Revista Mineração | Edição 62

Janeiro e Fevereiro de 2026

revistamineracao.com.br

SUSTENTABILIDADE

Samarco avança rumo

à produção máxima e

reparação histórica

BALANÇO

Os números da

mineração brasileira

no ano de 2025

Edição 62 . Ano 14

Janeiro e Fevereiro de 2026

Conturbada geopolítica mundial torna-se central para as decisões estratégicas,

planos de investimentos e gestão de riscos associados ao setor

GEOPOLÍTICA E MINERAÇÃO

e-Digital

Edição

ENTREVISTA

Richard Harris e o

pioneirismo da

centenária Sandvik

Instagram

@tvmineracao

Facebook

@tvmineracao

Linkedin:

tv-mineração

Youtube:

youtube.com/@tvmineracao

Site:

www.tvmineracao.com.br

Inscreva-se em nosso canal

e siga nossas redes sociais:

A mineração explorada de forma inédita no programa:

www.youtube.com/@tvmineracao

Confira em:

Divulgação | Usiminas

CLIQUE

R$ 500 MILHÕES

PARA O MEIO

AMBIENTE

A Usiminas investiu mais de

R$ 500 milhões em ações

ambientais em 2025, como parte

de uma estratégia contínua para

aprimorar o desempenho de suas

operações e reduzir os impactos

para a comunidade de Ipatinga

(MG). O aporte se traduziu em

avanços no controle de emissões,

na estabilidade operacional e

na gestão de recursos naturais.

Como resultado, a empresa

reduziu em 50% os chamados

eventos relevantes — emissões

perceptíveis pela população e

que podem gerar incômodo.

Desde 2019 já foram investidos

R$ 3,7 bilhões em grandes

manutenções com foco em

equipamentos ambientais.

Não são de responsabilidade

da revista os artigos de opinião e

conteúdos de informes publicitários.

Siga nossas redes sociais

Conselho editorial

Adriano Espeschit

Engenheiro de Minas

J. Mendo Consultoria

Marcelo Mendo de Souza

Advogado - Cescon, Barrieu,

Flesch & Barreto Advogados

Portal | Contato

www.revistamineracao.com.br

revista@revistamineracao.com.br

Razão social:

Revista Mineração Ltda.

Rua Inspetor Jaime Caldeira, 1030

Brasileia . Betim (MG) . 32.600.286

+ 55 (31) 3544 . 0045

+ 55 (31) 98802 . 0070

Anúncios | Comercial

+ 55 (31) 98802 . 0070

comercial@revistamineracao.com.br

Assinaturas

faleconosco@revistamineracao.com.br

Distribuição

Edição digital: via e-mails, portal e re-

des sociais. Impressa: 8 mil exemplares

para 16 estados brasileiros.

Circulação

Publicação dirigida aos setores mineral,

siderúrgico e energético, com foco

especial em mineradoras e siderúrgicas

de grande, médio e pequeno porte,

além de fornecedores, consultorias,

entidades, instituições acadêmicas,

governos e assinantes.

Expediente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5

Diretor-geral

Wilian Leles

MTB  12.808/MG

diretor@revistamineracao.com.br

Digital

Tamires Oliveira

Redação

Bianca Alves

Daniela Maciel

Valquiria Lopes

redacao@revistamineracao.com.br

Diagramação

Mariana Aarestrup

Foto de capa

Gerada por IA | CHATGPT

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

A mineração brasileira chega a 2026 consolida-

da como a viga mestra da economia nacional.

Os números de 2025 são inequívocos: um fatu-

ramento de R$ 298,8 bilhões e uma contribui-

ção decisiva de 55% para o superávit da balan-

ça comercial do País. Contudo, esta edição da

Revista Mineração & Sustentabilidade revela

que o sucesso financeiro é apenas a base para

uma transformação mais profunda, onde a ge-

opolítica, a tecnologia e a sustentabilidade di-

tam o novo ritmo do mercado.

O Brasil vive um momento de redefinição estra-

tégica. Com investimentos projetados de US$

76,9 bilhões até 2030, o foco desloca-se gradu-

almente do minério de ferro para os minerais

críticos (cobre, lítio, níquel e terras raras), es-

senciais para a transição energética global.

O país posiciona-se como um porto seguro,

oferecendo estabilidade em um mundo mar-

cado pela fragmentação geopolítica, que hoje

é vista por executivos como o principal risco

estratégico do setor. O contexto atual, em que

a mineração se impõe como peça central no

tabuleiro geopolítico e econômico no mundo

é do que trata a matéria de capa desta edição.

Essa nova mineração exige uma visão sistêmica

que ultrapassa a extração. Exemplos como o de

Goiás, que incluiu a mineração no programa Pro-

goiás, mostram o esforço para verticalizar a produ-

ção e agregar valor localmente, transformando a

vocação geológica em competitividade industrial.

No campo da inovação, empresas como a

Sandvik – tema da entrevista da edição com

o presidente de negócios da Companhia, Ri-

chard Harris – impulsionam a eletrificação e a

autonomia, provando que a descarbonização

e a eficiência caminham juntas e serão o Nor-

te dos planos de crescimento não apenas da

Sandvik, mas para o setor de forma geral.

A sustentabilidade, por sua vez, deixou de ser

um discurso para se tornar prática operacional.

A Samarco, ao atingir 50 milhões de toneladas

produzidas desde sua retomada e investir no

sistema de empilhamento a seco, simboliza o

compromisso com a segurança e a reparação

definitiva dos atingidos e do meio ambiente

após a tragédia de Mariana.

O caminho está traçado e o que antes era tido

como temas futuros revelam-se mais que atu-

ais, urgentes. Cabe ao Brasil compreender o

contexto que se apresenta o mundo e transfor-

mar seu potencial no subsolo em desenvolvi-

mento humano e social duradouro.

Fundador e diretor-geral da Revista Mineração

& Sustentabilidade e da TV Mineração.

WILIAN LELES

EDITORIAL

Wilian Leles

e-Digital

Um setor em

redefinição

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

Estratégia e poder

Minerais críticos e as instabilidades geopolíticas

no mundo redefinem papel da mineração global

SUMÁRIO

revistamineracao.com.br

Janeiro e Fevereiro de 2026

Edição 62 . Ano 14

38

Progoiás

Fomento de projetos minerais prometem catapultar atividades do setor

extrativista em estado goiano

34

7 Panorama

10 Artigo

12 Entrevista

18 Artigo

20 Mercado

34 Mercado

38 Especial

46 Sustenta-

bilidade

Depositphotos

Novos rumos da Samarco

Mineradora tem se organizado para

produção total e conclusão da reparação

Richard Harris

Presidente de negócios da sueca

Sandvik em entrevista exclusiva

46

12

Daniel Mansur

Divulgação | Sandvik

Seções

Agenda de Eventos

DIVERSIBRAM 2026

Na quinta edição da DIVERSI-

BRAM 2026, o IBRAM segue firme

na missão de promover um setor

mineral verdadeiramente diver-

so. O evento continuará conec-

tando toda a cadeia com os te-

mas mais inovadores e essenciais

para impulsionar a diversidade e

a inclusão na mineração.

14 de abril de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://ibram.org.

br/eventos/

AGENDA

e-Digital

XII SIMEXMIN

O Simpósio Brasileiro de Explora-

ção Mineral é um evento técnico-

-científico, considerado um fórum

relevante para o desenvolvimento

da pesquisa mineral do Brasil. O SI-

MEXMIN tem como meta reunir a

comunidade de pesquisa mineral

em nível nacional e internacional

para debater temas do setor.

17 a 20 de maio de 2026

Ouro Preto (MG)

Informações: https://simexmin.

org.br/2026/

EXPOSIBRAM 2026

Reconhecida como um dos even-

tos mais importantes do setor

mineral latino-americano, a Expo

& Congresso Brasileiro de Minera-

ção (EXPOSIBRAM) é promovida

anualmente pelo IBRAM e reúne

as principais instituições, empre-

sas e especialistas da mineração

nacional e internacional.

24 a 27 de agosto de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://exposi-

bram2026.ibram.org.br/

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

Mercado

GRUPO TERNIUM NO

CONTROLE DA USIMINAS

A Ternium concluiu a aquisição da participação

da Nippon Steel no bloco de controle da Side-

rúrgica Usiminas, após cumprir as condições

previstas no acordo anunciado em novembro.

Com a saída também da Mitsubishi Corporation,

o Grupo Ternium passa a concentrar 92,9% do

bloco controlador, enquanto a Previdência Usi-

minas mantém os 7,1% restantes. A consolida-

ção amplia a influência estratégica da compa-

nhia e pode trazer reflexos na governança, nos

investimentos e nas prioridades industriais e

financeiras no médio prazo.

Divulgação | Usiminas

PANORAMA

e-Digital

Balanço

MINAS-RIO TEM EBITDA DE

US$ 1,137 BILHÃO EM 2025

PANORAMA

Divulgação | Anglo American

LUCRO DA ANGLOGOLD

CRESCE 186% E PRODUÇÃO 16%

Balanço

A AngloGold Ashanti registrou um ano excepcional

em 2025, com lucro líquido de US$ 2,725 bilhões, um

avanço de 186% em relação a 2024, impulsionado pe-

los preços elevados do ouro e pelo aumento das ope-

rações, conforme balanço divulgado recentemente. A

produção de ouro atingiu 3,1 milhões de onças, um

crescimento de 16%, com destaque para a contribui-

ção da mina de Sukari, no Egito. A empresa também

reportou um Ebitda ajustado de cerca de US$ 6,3 bi-

lhões e um fluxo de caixa livre recorde superior a US$

2,9 bilhões, refletindo forte geração de receita diante

do mercado favorável. A mineradora reforçou ainda

dividendos expressivos aos acionistas, sustentando

perspectivas positivas para 2026 com bases financei-

ras robustas e capacidade de investimento ampliada.

O desempenho do Sistema Minas-Rio, da Anglo American,

representa crescimento de 6% frente a 2024 e foi puxado

por produção de minério de ferro superior ao planejado e

alta nos preços da commodity, segundo a empresa. A pro-

dução total no Brasil alcançou 24,8 milhões de toneladas

de minério de ferro premium, cerca de 1 milhão acima das

projeções, refletindo maior estabilidade operacional e efi-

ciência. A Anglo American também elevou seus investi-

mentos, com US$ 603 milhões em Capex, e segue com foco

em sustentabilidade e segurança. A projeção de produção

do Minas-Rio para os próximos anos permanece elevada,

entre 24 e 26 milhões de toneladas em 2026 e 2027.

Divulgação | AngloGold Ashanti

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

VALE CRIA CONSÓRCIO PARA

OPERAÇÃO NO CANADÁ

A Vale Base Metals (VBM) firmou acordo com Exiro

Minerals Corporation, Orion Resources Partners e

Canada Growth Fund para criar um consórcio para

a operação de níquel de Thompson (Manitoba), no

Canadá. Pelo acordo, os parceiros deterão 81,1%

da nova companhia, enquanto a VBM manterá

18,9% e assinou contrato de offtake (contrato de

compra garantida) para o concentrado de níquel.

O grupo se compromete a investir até US$ 200 mi-

lhões para fortalecer a operação local. A transação,

parte da revisão estratégica dos ativos de níquel

da Vale, deve ser concluída até o fim de 2026.

e-Digital

htps:/planlink.com.br/terceirizacao-planlink

comercial@planlink.com.br

LOGÍSTICA E SUPPLY CHAIN

GESTÃO E APOIO À SMS

FISCALIZAÇÃO DE

CONTRATO DE OBRAS

Mineração exige eficiência, controle e segurança:

A Planlink entrega terceirização inteligente e digital

Somos uma empresa de serviços profissionais para a indústria, especializada em Consultoria,

BPO e terceirização de equipes técnicas. Com mais de 15 anos atendendo líderes dos setores de

Mineração, Óleo e Gás, Siderurgia, Química e Outros, estamos prontos para apoiar sua

operação e engenharia reduzindo custos tributários, com flexibilidade e total visibilidade da

produtividade real das equipes.

Acesse o QR Code e conheça como a Terceirização Inteligente, com visibilidade digital da

Planlink, pode aumentar a produtividade da sua gestão de Capex, EHS e Logística sem perder

a eficiência operacional.

Sobre nós

Níquel

Divulgação | VBM

e-Digital

A Compensação Financeira pela Exploração de

Recursos Minerais (CFEM) ocupa posição cen-

tral no debate sobre desenvolvimento regional

em territórios mineradores. Embora concebida

como instrumento de repartição dos benefícios

da atividade mineral, sua eficácia como política

pública estruturante ainda encontra limites re-

levantes, sobretudo quando dissociada de uma

estratégia de diversificação econômica voltada

ao período pós-mina.

Experiências recentes evidenciam esse contras-

te. Canaã dos Carajás (PA) é frequentemente ci-

tado como exemplo positivo: parte relevante da

CFEM foi direcionada à qualificação da gestão

pública, investimentos em educação, infraestru-

tura urbana e planejamento de longo prazo, re-

duzindo a dependência exclusiva da mineração.

Em sentido oposto, municípios como Mariana

(MG), apesar da expressiva arrecadação históri-

ca, não lograram converter os recursos da CFEM

em bases econômicas alternativas robustas.

Esse cenário revela um problema estrutural: a

CFEM ainda opera predominantemente como

receita corrente, absorvida pelo custeio da má-

quina pública, em detrimento de investimentos

estratégicos. A boa governança desses recursos

exige planejamento intertemporal, transparên-

cia e, sobretudo, vinculação a políticas de diversi-

ficação produtiva, capazes de sustentar a econo-

mia local após o esgotamento da jazida.

Tal diretriz encontra respaldo no Decreto nº

9.406/2018, que regulamenta o Código de Mi-

neração (Decreto-Lei nº 227/1967), estabelece

a obrigatoriedade do Plano de Fechamento de

Mina (PFM), posteriormente detalhado pela Re-

solução ANM nº 68/2021, que impõe ao titular

do direito minerário a previsão de medidas am-

bientais, sociais e econômicas para o encerra-

mento das operações.

A CFEM pode — e deve — funcionar como elo en-

tre o fechamento de mina e a sobrevivência eco-

nômica do município. Isso implica direcionar parte

dos recursos para capacitação profissional, atração

de novos setores produtivos, inovação, agricultura

de valor agregado e serviços especializados. Sem

essa convergência entre regulação mineral e gover-

nança fiscal local, o encerramento da mina tende a

produzir o conhecido “vazio econômico”, perpetu-

ando ciclos de dependência e vulnerabilidade.

ARTIGO

DIREITO

Especialista em Direito Minerário e

Ambiental e vice-presidente da Comissão

Temática de Direito Minerário da OAB/SC

André Garcia

CFEM E

DESENVOLVIMENTO

REGIONAL: DA

ARRECADAÇÃO

MINERAL À

SUSTENTABILIDADE

PÓS-MINA

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

10

e-Digital

Divulgação | Sandvik

e-Digital

TECNOLOGIA COM

FOCO EM VALOR REAL

Wilian Leles

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2024

12

ENTREVISTA

RICHARD HARRIS

Segundo o presidente da área de Negócios da Sandvik,

Richard Harris, a busca por soluções eficientes e sustentáveis

é o que norteia a estratégia de crescimento da Companhia

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

12

e-Digital

e-Digital

m um mundo em que a mineração e

a indústria de agregados enfrentam

pressões crescentes por eficiência, sus-

tentabilidade e inovação tecnológica, a Sand-

vik Rock Processing emerge como protagonis-

ta de uma transformação global. Com mais de

160 anos de história e presença em mais de 120

países, a companhia consolidou sua reputação

como referência em engenharia aplicada à re-

solução de desafios complexos. No Brasil, essa

trajetória começou em 1949, quando a empre-

sa introduziu tecnologias de perfuração e pro-

cessamento de rochas que se tornaram funda-

mentais para o desenvolvimento da indústria

mineral nacional. Desde então, a Sandvik tem

ampliado sua atuação, combinando tradição e

inovação para atender às demandas de um se-

tor em constante evolução.

À frente dessa jornada está Richard Harris, pre-

sidente da área de negócios Rock Processing.

Com 23 anos de experiência na Sandvik e os

últimos três dedicados à liderança global dessa

divisão, Harris conduz uma estratégia que in-

tegra pesquisa e desenvolvimento contínuos,

aquisições estratégicas e programas de moder-

nização de ativos. O objetivo é claro: oferecer so-

luções completas e sustentáveis que aumentem

a produtividade, reduzam custos e contribuam

para a descarbonização da mineração. A aquisi-

ção de empresas líderes como Schenck Process

Mining, na Austrália, e Kwatani, na África, refor-

ça essa visão, consolidando um portfólio robusto

em peneiramento e classificação de materiais.

No mercado nacional, a Sandvik se posiciona

para capturar oportunidades tanto na mine-

ração de grande porte quanto no mercado de

agregados, vital para a infraestrutura e cons-

trução civil. Com iniciativas como o programa

X-Change, que incentiva a renovação tecno-

lógica de frotas antigas, e inovações como

os britadores da série 800i — equipados com

sistemas inteligentes de proteção e filtragem

avançada —, a empresa demonstra como a en-

genharia pode ser alavanca de competitividade

e sustentabilidade. Nesta entrevista, Richard

Harris compartilha sua visão sobre o papel da

Sandvik na “mineração do futuro”, os desafios

impostos pela transição energética e como a

companhia pretende seguir moldando o setor

no Brasil e no mundo. Confira!

Mineração & Sustentabilidade – A Sandvik

possui um legado centenário. Como essa his-

tória se conecta com a operação brasileira e

qual é o "core" estratégico da empresa hoje?

Richard Harris – A Sandvik é uma organiza-

ção com raízes profundas, fundada em 1862,

e hoje nossa pegada é verdadeiramente glo-

bal, abrangendo mais de 120 países. No Brasil,

nossa jornada começou em 1949, introduzin-

do tecnologias de perfuração e rocha funda-

mentais para o desenvolvimento da indústria

mineral nacional.

Ao longo dessas décadas, construímos uma repu-

tação sólida baseada na resolução de problemas

complexos. É por isso que a estratégia central do

grupo — e isso transcende a mineração, aplican-

do-se a toda a Sandvik — é, literalmente, avançar

o mundo através da engenharia. Esse é o nosso

DNA: utilizar a engenharia de ponta para entre-

gar soluções que geram valor real e progresso.

M&S – Com essa visão global, qual é a leitura

atual da companhia sobre o setor mineral e

quais tendências têm impulsionado as deci-

sões de investimento?

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

13

RH – Temos observado um crescimento consis-

tente no setor de mineração ao longo dos últi-

mos trimestres. O nível de investimento perma-

nece alto, impulsionado por necessidades claras:

renovação de frotas e busca por eficiência ener-

gética. O mercado demanda triturar em tama-

nhos menores para reduzir o consumo de ener-

gia nas etapas subsequentes de cominuição.

Para atender a isso, nosso investimento em P&D

é contínuo. No entanto, nossa estratégia de

inovação é híbrida. Além do desenvolvimento

interno, também buscamos

M&A (Fusões e Aquisições)

para incorporar o "best-in-

-class" do mercado. Recente-

mente, adquirimos a Schen-

ck Process Mining, líder de

mercado na Austrália, e a

Kwatani, líder na África. Es-

sas aquisições estratégicas

complementam nosso por-

tfólio, especialmente em pe-

neiramento, permitindo que

a Sandvik ofereça soluções

completas e mantenha uma

curva de crescimento.

M&S – Trazendo o foco para

o Brasil, como a empresa

planeja navegar entre as demandas da mine-

ração e o mercado de agregados?

RH – O Brasil apresenta um cenário dinâmico. En-

quanto a mineração segue robusta, o mercado

de agregados, vital para a construção civil, mos-

tra sinais claros de recuperação.

Nossa estratégia é dupla: fornecemos soluções

de alta capacidade para mineração de médio e

grande porte, mas nunca perdemos nosso foco

em agregados. Observamos crescimento nas

regiões Sul e Sudeste, especialmente em São

Paulo, bem como no Nordeste, notadamente na

Bahia e em Pernambuco. Estamos preparados e

posicionados para capturar essas oportunidades

de infraestrutura.

M&S – A base instalada de equipamentos

no Brasil é grande e, em muitos casos, anti-

ga. Como o programa Sandvik X-Change se

insere na estratégia de atualização tecno-

lógica do País?

RH – O programa X-Change

é uma ferramenta estratégi-

ca de modernização. Equi-

pamentos de britagem são

bens

duráveis,

operando

por 20 ou 30 anos. Contu-

do, muitas dessas máquinas,

embora operacionais, estão

tecnologicamente defasadas

em comparação com o que

oferecemos hoje.

O objetivo do programa é

facilitar

esse

intercâmbio

tecnológico. Oferecemos in-

centivos comerciais robus-

tos para que o cliente substi-

tua ativos antigos por novos.

Não é apenas uma troca de máquina; é uma

atualização de eficiência. Provamos ao cliente

que a nova tecnologia reduz o Custo Total de

Propriedade (TCO), aumenta o uptime (tempo

de atividade) e a eficiência energética. É uma

oportunidade para o mercado renovar sua fro-

ta com condições excelentes, garantindo maior

produtividade na ponta.

M&S – Tecnicamente, quais diferenciais dos

Britadores da série 800 e das novas tecnolo-

gias justificam essa troca para o operador?

ENTREVISTA

RICHARD HARRIS

e-Digital

Esse é o nosso DNA:

utilizar a engenharia

de ponta para

entregar soluções

que geram valor

real e progresso.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

14

e-Digital

RM&S

RH – A série de Britadores 800i materializa nosso

avanço em engenharia. Destaco duas inovações

críticas. Primeiro, a válvula E-dump. Sabemos que

"não britáveis" são uma realidade operacional

e podem causar danos catastróficos. A E-dump

atua como um sistema de proteção inteligente,

permitindo o alívio imediato e protegendo a es-

trutura do britador contra esses imprevistos.

Segundo, o sistema de filtragem offline. Alinha-

do a uma mineração mais limpa e consciente, ele

atua como um "rim externo" para o equipamen-

to. Isso permite uma filtragem muito mais fina,

estendendo a vida útil do óleo e dos componen-

tes internos. O resultado é duplo: menor impacto

ambiental, com menos descarte de óleo, e maior

longevidade do ativo.

M&S – Com as aquisições recentes, como fica o

posicionamento da Sandvik no segmento de

peneiramento no Brasil?

RH –

Estamos

consolidando

uma

oferta

"powerhouse". Ao integrar a Schenck Process

Mining, a Kwatani e a linha original de peneiras

Sandvik, reunimos o melhor da tecnologia austra-

liana, africana e sueca sob uma única bandeira.

Isso nos permite oferecer ao mercado brasilei-

ro um portfólio de peneiramento sem parale-

los em termos de profundidade e eficiência.

Nossa meta é entregar a solução completa: da

britagem à classificação, garantindo que nos-

sos clientes tenham a máxima performance em

toda a cadeia de cominuição.

Richard Harris e Leandro

Cambraia, diretor comercial

da Sandvik para o Brasil

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

15

ENTREVISTA

RICHARD HARRIS

M&S – A descarbonização é a pauta da vez. De

que forma a tecnologia da Sandvik contribui

efetivamente para as metas de sustentabili-

dade (ESG) das mineradoras?

RH – Nossa contribuição é direta e mensurável.

Primeiramente, a vasta maioria do nosso portfó-

lio de processamento (britagem e peneiramen-

to), incluindo as plantas móveis, é eletrificada.

Isso elimina emissões diretas na operação.

Mas o impacto maior está na eficiência do pro-

cesso. A moagem é, sabidamente, a etapa mais

energívora da mineração. Nossos britadores

da Série 800 são projetados para entregar um

produto final mais fino. Ao fazer isso, reduzi-

mos significativamente a carga de trabalho e

o consumo de energia na etapa seguinte de

moagem. Portanto, ao otimizar a britagem, es-

tamos reduzindo a pegada de carbono de toda

a planta de beneficiamento.

M&S – Para encerrar, qual a visão da Sand-

vik sobre a "Mineração do Futuro" e o desa-

fio dos minerais estratégicos?

RH – A demanda por minerais para a transição

energética e eletrificação global está crescendo,

enquanto os teores de minério nos depósitos

estão caindo. Isso nos obriga a processar vo-

lumes muito maiores de material para obter o

mesmo produto final.

A resposta da Sandvik passa pela autonomia e

segurança. Em minas subterrâneas, por exem-

plo, a eletrificação de frotas reduz drasticamente

a emissão de gases (fumes), melhorando a saú-

de ocupacional. Em última análise, caminhamos

para a mineração autônoma total — da explora-

ção à extração —, onde removemos o operador

das áreas de risco e garantimos uma operação

contínua, segura e eficiente para atender a essa

demanda crescente.

e-Digital

O Brasil apresenta

um cenário dinâmico.

Enquanto a mineração

segue robusta,

o mercado de

agregados, vital para

a construção civil,

mostra sinais claros

de recuperação.

Divulgação | Sandvik

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

16

e-Digital

e-Digital

ARTIGO

SUSTENTABILIDADE

APROVEITAMENTO DE

REJEITOS E ESTÉREIS:

A CIRCULARIDADE COMO

VETOR ESTRATÉGICO DA

MINERAÇÃO DO FUTURO

A mineração vive, sem dúvida, uma transfor-

mação estrutural. Impulsionada por crescentes

demandas ambientais, sociais e regulatórias, o

setor busca, além da eficiência operacional, a

incorporação de conceitos como circularidade,

reuso e reciclagem de materiais e gestão eficien-

te de resíduos como estratégia de negócio. Nes-

se contexto, o aproveitamento de rejeitos e esté-

reis deixou de ser uma iniciativa periférica para

se tornar um elemento central da agenda de sus-

tentabilidade e de gestão de riscos do setor.

Na Samarco, essa agenda é tratada de forma

integrada ao planejamento estratégico, conec-

tando inovação tecnológica, segurança de es-

truturas, eficiência operacional e compromis-

so socioambiental de longo prazo. A empresa

tem ampliado o uso de rejeitos e estéreis em

suas operações e obras de engenharia, consoli-

dando a circularidade como eixo estratégico e

transformando resíduos em coprodutos.

Em 2025, a Samarco alcançou 45% de aproveita-

mento total desses materiais, o melhor resultado

desde a retomada das operações. O índice reflete

uma mudança na forma como eles são tratados

ao longo da cadeia produtiva, do beneficiamento

às obras de engenharia e à destinação final.

Descaracterização da

barragem do Complexo

de Germano

Nitro Histórias Visuais

Daniel Mansur | Nitro

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

18

O principal avanço está no aproveitamento do

rejeito arenoso nas obras de descaracterização

das estruturas alteadas a montante no Comple-

xo de Germano, em Mariana (MG). Desde a reto-

mada operacional, em dezembro de 2020, até o

ano passado, cerca de 22 milhões de toneladas

foram incorporadas às obras de descaracteriza-

ção da Cava de Germano, concluídas em 2023,

e da Barragem do Germano, em estágio avan-

çado. Isso equivale a 61% de todo o rejeito de

flotação gerado no período. Somente em 2025,

esse percentual de aproveitamento foi de 89%.

Ainda em 2025, 15% do estéril gerado foi co-

mercializado como minério, criando valor para

um material antes sem uso econômico, e 22%

do rejeito ultrafino que seria gerado no Con-

centrador 3 da empresa foi incorporado ao con-

centrado, aumentando a recuperação metálica,

reduzindo a geração de rejeitos e aumentando

a vida útil das estruturas de disposição.

Os números demonstram que o aproveitamen-

to não é somente uma prática ambientalmen-

te responsável, mas uma alavanca de eficiên-

cia produtiva e criação de valor. Os avanços

na Samarco estão conectados à estratégia de

sustentabilidade da empresa, que integra te-

máticas-chave como segurança e integridade

de estruturas, redução da geração de rejeitos,

aumento da circularidade, eficiência hídrica e

energética e inovação tecnológica, atrelados à

expectativa de desempenho de nossos públi-

cos estratégicos e da sociedade em geral.

A lógica da economia circular na mineração

envolve o redesenho de processos produtivos

para reduzir a geração de rejeitos na origem, a

reincorporação de materiais ao fluxo produtivo

quando tecnicamente viável, o uso inteligente

de rejeitos e estéreis em obras de engenharia e

infraestrutura, a valorização econômica de ma-

teriais secundários e a redução da pressão por

novas áreas e estruturas de disposição.

Na prática, isso significa transformar resídu-

os em ativos operacionais, com práticas sus-

tentáveis de engenharia, planejamento de

mina e beneficiamento. Na Samarco, a visão

de longo prazo segue alinhada ao futuro da

mineração, que será necessariamente mais

circular, mais tecnológico e mais integrado

aos territórios de atuação.

Nosso objetivo é incorporar a circularida-

de como princípio de projeto, e não apenas

como solução corretiva. Os resultados alcan-

çados em 2025 demonstram que é possível

conciliar produção, segurança e sustentabili-

dade quando há estratégia, disciplina opera-

cional e investimento em inovação.

Gerente de Desenvolvimento

do Negócio e Inovação da Samarco

Bruno Pimentel

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

19

Wilian Leles

PROTAGONISMO

E CONSISTÊNCIA

FATURAMENTO

Em 2025, setor mineral ampliou faturamento, exportações

e gerou mais de 8 mil empregos, respondendo por 55% do

superávit da balança comercial do País

MERCADO

e-Digital

BALANÇO 2025

Depositphotos

O

setor mineral brasileiro encerrou 2025 com

faturamento de R$ 298,8 bilhões, consoli-

dando um dos melhores desempenhos de

sua história recente. O resultado representa cres-

cimento de 10,3% em relação a 2024 e confirma o

papel estratégico da mineração para a economia

nacional, especialmente na geração de divisas,

empregos e investimentos, segundo dados do

Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

O resultado representa o 2º maior da história,

ficando atrás apenas do faturamento de 2021,

quando alcançou R$ 339 bilhões. Em maio de

2021, o minério de ferro chegou a uma cotação

recorde de US$ 220 a tonelada.

Série histórica

153

209

339

250

248

271 298,8

2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

20

MINÉRIO DE FERRO LIDERA FATURAMENTO, APESAR DE LEVE RETRAÇÃO

EMPREGOS DIRETOS CRESCEM E SETOR MANTÉM TRAJETÓRIA DE ALTA

e-Digital

Faturamento por Substância

Empregos no Setor Mineral

Participação por Substância

O minério de ferro manteve a liderança no fatu-

ramento do setor, com R$ 157,2 bilhões, respon-

dendo por 52,6% da receita total da mineração

em 2025. Apesar da posição dominante, o seg-

mento registrou uma queda de 2,2% na compa-

ração anual, refletindo oscilações de preços no

mercado internacional.

2024

(R$ Bilhões)

2025

(R$ Bilhões)

Variação

2025 x 2024

Minério

de Ferro

160,7

157,2

-2,2%

Minério

de Ouro

23,9

39,3

64,8%

Minério

de Cobre

20,3

30,4

50,1%

Calcário

Dolomítico

9,1

9,7

6,7%

Granito

7,6

7,6

-0,4%

Bauxita

5,7

6,3

10,9%

O bom momento do setor também se refletiu no

mercado de trabalho. De acordo com dados do

Novo Caged, a indústria extrativa mineral alcan-

çou 229.312 empregos diretos em novembro de

2025, desconsiderando petróleo e gás.

Jan/2025 a

Novembro/2025

Novas Vagas:

8.330

Em contrapartida, outros minerais apresentaram

forte expansão. O minério de ouro alcançou fatu-

ramento de R$ 39,3 bilhões, crescimento de 64,8%,

enquanto o minério de cobre somou R$ 30,4 bi-

lhões, alta de 50,1%. O desempenho reflete a cres-

cente demanda global por minerais estratégicos

ligados à transição energética e baixo carbono.

Entre janeiro e novembro do ano passado, fo-

ram criadas 8.330 novas vagas formais, man-

tendo uma trajetória consistente de cresci-

mento do emprego no setor ao longo dos

últimos anos.

185.524

191.302

195.140

198.229

198.145

201.658

203.467

201.357

204.644

207.568

208.355 210.021

212.993

216.567 221.930

221.719 222.410

229.312

nov/25

jan/21

jan/22

mai/21 set/21

mai/22 set/22

set/23

jan/25

jan/24

jan/23

nov/25

set/25

set/25

mai/25

mai/24

mai/23

Minério de Ferro

Minério de Ouro

Minério de Cobre

Calcário Dolomítico

Granito

Bauxita

Outras

52,6

13,2

10,2

3,2

2,5

2,1

16,1

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

21

e-Digital

MERCADO

BALANÇO 2025

SETOR MINERAL SUSTENTA MAIS DA

METADE DO SUPERÁVIT COMERCIAL

O setor mineral brasileiro ampliou sua relevân-

cia no comércio exterior em 2025 e respondeu

por mais da metade do superávit da balança co-

mercial do País. Segundo dados do IBRAM, o sal-

do mineral alcançou US$ 37,61 bilhões no ano,

alta de 7,6% em relação a 2024, enquanto o su-

perávit total do Brasil somou US$ 68,29 bilhões.

O desempenho contrasta com a retração do

saldo comercial brasileiro como um todo, que

recuou 7,9% na comparação anual. A diferen-

ça evidencia o papel estratégico da mineração

como vetor de sustentação das contas externas,

especialmente em um cenário de aumento das

importações nacionais.

As exportações minerais totalizaram US$ 46,12

bilhões em 2025, crescimento de 6,2% frente ao

ano anterior. Já as exportações brasileiras totais

avançaram 3,5%, somando US$ 348,68 bilhões.

Em termos relativos, o setor mineral manteve

ritmo superior ao da média nacional, reforçando

sua competitividade no mercado internacional.

A China seguiu como principal destino das ex-

portações minerais brasileiras. Em 2025, o país

asiático absorveu 69,2% do volume exportado

em toneladas, confirmando a forte dependência

do setor em relação à demanda chinesa, espe-

cialmente por minério de ferro e outros insumos

básicos para a indústria.

Exportações totais

2025 x 2024

Bilhões de US$: 6,7%

Milhões de toneladas: 7,7%

US$ milhões

2024

2025

2025 x 2024

Minério de Ferro

29.860,2

28.960,7

-3,0%

Ouro

3.961,2

6.581,4

66,1%

Cobre

4.158,5

5.012,6

20,5%

Nióbio

2.379,9

2.658,7

11,7%

Pedras e Revest.

1.255,9

1.475,8

17,5%

Outros

1.393,7

1.011,3

-27,4%

Bauxita

231,1

216,4

-6,4%

Manganês

85,4

110,5

29,5%

Caulim

118,7

94,3

-20,6%

EXPORTAÇÕES MINERAIS

43,44

46,12

402,09

430,67

2025

2024

US$ Bilhões

Milhões Toneladas

Ferro

Ouro

Cobre

Nióbio

Pedras e Revest.

Outros

Bauxita

Manganês

Caulim

62,8

14,3

10,9

5,8

3,2

2,2 0,5

0,2

0,2

62,8

14,3

Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro e Fevereiro de 2026

22