Revista Mineração | Edição 61

Novembro e Dezembro de 2025

revistamineracao.com.br

MERCADO

O que falta ao

Brasil para liderar

a transição

energética?

MERCADO

Fortalecimento

da cadeia produtiva

de minerais

críticos

Edição 61 . Ano 14

Novembro e Dezembro de 2025

Setor mineral busca se afirmar como tecnológico, inovador

e sustentável para atrair profissionais qualificados e reter talentos

MEDIDAS DE CONTENÇÃO

e-Digital

Edição

ESG

As oportunidades

por trás dos

desafios

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Confira em:

Divulgação | MRS

CLIQUE

CAMPANHA PELA

PROTEÇÃO DA

AMAZÔNIA

Em ano marcado pela realização

da COP30 no Brasil, a Vale encerra

2025 com uma campanha de fim

de ano que reforça a necessidade

de cuidar da Amazônia de

forma contínua. O filme destaca

os ciclos da natureza para

lembrar que a preservação

não pode ser sazonal. Segundo

Leandro Modé, diretor de

Comunicação e Marca da Vale,

o compromisso da empresa

é conciliar desenvolvimento,

proteção ambiental e apoio às

comunidades. A campanha tem

alcance nacional, com veiculação

em TV, cinema, streaming e

plataformas digitais, e foi criada

pela agência Africa Creative da

biodiversidade local.

Não são de responsabilidade

da revista os artigos de opinião e

conteúdos de informes publicitários.

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Edição digital: via e-mails, portal e re-

des sociais. Impressa: 8 mil exemplares

para 16 estados brasileiros.

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Publicação dirigida aos setores mineral,

siderúrgico e energético, com foco

especial em mineradoras e siderúrgicas

de grande, médio e pequeno porte,

além de fornecedores, consultorias,

entidades, instituições acadêmicas,

governos e assinantes.

Expediente

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará - Salmos 37:5

Diretor-geral

Wilian Leles

MTB  12.808/MG

diretor@revistamineracao.com.br

Digital

Tamires Oliveira

Redação

Bianca Alves

Daniela Maciel

Valquiria Lopes

redacao@revistamineracao.com.br

Diagramação

Mariana Aarestrup

Foto da capa

Divulgação | Anglo American

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

Poucos países no mundo podem se orgulhar de um

subsolo tão diverso e abundante quanto o brasilei-

ro, capaz de suprir desde minerais tradicionais até

insumos estratégicos essenciais à transição energé-

tica global. Ferro, níquel, cobre, lítio, grafita e terras

raras colocam o Brasil no centro de uma disputa

internacional crescente. Soma-se a isso uma matriz

energética majoritariamente limpa, uma força de

trabalho jovem e um parque industrial que, ainda

que de forma desigual, começa a se alinhar às prin-

cipais tendências globais. O potencial é inequívoco.

Os desafios, porém, também são expressivos.

Esta edição da Revista Mineração & Sustenta-

bilidade analisa parte desses entraves e aponta

caminhos para transformar vocação geológica

em desenvolvimento efetivo. Um dos temas cen-

trais é a escassez de profissionais qualificados

para operar tecnologias digitais e novos proces-

sos que já dominam minas, plantas industriais e

escritórios de engenharia. A transformação do

setor exige competências cada vez mais especí-

ficas, que vão da automação e análise de dados

à gestão socioambiental e à inovação aplicada.

Diante desse cenário, empresas têm intensificado

investimentos em capacitação, retenção de talen-

tos e na construção de ambientes mais diversos,

inclusivos e colaborativos. A agenda ESG deixou

de ser diferencial e passou a ocupar posição estra-

tégica, tanto para fortalecer o relacionamento com

a sociedade quanto para atrair e engajar as novas

gerações que sustentarão a mineração no futuro.

Paradoxalmente, apesar de suas vantagens compe-

titivas, o Brasil ainda permanece majoritariamente

como exportador de matéria-prima, agregando

pouco valor às cadeias produtivas. A distância en-

tre o potencial geológico e a industrialização efeti-

va segue como um dos principais gargalos do País.

Ao longo desta edição, são apresentados diagnós-

ticos e propostas para avançar na verticalização,

no processamento e na inserção qualificada nas

cadeias globais de minerais estratégicos.

Nesse contexto, destaca-se o lançamento da As-

sociação de Minerais Críticos (AMC), em novem-

bro, com a missão de articular os diferentes elos

da cadeia — da prospecção mineral à fabricação

de tecnologias essenciais à transição energética.

A entidade surge com a proposta de promover

diálogo técnico, segurança jurídica e um ambien-

te de negócios mais estável e atrativo.

Por fim, a Mineração & Sustentabilidade evidencia

os ganhos concretos da agenda ESG: fortalecimento

econômico, geração de empregos qualificados, uso

eficiente de recursos, redução de emissões e maior

preservação ambiental. As empresas que transfor-

marem desafios em oportunidades tendem a se po-

sicionar de forma mais competitiva e resiliente.

A todos(as), uma ótima leitura! Desejamos um

Natal de paz e um abençoado 2026.

Fundador e diretor-geral da Revista Mineração

& Sustentabilidade e da TV Mineração.

WILIAN LELES

EDITORIAL

Wilian Leles

e-Digital

Enxergar e agir

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

Sinal de Alerta

Escassez de força de trabalho técnica gera preocupação no

Setor entrando no top 10 riscos mapeados em estudo da EY

SUMÁRIO

revistamineracao.com.br

Novembro e Dezembro de 2025

Edição 61 . Ano 14

28

ESG

Os benefícios sistêmicos da implementação da Agenda

38

7 Panorama

10 Artigo

12 Mercado

16 Inovação

18 Mercado

26 Artigo

28 Especial

36 Artigo

38 ESG

44 Artigo

Divulgação | Vale

Transição Energética

Brasil enfrenta

desafios para liderar movimento global

Impulso na produção

Associação promete aquecer

a cadeia dos minerais críticos

18

12

Divulgação | Gerdau

Duda Bairros

Seções

Agenda de Eventos

DIVERSIBRAM 2026

Na quinta edição da DIVERSI-

BRAM 2026, o IBRAM segue firme

na missão de promover um setor

mineral verdadeiramente diver-

so. O evento continuará conec-

tando toda a cadeia com os te-

mas mais inovadores e essenciais

para impulsionar a diversidade e

a inclusão na mineração.

11 de março de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://ibram.org.

br/eventos/

AGENDA

e-Digital

TAILINGS BR 2026

O seminário compartilha avan-

ços técnicos na gestão de estru-

turas de disposição de rejeitos,

discutindo os grandes desafios

do arcabouço regulatório ainda

enfrentados no Brasil e promo-

vendo reflexões sobre as ações

de prevenção, preparo e resposta

a emergências.

26 e 27 de maio de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://ibram.org.

br/eventos/

EXPOSIBRAM 2026

Reconhecida como um dos even-

tos mais importantes do setor

mineral latino-americano, a Expo

& Congresso Brasileiro de Minera-

ção (EXPOSIBRAM) é promovida

anualmente pelo IBRAM e reúne

as principais instituições, empre-

sas e especialistas da mineração

nacional e internacional.

24 a 27 de agosto de 2026

Belo Horizonte (MG)

Informações: https://exposi-

bram2026.ibram.org.br/

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

Mercado

CMOC COMPRA OPERAÇÕES

DA EQUINOX NO BRASIL

A chinesa CMOC Group anunciou a compra das

minas brasileiras da Equinox Gold por US$ 1,015

bilhão, marcando sua entrada no segmento de

ouro no país. O acordo envolve a mina Aurizona

(MA), Riacho dos Machados (MG) e o Complexo

Bahia, com pagamento inicial de US$ 900 milhões

e valor adicional de até US$ 115 milhões atrelado

à produção. A transação, prevista para o primei-

ro trimestre de 2026, amplia a presença chinesa

na mineração brasileira. Para a Equinox, a venda

permite reduzir dívidas e concentrar operações na

América do Norte.

Divulgação | Equinox Gold

PANORAMA

e-Digital

de ser Kinross

Um sentimento que nos une!

Estamos entre as duas

mineradoras e as 77

grandes empresas

reconhecidas como melhores

lugares para se trabalhar no Brasil.

Saiba mais em kinross.com.br

Barragem

ANGLOGOLD CONCLUI

DESCARACTERIZAÇÃO DA CDS II

PANORAMA

Arthur Andraus

VALE CONCLUI

DESCARACTERIZAÇÃO

DA CAMPO GRANDE

Barragem

A Vale concluiu, em dezembro, a descaracterização

da barragem Campo Grande, na Mina Alegria, em

Mariana (MG), alcançando 19 estruturas eliminadas e

63% de avanço no Programa de Descaracterização

de barragens a montante. As obras incluíram remoção

do alteamento, reforços estruturais, impermeabiliza-

ção e adequações no sistema de drenagem. A empre-

sa informou que a documentação técnica será enviada

aos órgãos reguladores e que a estrutura seguirá mo-

nitorada por ao menos dois anos. Das 19 estruturas já

eliminadas pelo programa, 16 estão em Minas Gerais

e três no Pará. No total, o programa prevê a descarac-

terização de 30 barragens e já recebeu investimentos

superiores a R$ 12,7 bilhões.

A AngloGold Ashanti concluiu a descaracterização da

barragem de rejeitos CDS II na mina Córrego do Sítio,

em Santa Bárbara (MG), com investimento de cerca de

R$ 253 milhões. As obras mobilizaram aproximadamen-

te 350 profissionais e marcam a eliminação definitiva do

reservatório, com estabilização do terreno e recuperação

ambiental da área. Desde 2022, a empresa adotou exclu-

sivamente o método de rejeito a seco em suas operações

no Brasil. Segundo a mineradora, o projeto reforça o com-

promisso com segurança e sustentabilidade. A compa-

nhia afirma, ainda, que seguirá com a descaracterização

de todas as barragens sob sua responsabilidade.

VideoDelivery

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

Equipamentos

AMPLIAÇÃO DA FROTA DE

CAMINHÕES AUTÔNOMOS EM CARAJÁS

A Vale, a Caterpillar e a Sotreq firmaram acordo para ampliar a frota de caminhões autônomos

nas operações de minério de ferro do Sistema Norte, em Carajás, no Pará. A iniciativa, a ser imple-

mentada ao longo de cinco anos, abrange as minas de Serra Norte e Serra Sul. Atualmente, o siste-

ma opera 14 caminhões autônomos; com o novo contrato, a frota deve chegar a cerca de 90 unida-

des até 2028, incluindo veículos de 400 toneladas operados pela tecnologia Cat MineStar Command.

Segundo a Vale, a autonomia aumenta a segurança, a eficiência e contribui para metas ambientais,

com ganhos de até 15% no desempenho e redução de até 7,5% no consumo de combustível em ou-

tras operações. Desde 2019, mais de 260 profissionais foram capacitados para novas funções digitais.

Para Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da Vale, o projeto reforça a excelência operacio-

nal, em prol de uma mineração cada vez mais eficiente, competitiva e sustentável. O programa de

autonomia da Vale começou em Brucutu, em 2018.

Gustavo Andrade

e-Digital

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

e-Digital

AVANÇOS

NA AGENDA

REGULATÓRIA

O ano de 2025 apresentou-se como um período

particularmente desafiador para a regulação do

setor mineral brasileiro. A Agência Nacional de Mi-

neração (ANM) enfrentou restrições orçamentárias

persistentes, déficit de pessoal técnico e elevado

passivo processual, ao mesmo tempo em que pre-

cisou responder a uma agenda cada vez mais exi-

gente em termos de sustentabilidade, segurança

operacional e segurança jurídica. No campo regu-

latório, 2025 consolidou esforços de racionaliza-

ção procedimental e de aprimoramento da gover-

nança regulatória. Destaca-se a continuidade da

revisão de normas infralegais, com foco na simpli-

ficação de obrigações acessórias, na padronização

de entendimentos técnicos e na maior previsibi-

lidade decisória. A ANM avançou na digitalização

de processos, na ampliação do uso de sistemas

eletrônicos e na melhoria dos fluxos internos de

análise, buscando reduzir a morosidade histórica

na tramitação de títulos minerários.

Outro eixo relevante foi o fortalecimento da agen-

da de fiscalização orientada por risco, priorizando

empreendimentos de maior impacto ambiental,

econômico ou social. Ainda que limitada pela ca-

pacidade operacional, a Agência buscou maior

integração com órgãos ambientais e de contro-

le, em consonância com a Lei Complementar nº

140/2011, além de intensificar ações educativas e

preventivas junto aos agentes regulados.

Para 2026, as expectativas regulatórias concen-

tram-se na consolidação desses avanços. Espera-

-se a continuidade da revisão normativa, com es-

pecial atenção à regulação da pequena e média

mineração, bem como a atualização de procedi-

mentos, a exemplo de um projeto para regula-

mentar critérios de segurança de pilhas de rejeito

no portfólio da Superintendência de Segurança

de Barragens e Pilhas de Mineração.

Com efeito, trata-se de uma revisão regulatória mo-

tivada pela nova estrutura da entidade, a qual des-

membrou antigas superintendências e criou novas

subdivisões, pelo que houve a necessidade de re-

alocar os projetos de acordo com a nova estrutura.

Ademais, a agenda de sustentabilidade tende

a ganhar centralidade, alinhada às políticas de

transição energética, minerais estratégicos e des-

carbonização das cadeias produtivas.

Apesar dos desafios estruturais ainda presentes, o

cenário para 2026 indica uma ANM mais conscien-

te de seu papel estratégico e comprometida com

uma regulação técnica, proporcional e indutora

do desenvolvimento mineral responsável. A su-

peração gradual das limitações institucionais e o

amadurecimento da agenda regulatória reforçam

a perspectiva de um ambiente mais estável, previ-

sível e atrativo para o setor mineral brasileiro.

ARTIGO

DIREITO

Especialista em Direito Minerário e

Ambiental e vice-presidente da Comissão

Temática de Direito Minerário da OAB/SC

André Garcia

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

10

Daniela Maciel

UNIÃO PELA

LIDERANÇA

GLOBAL

Lançada no fim de novembro, Associação de Minerais Críticos

quer dar robustez à cadeia produtiva facilitando diálogo

entre empresas, governo, órgãos reguladores e sociedade

MERCADO

e-Digital

MINERAIS CRÍTICOS

Inserir créditos

E

nquanto o mundo discute como fazer uma

transição energética justa rumo a uma

economia descarbonizada e forças geopo-

líticas se movimentam em busca dos chamados

minerais críticos, o Brasil ainda engatinha em

termo de coordenação entre os atores da cadeia

produtiva para aproveitar de maneira eficiente

seu potencial estratégico.

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

12

Apesar de ser dono de reservas importantes

de minerais como nióbio, lítio, grafita, níquel,

terras raras, entre outros elementos fundamen-

tais à produção de baterias, turbinas e veículos

elétricos, o País sofre com a baixa coordenação

entre mineração, indústria, logística, pesquisa e

política externa. Tudo isso se reflete em uma le-

gislação que muda constantemente, pouca pes-

quisa, dificuldades de obtenção de crédito pelas

empresas e uma cadeia produtiva pouco sofisti-

cada, que ainda se conforma em ser uma expor-

tadora de minerais praticamente in natura.

A cadeia dos minerais críticos vai muito além da

mineração. Cada elo – da prospecção geológi-

ca à reciclagem – exige conhecimento técnico,

escala industrial e regulação eficaz. Para ajudar

a tornar o diálogo mais técnico e eficiente, fo-

mentando a atração de investimentos nacionais

e estrangeiros por meio de um arcabouço que

dê aos investidores segurança jurídica, foi lan-

çada recentemente, em Brasília, a Associação de

Minerais Críticos (AMC).

Constituída por nove membros fundadores,

entre empresas do setor mineral e de serviços

associados – AClara, Atlantic Nickel, Centaurus,

Graphcoa, Graph+, Meteoric, PLS, Viridis e Li-

thium Ionic, com apoio do escritório Frederico

Bedran Advogados –, a Associação já tem novas

empresas em fase de formalização.

De acordo com a presidente do conselho da AMC

e diretora de Assuntos Corporativos e Sustenta-

bilidade da PLS, Marisa Cesar, a entidade nasce

para organizar e fortalecer um setor que cresce

rapidamente, mas que exige coordenação téc-

nica e institucional para que o Brasil aproveite

plenamente sua vantagem competitiva.

“O conhecimento sobre os minerais críticos é

muito recente e continua em formação. Por isso,

e-Digital

a sociedade em geral e, mesmo o governo, pre-

cisam de interlocutores que, além de profundo

conhecimento técnico, possam o traduzir para

uma linguagem compreensível à maioria, sem-

pre subsidiados por dados e comprovação cien-

tífica”, explica Marisa.

A criação da AMC, garante a executiva, não

se choca com a atuação de outras entidades

do setor, como o Instituto Brasileiro de Mi-

neração (IBRAM) e a Agência para o Desen-

volvimento Tecnológico da Indústria Mineral

Brasileira (Adimb).

Entendemos que o fato de sermos

dedicados aos minerais críticos

nos dá uma expertise técnica.”

Marisa Cesar,

presidente do conselho da AMC e

diretora de Assuntos Corporativos e

Sustentabilidade da PLS

Inserir créditos

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

13

Ou o País se posiciona nos

próximos quatro anos, ou

não conseguirá se estabelecer

como um protagonista.

Frederico Bedran,

diretor-executivo da AMC

e-Digital

Inserir créditos

Um licenciamento ambiental com regras con-

cretas e estáveis e prazos que deixem financia-

dores e candidatos a investidores confortáveis

é o desejo de toda indústria extrativa do Brasil,

em especial, a da mineração.

Da prospecção mineral até o beneficiamento

dos minerais, as etapas são morosas e de alto

custo. Um licenciamento mais célere – sem

abrir mão do rigor técnico para defender o

meio ambiente e comunidades atingidas – aju-

daria não só na atração de investidores como

Licenciamento ambiental é calcanhar de Aquiles

do setor de minerais críticos

também na captação de recursos junto ao sis-

tema financeiro, especialmente para as empre-

sas juniores e pequenas empresas.

“Os bancos emprestam dinheiro mediante ga-

rantias, as empresas juniores não têm patrimô-

nio para oferecer. E assim entramos em ciclo

perverso. Sem crédito, elas não conseguem se

manter até a operação começar a dar lucro e se

elas não se mantêm, nunca terão patrimônio

para oferecer como garantia. Isso impede o de-

senvolvimento das empresas, do setor e do País”,

alerta a presidente do conselho da AMC.

“A mineração é tão grande quanto complexa e

cada entidade tem sua missão e seu foco espe-

cífico. Todas elas desenvolvem trabalhos essen-

ciais ao setor. Eu, por exemplo, sou atuante no

IBRAM e continuarei sendo. Entendemos que

o fato de sermos dedicados aos minerais críti-

cos nos dá uma expertise técnica. E um ponto

interessante é que boa parte das empresas que

estão na AMC são de origem estrangeira, mas

quem está pilotando a operação no Brasil é sem-

pre brasileiro. Com isso, temos acesso a dados,

inclusive de fora do Brasil, muito interessantes,

de como são os incentivos que os outros países

dão, quais as garantias e contrapartidas para

créditos, por exemplo. São informações estraté-

gicas às quais temos acesso direto”, pontua.

MERCADO

MINERAIS CRÍTICOS

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

14

e-Digital

Para o diretor-executivo da Associação, Frederico

Bedran, o Brasil tem uma janela bastante estreita

para se tornar um player global, ou seja, um ver-

dadeiro protagonista na cadeia produtiva dos mi-

nerais críticos e um líder na transição energética.

“Ou o País se posiciona nos próximos quatro

anos, ou não conseguirá se estabelecer como

um protagonista. E é por isso que a questão do

licenciamento ambiental é tão importante. O re-

arranjo global dessas cadeiras está acontecendo

nesse momento e é a hora do Brasil se colocar

no cenário geopolítico, dentro da estratégia ge-

opolítica global”, destaca Bedran.

Uma grande oportunidade que o Brasil teve de

demonstrar não só a sua capacidade de produ-

ção de matéria prima, como a de abrigar uma

cadeia produtiva completa com base nos mine-

rais críticos, sendo um ambiente de negócios

seguro e sustentável, foi a Conferência do Clima

da Organização das Nações Unidas (ONU), reali-

zada em Belém (PA), em novembro.

“A COP 30 no Brasil, no momento em que o País

se posiciona na cadeia global para a transição

energética, considerando as nossas reservas

de minerais críticos e tendo como princípios

uma transição energética justa, com uma pro-

dução de minerais críticos com baixa pegada

de carbono, com uma mineração responsável,

é muito positivo. Isso coloca e afirma o Brasil

no cenário global da transição energética, não

só pelo seu potencial geológico, mas pelo seu

modo de produção e operação”, avalia o diretor

executivo da AMC.

Mining Hub

INOVAÇÃO

MINING HUB

O Mining Hub realizou o Mining Hub Rewind

2025, evento que marcou o encerramento de um

ciclo de transformações relevantes no ecossiste-

ma de inovação do setor mineral. O encontro reu-

niu mineradoras, fornecedores, startups, parcei-

ros institucionais e representantes de entidades

do setor para apresentar os principais resultados

de 2025 e discutir tendências estruturantes que

devem orientar a mineração brasileira em 2026.

Mais do que uma retrospectiva, o Rewind foi

concebido como um espaço de alinhamento

estratégico, troca de experiências e reflexão co-

letiva sobre os desafios tecnológicos, operacio-

nais, ambientais e reputacionais da mineração.

ECOSSISTEMA EM EXPANSÃO

Durante o evento, o Mining Hub apresentou

os principais indicadores do ecossistema em

2025. Atualmente, o Hub reúne 25 minerado-

ras associadas e 26 fornecedores, formando

uma rede que contempla praticamente todos

os grandes players do setor mineral brasileiro.

Ao longo do ano, foram realizados mais de 300

eventos, promovidas mais de 1.800 interações

estruturadas, validados mais de 4.000 players e

gerados aproximadamente R$ 300 milhões em

negócios, consolidando o Mining Hub como um

dos principais articuladores da inovação no setor.

Somente em 2025, o ecossistema cresceu 20%,

com a entrada de 10 novas empresas associa-

das, execução de 9 programas de inovação,

realização de 25 eventos presenciais, mapea-

mento de mais de 100 desafios corporativos e

validação de 24 provas de conceito (POCs), que

representaram R$ 4,73 milhões em testes roda-

dos. O volume de investimentos em inovação

aberta no período ultrapassou R$ 20 milhões.

INOVAÇÃO COLABORATIVA

Na abertura do evento, o diretor executivo

do Mining Hub, Leandro Rossi, destacou que

o modelo do Hub é baseado em colaboração

efetiva e governança compartilhada, com pro-

tagonismo das mineradoras associadas.

Evento reuniu lideranças do setor para apresentar resultados de 2025 e

discutir os vetores estratégicos que devem orientar a mineração em 2026

Mining Hub

Rewind 2025

consolida avanços

e projeta próximos

passos do setor

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

16

“O Mining Hub não nasce para empurrar solu-

ções ao mercado, mas para operar como uma

plataforma construída pelas mineradoras e

para as mineradoras, conectando desafios reais

a soluções com aplicação prática e potencial de

escala”, afirmou Rossi.

A programação também incluiu um momento

dedicado à governança, com a transição da pre-

sidência do Conselho do Mining Hub, reforçan-

do a maturidade institucional do ecossistema e

o alinhamento estratégico entre os associados.

INOVAÇÃO, TECNOLOGIA E REPUTAÇÃO

Representando o Instituto Brasileiro de Mine-

ração (IBRAM), o diretor de Assuntos Minerá-

rios, Julio Neri, ressaltou o papel da inovação

como vetor fundamental para o avanço tecno-

lógico e para o fortalecimento da reputação

da mineração junto à sociedade.

Segundo Neri, o setor enfrenta desafios crescen-

tes relacionados à complexidade das operações,

à redução dos teores minerais e às exigências

ambientais, o que torna indispensável o investi-

mento contínuo em tecnologia e inovação cola-

borativa. Ele também destacou a importância de

comunicar de forma mais clara à sociedade o nível

tecnológico envolvido na mineração moderna.

PROJETOS ESTRUTURANTES E RESULTADOS

O Rewind 2025 apresentou os principais resul-

tados dos programas do Mining Hub. O M-Start,

voltado à inovação aberta, executou duas edi-

ções no ano, levantou 35 desafios estratégicos

e colocou em execução ou contratou 19 POCs,

registrando uma das maiores taxas de conver-

são da história do programa.

O projeto ZeroCarbon Mining, desenvolvido em

parceria com o IBRAM, UFRJ e o Governo Britâ-

nico, reuniu 11 mineradoras em torno de qua-

tro frentes prioritárias: eficiência energética e

combustíveis de baixo carbono, eletrificação de

frotas, combustíveis industriais sustentáveis e

captura e remoção de carbono.

Outros destaques incluem o M-Connect, que pro-

moveu mais de 1.050 conexões diretas entre star-

tups e mineradoras; o M-Academy, programa de

capacitação com 1.400 usuários ativos e NPS de 86;

o M-Share, focado no compartilhamento de práti-

cas entre empresas associadas; e o lançamento do

Zero Waste Mining, iniciativa voltada à economia

circular e à valorização de resíduos e coprodutos.

PERSPECTIVAS PARA 2026

Ao encerrar o evento, o Mining Hub reforçou que

2025 consolidou a plataforma como referência em

inovação aberta no setor mineral e que 2026 será

marcado por um movimento de maior escala, in-

tegração entre cadeias e impacto sistêmico. Com

programas mais maduros, governança fortalecida e

um ecossistema altamente engajado, o Hub projeta

ampliar a colaboração interempresarial, acelerar a

transformação tecnológica e contribuir de forma es-

truturante para os desafios da mineração do futuro.

O Relatório Anual 2025 do Mining Hub, com

informações e análises detalhadas está dispo-

nível para download (clique aqui).

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

17

Bianca Alves

Ambiente mais

que perfeito

Dotado de consideráveis reservas de minerais

críticos e matriz energética renovável e limpa,

o Brasil segue aquém de sua capacidade

de liderar a transição energética.

Mas,... por quê isso acontece?

e-Digital

Depositphotos

MERCADO

MINERAIS CRÍTICOS

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

18

A

transição energética global está abrindo

um novo ciclo de demanda por mine-

rais estratégicos — lítio, níquel, cobalto,

cobre, grafite, terras raras — que são insumos

fundamentais para baterias, veículos elétricos,

geração renovável e redes elétricas inteligentes.

O Brasil detém reservas expressivas destes mine-

rais e, como tal, todas as condições para liderar

o processo de descarbonização, contribuindo

efetivamente para um ambiente melhor e tendo

como bônus um aumento expressivo do PIB e a

geração de milhões de empregos.

Um estudo recente do Itaú Unibanco com a Fun-

dação Getúlio Vargas revela que a transição para

a economia de baixo carbono pode adicionar até

R$ 465 bilhões no PIB e gerar 1,9 milhão de em-

pregos até 2035 no Brasil, através de investimen-

tos em energias renováveis e práticas sustentá-

veis. “Cada R$ 1 investido em energia renovável

pode gerar até R$ 1,57 de retorno na economia,

com destaque para a geração de empregos qua-

lificados e o fortalecimento de fornecedores na-

cionais”, destacou o Itaú em nota.

Setores como energia, transporte, siderurgia

e agropecuária, que foram o foco do estudo,

podem se beneficiar concretamente do pro-

cesso, transformando desafios climáticos em

crescimento econômico e inovação. São opor-

tunidades que também se abrem para o setor

minerário, já que algumas implicações gerais do

levantamento são válidas para vários setores de

atividade econômica.

Ph.D. em Economia pela Universidade de Cam-

bridge e professor da Escola de Economia de

São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Daniel

da Mata coordenou o estudo e sustenta que a

agenda climática de mitigação e adaptação deve

ser encarada como um caminho estratégico para

impulsionar a prosperidade do Brasil, gerando

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benefícios concretos para a sociedade e para o

desenvolvimento sustentável do país.

“É possível mensurar impactos agregados para

economia brasileira como um todo. Na prática, a

adoção de energia limpa por parte de empresas

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Cerca de 88% do setor elétrico é

composto de fontes renováveis,

enquanto a média mundial

é um pouco acima de 25%.

Então nesse quesito do setor

elétrico, o Brasil está

muito melhor do que o

restante do mundo.

Daniel da Mata,

professor da Escola de Economia

de São Paulo da FGV

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

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em diversos segmentos de atividade econômica

pode vir com redução de custos. A transição para

o baixo carbono vem acompanhada de desafios,

mas também de possibilidades de benefícios”,

observa da Mata.

No caso específico da mineração, ele observa

que o Brasil detém reservas expressivas de mi-

nerais como lítio, níquel, cobalto e terras raras, o

que traz inegáveis vantagens competitivas. En-

tre elas, a possibilidade de fazer parte de novas

cadeias críticas e se apresentar como fornecedor

confiável de minerais estratégicos em um mun-

do crescentemente tensionado.

A própria transição energética brasileira aumen-

ta a demanda doméstica por cobre, alumínio, si-

lício, terras raras e manganês. Mas as vantagens

são também ambientais: estes metais podem ser

processados com baixa pegada de carbono, já

que a matriz energética nacional é majoritaria-

mente renovável, o que permite produzir “mine-

rais verdes” a baixo custo.

“Enquanto o Brasil tem aproximadamente 48%

de fontes renováveis no setor energético, a mé-

dia do mundo é de cerca de 15%. Então o Bra-

sil já está bem na frente. Quando a gente pen-

sa especificamente em eletricidade, a matriz

brasileira é bem mais limpa. Cerca de 88% do

setor elétrico é composto de fontes renováveis,

enquanto a média mundial é um pouco acima

de 25%. Então nesse quesito do setor elétrico,

o Brasil está muito melhor do que o restante do

mundo”, conta o professor.

Neste contexto, a extração e o beneficiamento

de minerais críticos geram uma vantagem com-

petitiva, ao atrair compradores internacionais

que exigem “green metals”, além de permitir uma

futura diferenciação de preço para metais produ-

zidos com energia limpa.

“A partir do momento que as mineradoras te-

nham essa pegada mais sustentável, elas se be-

neficiam de um ambiente que reduz a incerteza

de mudança regulatória. Isso incrementa a ques-

tão reputacional, o que facilita a entrada em no-

vos mercados”, observa o professor da FGV.

Um potencial de ganho adicional, segundo da

Mata, está na atração de trabalhadores que quei-

ram trabalhar em empresas mais sustentáveis.

“Quando o profissional se identifica com os valo-

res da empresa, isso pode diminuir a rotatividade

no emprego, o que aumenta a produtividade”,

acrescenta.

Para o diretor de Sustentabilidade e Assuntos

Corporativos do IBRAM, Rinaldo Mancin, o Brasil

pode aproveitar o processo de transição energé-

tica para avançar concretamente na industrializa-

ção de suas cadeias minerais.

“A combinação entre recursos naturais, energia

renovável e uma indústria já instalada em seg-

mentos eletrointensivos abre uma janela real

para internalizar etapas de maior valor agrega-

do, como a produção de cátodos e precursores

para baterias, o refino de lítio e níquel, a fabri-

cação de ligas especiais para turbinas eólicas

e o processamento de terras raras magnéticas

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MINERAIS CRÍTICOS

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MERCADO

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

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para motores elétricos. Trata-se, portanto, de

uma oportunidade estratégica para o país cap-

turar valor para além da simples exportação de

concentrados”, disse Mancin, em entrevista à

Revista Mineração e Sustentabilidade. (Confira

no final da matéria).

Corroborando este raciocínio, Daniel da Mata

cita a discrepância entre o que o país possui em

reservas, por exemplo, de terra raras e o que efe-

tivamente produz, ou seja, a distância entre o

upstream e o downstream. Muito usados na in-

dústria petrolífera, estes termos se aplicam a vá-

rias cadeias produtivas, da mineração à tecnolo-

gia da informação.

Upstream (rio acima) se refere ao que vem antes

do processo, quando algo é criado, produzido ou

preparado. Downtream (rio abaixo) é tudo que

vem depois, ou seja, quando este algo é distribu-

ído, usado ou entregue ao consumidor final. No

meio, fica o midstream, fase intermediária que in-

clui processamento, transporte, armazenamento

e comercialização.

“Quando a gente pensa em upstream, que é iní-

cio do processo, dados de 2024 mostram que o

Brasil detém uma parcela relevante das reser-

vas comprovadas de minerais estratégicos para

transição energética”, diz o professor, citando o

exemplo do lítio, níquel e terras raras, dos quais

o país tem, respectivamente, 5%, 12% e 20% das

reservas comprovadas.

“Quando a gente olha a produção, o Brasil já fica

bem aquém. Temos 20% das reservas de terras

raras, a segunda maior reserva do mundo, mas

apenas 0,02% da produção mundial. Ou seja, há

um descompasso claro entre as reservas e a pro-

dução do mineral, pensando upstream. Isso sem

falar nas cadeias midstream e downstream, que

ainda têm que ser desenvolvidas”, completa.

Possibilidades:

Transição energética

no Brasil (até 2035)

Segundo dados da Agência Internacional de Ener-

gia, de 2022, a China domina quase 80% da cadeia

produtiva de minerais para baterias e transição

energética. “Um aspecto importante dessas ca-

deias é que no caso dos minerais estratégicos, a

China não é tão dominante na parte de extração.

Ela domina a extração de terras raras, mas não a de

níquel, cobalto, cobre. Ou seja, a demanda cres-

cente por minerais críticos para transição energé-

tica é uma oportunidade que o país tem de au-

mentar sua produção”, sugere o professor.

Ele frisa, porém, que este é um processo demora-

do, afinal, nada acontece de um dia para o outro,

em especial na mineração. “Se a gente pensar em

todo o encadeamento de minerais, desde a des-

coberta, passando pela produção bruta da mi-

neração e pelo processamento industrial, pode

levar décadas para que um país tenha o controle

de todo o processo. Então esse domínio chinês

tende a perdurar por conta do lead time, termo

em inglês que mede o tempo desde a descober-

ta até o processo final e que, no caso da minera-

ção, pode levar de 15 a 20 anos”, finaliza.

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Incremento de

R$ 465 milhões

no PIB

Geração de

1,9 milhão

de empregos

Fonte: Itaú Unibanco e FGV

Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro e Dezembro de 2025

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Revista Mineração & Sustentabilidade – Quais

seriam concretamente as oportunidades para

o setor mineral no caminho da transição ener-

gética no Brasil, para além das oportunidades

do restante do mundo?

Rinaldo Mancini – O Brasil ocupa uma posi-

ção especialmente privilegiada na transição

energética, e esse cenário se traduz em opor-

tunidades claras para o setor mineral. Além

da crescente demanda global por minerais

críticos, o país reúne três vantagens estru-

turais que o diferenciam globalmente. A

primeira é sua base mineral diversificada e

ainda pouco explorada: o território brasileiro

abriga reservas expressivas de lítio, níquel,

Uma base mineral diversificada, processada com

baixo carbono incorporado e condições concretas

para avançar na industrialização de suas cadeias

minerais. Para o diretor de sustentabilidade e As-

suntos Associativos do IBRAM, Rinaldo Mancin,

estes diferenciais colocam o Brasil em posição

privilegiada na transição energética, além de re-

presentar uma oportunidade concreta para o País

agregar valor à produção mineral. Alguns fatores, é

claro, inibem este avanço, mas também sinalizam

para mudanças de visão no negócio. “Superar o

padrão atual exige visão de longo prazo, políticas

industriais estáveis e investimento contínuo em

inovação e qualificação técnica”, aponta.

ENTREVISTA

Potencial

a ser

explorado

RINALDO MANCIN,

diretor de Sustentabilidade e

Assuntos Associativos do IBRAM

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MINERAIS CRÍTICOS

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MERCADO

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