e o desa-
fio dos minerais estratégicos?
RH – A demanda por minerais para a transição
energética e eletrificação global está crescendo,
enquanto os teores de minério nos depósitos
estão caindo. Isso nos obriga a processar vo-
lumes muito maiores de material para obter o
mesmo produto final.
A resposta da Sandvik passa pela autonomia e
segurança. Em minas subterrâneas, por exem-
plo, a eletrificação de frotas reduz drasticamente
a emissão de gases (fumes), melhorando a saú-
de ocupacional. Em última análise, caminhamos
para a mineração autônoma total — da explora-
ção à extração —, onde removemos o operador
das áreas de risco e garantimos uma operação
contínua, segura e eficiente para atender a essa
demanda crescente.
e-Digital
O Brasil apresenta
um cenário dinâmico.
Enquanto a mineração
segue robusta,
o mercado de
agregados, vital para
a construção civil,
mostra sinais claros
de recuperação.
Divulgação | Sandvik
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
16
e-Digital
e-Digital
ARTIGO
SUSTENTABILIDADE
APROVEITAMENTO DE
REJEITOS E ESTÉREIS:
A CIRCULARIDADE COMO
VETOR ESTRATÉGICO DA
MINERAÇÃO DO FUTURO
A mineração vive, sem dúvida, uma transfor-
mação estrutural. Impulsionada por crescentes
demandas ambientais, sociais e regulatórias, o
setor busca, além da eficiência operacional, a
incorporação de conceitos como circularidade,
reuso e reciclagem de materiais e gestão eficien-
te de resíduos como estratégia de negócio. Nes-
se contexto, o aproveitamento de rejeitos e esté-
reis deixou de ser uma iniciativa periférica para
se tornar um elemento central da agenda de sus-
tentabilidade e de gestão de riscos do setor.
Na Samarco, essa agenda é tratada de forma
integrada ao planejamento estratégico, conec-
tando inovação tecnológica, segurança de es-
truturas, eficiência operacional e compromis-
so socioambiental de longo prazo. A empresa
tem ampliado o uso de rejeitos e estéreis em
suas operações e obras de engenharia, consoli-
dando a circularidade como eixo estratégico e
transformando resíduos em coprodutos.
Em 2025, a Samarco alcançou 45% de aproveita-
mento total desses materiais, o melhor resultado
desde a retomada das operações. O índice reflete
uma mudança na forma como eles são tratados
ao longo da cadeia produtiva, do beneficiamento
às obras de engenharia e à destinação final.
Descaracterização da
barragem do Complexo
de Germano
Nitro Histórias Visuais
Daniel Mansur | Nitro
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
18
O principal avanço está no aproveitamento do
rejeito arenoso nas obras de descaracterização
das estruturas alteadas a montante no Comple-
xo de Germano, em Mariana (MG). Desde a reto-
mada operacional, em dezembro de 2020, até o
ano passado, cerca de 22 milhões de toneladas
foram incorporadas às obras de descaracteriza-
ção da Cava de Germano, concluídas em 2023,
e da Barragem do Germano, em estágio avan-
çado. Isso equivale a 61% de todo o rejeito de
flotação gerado no período. Somente em 2025,
esse percentual de aproveitamento foi de 89%.
Ainda em 2025, 15% do estéril gerado foi co-
mercializado como minério, criando valor para
um material antes sem uso econômico, e 22%
do rejeito ultrafino que seria gerado no Con-
centrador 3 da empresa foi incorporado ao con-
centrado, aumentando a recuperação metálica,
reduzindo a geração de rejeitos e aumentando
a vida útil das estruturas de disposição.
Os números demonstram que o aproveitamen-
to não é somente uma prática ambientalmen-
te responsável, mas uma alavanca de eficiên-
cia produtiva e criação de valor. Os avanços
na Samarco estão conectados à estratégia de
sustentabilidade da empresa, que integra te-
máticas-chave como segurança e integridade
de estruturas, redução da geração de rejeitos,
aumento da circularidade, eficiência hídrica e
energética e inovação tecnológica, atrelados à
expectativa de desempenho de nossos públi-
cos estratégicos e da sociedade em geral.
A lógica da economia circular na mineração
envolve o redesenho de processos produtivos
para reduzir a geração de rejeitos na origem, a
reincorporação de materiais ao fluxo produtivo
quando tecnicamente viável, o uso inteligente
de rejeitos e estéreis em obras de engenharia e
infraestrutura, a valorização econômica de ma-
teriais secundários e a redução da pressão por
novas áreas e estruturas de disposição.
Na prática, isso significa transformar resídu-
os em ativos operacionais, com práticas sus-
tentáveis de engenharia, planejamento de
mina e beneficiamento. Na Samarco, a visão
de longo prazo segue alinhada ao futuro da
mineração, que será necessariamente mais
circular, mais tecnológico e mais integrado
aos territórios de atuação.
Nosso objetivo é incorporar a circularida-
de como princípio de projeto, e não apenas
como solução corretiva. Os resultados alcan-
çados em 2025 demonstram que é possível
conciliar produção, segurança e sustentabili-
dade quando há estratégia, disciplina opera-
cional e investimento em inovação.
Gerente de Desenvolvimento
do Negócio e Inovação da Samarco
Bruno Pimentel
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
19
Wilian Leles
PROTAGONISMO
E CONSISTÊNCIA
FATURAMENTO
Em 2025, setor mineral ampliou faturamento, exportações
e gerou mais de 8 mil empregos, respondendo por 55% do
superávit da balança comercial do País
MERCADO
e-Digital
BALANÇO 2025
Depositphotos
O
setor mineral brasileiro encerrou 2025 com
faturamento de R$ 298,8 bilhões, consoli-
dando um dos melhores desempenhos de
sua história recente. O resultado representa cres-
cimento de 10,3% em relação a 2024 e confirma o
papel estratégico da mineração para a economia
nacional, especialmente na geração de divisas,
empregos e investimentos, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
O resultado representa o 2º maior da história,
ficando atrás apenas do faturamento de 2021,
quando alcançou R$ 339 bilhões. Em maio de
2021, o minério de ferro chegou a uma cotação
recorde de US$ 220 a tonelada.
Série histórica
153
209
339
250
248
271 298,8
2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
20
MINÉRIO DE FERRO LIDERA FATURAMENTO, APESAR DE LEVE RETRAÇÃO
EMPREGOS DIRETOS CRESCEM E SETOR MANTÉM TRAJETÓRIA DE ALTA
e-Digital
Faturamento por Substância
Empregos no Setor Mineral
Participação por Substância
O minério de ferro manteve a liderança no fatu-
ramento do setor, com R$ 157,2 bilhões, respon-
dendo por 52,6% da receita total da mineração
em 2025. Apesar da posição dominante, o seg-
mento registrou uma queda de 2,2% na compa-
ração anual, refletindo oscilações de preços no
mercado internacional.
2024
(R$ Bilhões)
2025
(R$ Bilhões)
Variação
2025 x 2024
Minério
de Ferro
160,7
157,2
-2,2%
Minério
de Ouro
23,9
39,3
64,8%
Minério
de Cobre
20,3
30,4
50,1%
Calcário
Dolomítico
9,1
9,7
6,7%
Granito
7,6
7,6
-0,4%
Bauxita
5,7
6,3
10,9%
O bom momento do setor também se refletiu no
mercado de trabalho. De acordo com dados do
Novo Caged, a indústria extrativa mineral alcan-
çou 229.312 empregos diretos em novembro de
2025, desconsiderando petróleo e gás.
Jan/2025 a
Novembro/2025
Novas Vagas:
8.330
Em contrapartida, outros minerais apresentaram
forte expansão. O minério de ouro alcançou fatu-
ramento de R$ 39,3 bilhões, crescimento de 64,8%,
enquanto o minério de cobre somou R$ 30,4 bi-
lhões, alta de 50,1%. O desempenho reflete a cres-
cente demanda global por minerais estratégicos
ligados à transição energética e baixo carbono.
Entre janeiro e novembro do ano passado, fo-
ram criadas 8.330 novas vagas formais, man-
tendo uma trajetória consistente de cresci-
mento do emprego no setor ao longo dos
últimos anos.
185.524
191.302
195.140
198.229
198.145
201.658
203.467
201.357
204.644
207.568
208.355 210.021
212.993
216.567 221.930
221.719 222.410
229.312
nov/25
jan/21
jan/22
mai/21 set/21
mai/22 set/22
set/23
jan/25
jan/24
jan/23
nov/25
set/25
set/25
mai/25
mai/24
mai/23
Minério de Ferro
Minério de Ouro
Minério de Cobre
Calcário Dolomítico
Granito
Bauxita
Outras
52,6
13,2
10,2
3,2
2,5
2,1
16,1
Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026
21
e-Digital
MERCADO
BALANÇO 2025
SETOR MINERAL SUSTENTA MAIS DA
METADE DO SUPERÁVIT COMERCIAL
O setor mineral brasileiro ampliou sua relevân-
cia no comércio exterior em 2025 e respondeu
por mais da metade do superávit da balança co-
mercial do País. Segundo dados do IBRAM, o sal-
do mineral alcançou US$ 37,61 bilhões no ano,
alta de 7,6% em relação a 2024, enquanto o su-
perávit total do Brasil somou US$ 68,29 bilhões.
O desempenho contrasta com a retração do
saldo comercial brasileiro como um todo, que
recuou 7,9% na comparação anual. A diferen-
ça evidencia o papel estratégico da mineração
como vetor de sustentação das contas externas,
especialmente em um cenário de aumento das
importações nacionais.
As exportações minerais totalizaram US$ 46,12
bilhões em 2025, crescimento de 6,2% frente ao
ano anterior. Já as exportações brasileiras totais
avançaram 3,5%, somando US$ 348,68 bilhões.
Em termos relativos, o setor mineral manteve
ritmo superior ao da média nacional, reforçando
sua competitividade no mercado internacional.
A China seguiu como principal destino das ex-
portações minerais brasileiras. Em 2025, o país
asiático absorveu 69,2% do volume exportado
em toneladas, confirmando a forte dependência
do setor em relação à demanda chinesa, espe-
cialmente por minério de ferro e outros insumos
básicos para a indústria.
Exportações totais
2025 x 2024
Bilhões de US$: 6,7%
Milhões de toneladas: 7,7%
US$ milhões
2024
2025
2025 x 2024
Minério de Ferro
29.860,2
28.960,7
-3,0%
Ouro
3.961,2
6.581,4
66,1%
Cobre
4.158,5
5.012,6
20,5%
Nióbio
2.379,9
2.658,7
11,7%
Pedras e Revest.
1.255,9
1.475,8
17,5%
Outros
1.393,7
1.011,3
-27,4%
Bauxita
231,1
216,4
-6,4%
Manganês
85,4
110,5
29,5%
Caulim
118,7
94,3
-20,6%
EXPORTAÇÕES MINERAIS
43,44
46,12
402,09
430,67
2025
2024
US$ Bilhões
Milhões Toneladas
Ferro
Ouro
Cobre
Nióbio
Pedras e Revest.
Outros
Bauxita
Manganês
Caulim
62,8
14,3
10,9
5,8
3,2
2,2 0,5
0,2
0,2
62,8
14,3
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